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Música popular e Literatura chegam com o Outras Palavras à Itamaracá

Projeto comemora o envolvimento de 8 mil estudantes pernambucanos

Por: Diego Linhares

O projeto Outras Palavras, realizado pela Secretaria de Cultura de Pernambuco e Fundarpe segue levando a cultura pernambucana ao cotidiano de escolas do estado. Escritores premiados e referências da cultura popular pernambucana, inclusive Patrimônios Vivos, batem papo com alunos e estimulam vivências culturais.

A ação já atingiu diversos municípios do estado, do litoral ao sertão, atingindo cerca 350 escolas, quase 8 mil alunos e doando 4.478 livros.

Na última terça-feira (22), o projeto chegou à Itamaracá. A escola EREM Alberto Augusto de Moraes Pradines abriu as portas para receber o escritor Rômulo César para falar de literatura e da sua obra premiada “Dois Nós na Gravata”, com mediação do jornalista Marcos Enrique Lopes. Além do irreverente Maestro Forró que contagiou a todos com sua alegria e amor pela música local.

Antes de dar inicio as atividades a vice-presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade chamou à frente o professor e gestor do Escola, Caludivan Claudiano da Silva, para receber o Kit de literatura e aproveitou o momento para falar sobre o projeto: “Nós do Outras Palavras temos o imenso prazer de garantir a juventude de hoje acesso à cultura regional, sabemos que geralmente esse tema é assunto ainda raro nas escolas publicas. A equipe que toca este programa acredita que é uma realidade que pode ser mudada através de atividades como esta. É por isso que trouxemos para vocês um escritor premiado no Prêmio Pernambuco de Literatura, além do Maestro Forró, que é referência da música popular pernambucana”. 

Antonieta Trindade entregando o kit literário

Antonieta Trindade entregando o kit literário

Dando início à programação, foi exibido o curta “A Hora da Saída”. O filme foi produzido por alunos da Escola Estadual Santa Paula Frassineti, durante o curso de iniciação ao audiovisual do projeto Cine Cabeça, com direção de Cynara Santos e Gabriela Freitas e roteiro de Lucas Cintra e Vitor Vinícius.

Durante o momento de bate papo literário, o escritor Rômulo César contou que, incentivado pelos pais, ainda muito pequeno costumava escrever contos infantis. Mas acabou cursando Direito na UFPE, o que lhe permitiu ser Procurador Federal, embora nunca tenha deixado a literatura de lado. Aos 39 anos, integrou oficinas literárias de Raimundo Carrero e Paulo Caldas, onde aperfeiçoou técnicas para enriquecer sua escrita.

Sua obra “Dois Nós na Gravata”  foi premiada na categoria contos no Prêmio Pernambuco de Literatura em 2015. O livro foi editado pela CEPE Editora. “É um prazer estar aqui, em especial porque Itamaracá faz parte da minha adolescência. Nos anos 90 passei muito tempo aqui, tenho muita identificação e fico feliz em estar voltando à Ilha para falar sobre literatura, passar um pouco da minha experiência e também da minha arte”, comentou. 

Escritor Rômulo César bate papo mediado por Marcos Enrique Lopes com alunos do EREM Alberto Augusto

Escritor Rômulo César bate papo mediado por Marcos Enrique Lopes com alunos do EREM Alberto Augusto

Apesar de ter sido premiado na categoria de contos, o escritor revelou que não tem preferência por gênero: “Não é que eu tenha escolhido contos para escrever. Eu trafego por todas as áreas da literatura, mas o que aconteceu foi uma oportunidade para escrever este livro de contos, e tive a honra de ser premiado neste gênero, o que me faz parecer um contista, mas a verdade é que eu quero ser bem mais do que isso.”

