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‘Outras Palavras’ deixa sua marca em escola de Cortês

Literatura, cinema e música animaram a programação

O projeto Outras Palavras, da Secretaria de Cultura de Pernambuco e da Fundarpe, continua levando cultura e cidadania para as escolas da rede pública do estado. A programação, que inclui entrega de kits com livros de autores pernambucanos, chegou na terça-feira (16) à cidade de Cortês, na Mata Sul, tendo como convidados o escritor Camillo José (vencedor do  4º Prêmio Pernambuco de Literatura) e a Orquestra Capa Bode, Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Jan Ribeiro/Fundarpe

Jan Ribeiro/Fundarpe

Estudantes receberam o projeto com animação

Iniciando as atividades, entrou em cena o primeiro curta-metragem realizado por estudantes do curso de iniciação audiovisual do projeto Cine Cabeça, “A Hora da Saída” que faz parte também do projeto “Brincando de Fazer Cinema”, sob direção de Cynara Santos e Gabriela Freitas, roteiro de Lucas Cintra e Vitor Vinícius e produção de Cynara Santos e Camila Barros. Logo depois, com mediação do jornalista e cineasta Marcos Enrique Lopes, o escritor Camillo José conversou com os presentes sobre suas obras, em especial o livro “A Dakimakura Flutuante”. A conversa fluiu, passando por temas como o que a poesia significa na vida do escritor.

“O escritor precisa ser sincero, o que me motivou a escrever foi basicamente o que motivou a maioria dos escritores que conheço: você gosta de alguém, mas não sabe expressar. Comecei a escrever mandando cartinhas no colégio pra uma garota por ter vergonha e fui pegando gosto pela coisa, ouvindo criticas negativas e positivas. Com o tempo, percebi que pode ser bem mais que isso, é uma maneira de expressar seus sentimentos presos. Quando escrevo, me sinto como se tivesse todo grudento e todas as coisas ao seu redor grudassem em mim”, confessou.

Perguntado de onde tira inspiração para compor seus poemas, Camillo falou que vem de músicas, livros, filmes, séries e desenhos. “Quanto mais você se envolve, mais influencia sua vida. Você não é a mesma pessoa depois de ouvir uma música, não é a mesma pessoa depois de ler um poema”.

Jan Ribeiro/Fundarpe

Jan Ribeiro/Fundarpe

Camillo José falou sobre seu processo criativo

O escritor ficou surpreso com a estrutura do colégio e aproveitou para incentivar os alunos a explorarem o universo literário. “A minha vida inteira estudei em escola particular. Hoje em dia é engraçado, pois meus primos e meus irmãos estudam em escolas públicas, na minha época a escola pública tinha uma imagem ruim, onde os  pais tinham medo de colocar seus filhos lá. A estrutura que a escola pública tem hoje é uma realidade muito diferente, muito melhor que há algum tempo atrás. Na minha época, os alunos tinham pouco acesso a livros, hoje vocês têm oportunidade, a partir de projetos como esse, de se aprofundarem e conhecer cada vez mais o mundo da literatura”, orientou.

Os estudantes ainda puderam tirar dúvidas e fazer perguntas diretamente ao escritor. Questionado sobre se já havia pensado em seguir outra profissão, Camillo foi taxativo: “Escritor não é profissão, estou terminando agora licenciatura em Letras, pretendo dar aula de Literatura. Dar aula e ser professor exige o mesmo tipo de sensibilidade da literatura, por estar perto de pessoas diferentes de você. Eu dava aula a pessoas que tinha idade para ser meus avós, e pensava em como o que ia falar poderia mudar a vida delas. Já pensei em ser desenhista, jornalista, mas depois descobri um curso pra quem gosta de literatura, o curso de Letras”.  Ainda sobre o assunto, o escritor complementou: “É como um quarto bagunçado, só você entende, você vai escrevendo, editando, mudando algumas coisas. Nesse ultimo livro, dividi em 4 partes, eu escrevia um poema por dia, demorou de 5 a 6 meses.  Às vezes eu não queria acabar, quando você termina um livro, é como se ele tivesse morrido pra você, o lançamento de um livro é quase um funeral para o escritor”.

"O escritor precisa ser sincero, o que me motivou a escrever foi basicamente o que motivou a maioria dos escritores que conheço: você gosta de alguém, mas não sabe expressar. Comecei a escrever mandando cartinhas no colégio pra uma garota por ter vergonha e fui pegando gosto pela coisa, ouvindo criticas negativas e positivas. Com o tempo, percebi que pode ser bem mais que isso, é uma maneira de expressar seus sentimentos presos. Quando escrevo, me sinto como se tivesse todo grudento e todas as coisas ao seu redor grudassem em mim", confessou. Perguntado de onde tira inspiração para compor seus poemas, Camillo falou que vem de músicas, livros, filmes, séries e desenhos. "Quanto mais você se envolve, mais influencia sua vida. Você não é a mesma pessoa depois de ouvir uma música, não é a mesma pessoa depois de ler um poema".

"O escritor precisa ser sincero, o que me motivou a escrever foi basicamente o que motivou a maioria dos escritores que conheço: você gosta de alguém, mas não sabe expressar. Comecei a escrever mandando cartinhas no colégio pra uma garota por ter vergonha e fui pegando gosto pela coisa, ouvindo criticas negativas e positivas. Com o tempo, percebi que pode ser bem mais que isso, é uma maneira de expressar seus sentimentos presos. Quando escrevo, me sinto como se tivesse todo grudento e todas as coisas ao seu redor grudassem em mim", confessou.  Perguntado de onde tira inspiração para compor seus poemas, Camillo falou que vem de músicas, livros, filmes, séries e desenhos. "Quanto mais você se envolve, mais influencia sua vida. Você não é a mesma pessoa depois de ouvir uma música, não é a mesma pessoa depois de ler um poema".

A conversa empolgou os participantes, que fizeram perguntas ao escritor

Camillo ainda foi perguntado se pensava que seu livro poderia mudar a vida de alguém: “A gente não escreve com essa pretensão, com essa vontade de escrever um poema incrível que vai mudar a vida de alguém, ma já aconteceu algumas vezes. Em 2013, meu primeiro livro teve um poema que escrevi pra minha avó, esse poema foi muito sincero e tocava as pessoas. Um certo dia, um cara veio até mim e disse que leu pra sua esposa e ela começou a chorar, foi muito gratificante saber que aquilo que você escreveu tocou as pessoas. É como você ter um filho e seu filho pedir alguém em casamento”.

Finalizando as atividades, sob o comando do maestro João Paulo, a Sociedade Musical Euterpina Juvenil Nazarena, mais conhecida como Orquestra Capa Bode fez sua apresentação na quadra da escola, com músicas de frevo e também composições de Tim Maia, Roupa Nova, Roberto Carlos, Dominguinhos, entre outros artistas.

Jan Ribeiro / Fundarpe

Jan Ribeiro / Fundarpe

A Orquestra Capa Bode é Patrimônio Vivo de Pernambuco

O Outras Palavras busca instigar e incentivar crianças e adolescentes a se interessarem pela literatura. O projeto, que teve seu inicio em 2015, é um sucesso e vem colhendo frutos. Até agora, já envolveu mais de 5 mil alunos em mais de 260 escolas que, juntas, receberam 3.800 livros de escritores pernambucanos.

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