Rômulo aproveitou o assunto para falar de sua obra “Dois Nós na Gravata”: “Este é o meu segundo livro, o primeiro foi Minimalidades. Minimalidades é um livro temático que conta a história de pequenos animais chamando para si os sentimentos humanos. Este segundo livro, acho que tem mais a minha cara. Não é um livro temático, é um livro que abrange vários tipos de histórias e situações que fazem o leitor rir ou chorar, um turbilhão de emoções. Essa foi a minha pegada, queria buscar emoções no livro e acho que esse foi o ponto para o sucesso.”

Logo os alunos  demonstraram curiosidade no assunto e começaram a abordar o escritor. Perguntado se ser escritor era um sonho de infância, Rômulo respondeu: “Na verdade eu não tinha ideia que seria escritor, apesar de escrever meu primeiro livro com 8 anos. Ali começava a fluir minha veia com ficção. Na minha adolescência eu também gostava muito de ler e isso estimulou a escrita, mas ainda assim não tinha ideia”.



Rômulo falou também de seus objetivos: “Minha carreira artística ainda está no começo, tenho estudado muito, tentando aprender o máximo possível. É natural que tenha pretensão de publicar muita coisa. Eu diria que hoje o meu objetivo imediato é publicar um livro de poemas, meu segundo e principal objetivo é publicar um romance, mas não qualquer romance. Acho que este gênero exige mais do escritor, não pode ser qualquer romance, você tem que envolver o leitor, emocioná-lo e isso exige uma dedicação. Espero também participar de mais prêmios literários porque isso abre portas, é por isso que estou aqui hoje.”

Finalizando o papo, o escritor passou um recado para quem sonha em escrever um dia: “Coragem, você precisa ter coragem para escrever suas impressões do mundo. A leitura é fundamental, ler muitos livros, poesias, buscar por escritores premiados no cenário da literatura e escrever, sentar e escrever, exercitar a escrita, a partir disso as coisas vão fluindo e você vai melhorando cada vez mais e pegando as manhas da literatura.”

Alunos da Escola EREM Alberto Augusto de Moraes Pradines participaram ativamente do bate papo

Alunos da Escola EREM Alberto Augusto de Moraes Pradines participaram ativamente do bate papo

Trazendo cultura popular para a escola, o projeto Outras Palavras apresentou, Francisco Amâncio da Silva, conhecido como Maestro Forró. É músico, compositor e arranjador. Ele fundou a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério e já foi agraciado com importantes honrarias culturais do estado e do país. No fim dos anos 80, ingressou no Centro Profissionalizante de Criatividade Musical do Recife e depois na Universidade Federal da Paraíba, onde se especializou em Trompete.

Maestro Forró conversou sobre sua trajetória na música e deu uma pequena demonstração do seu trabalho: “Meu pai foi um cantor de música popular, meu irmão estudou música e se formou pianista. Foi nesse momento que fiquei inquieto, entrei na Academia de Música, mas eu queria mesmo misturar a cultura do meu pai com a partitura do meu irmão. Foi assim que surgiu a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. Fui muito criticado no começo, muitos maestros não me entendiam naquele momento, mas graças a Deus todos me entendem hoje em dia, os próprios incentivam o meu trabalho.”

Maestro Forró interage com os alunos

Maestro Forró interage com os alunos

“A parte que mais gosto é interagir com o publico, expressar várias formas de arte. Quando eu soube que viria participar deste projeto fui surpreendido de forma positiva. Mostrar um pouco do meu trabalho para vocês que estão aqui em grande número, de forma muito educada e atenciosa. Eu só tenho a agradecer esta oportunidade.  Quero aproveitar o momento para aconselhar vocês a aproveitarem e extraírem o máximo dessa visita hoje, todo o papo com o escritor Rômulo foi muito importante. Chegamos na era digital e hoje todos estão com o celular na mão, tablets e terminam esquecendo a leitura, principalmente esse público mais jovem como vocês, e é muito satisfatório ver vocês prestando atenção e se interessando por este tema. Ler é um hábito que lhe faz adquirir muitas informações e crescer como pessoa, por isso leiam o máximo que puder.”

Outras Palavras em Itamaracá

Outras Palavras em Itamaracá

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