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‘Outras Palavras’ envolveu centenas de estudantes e professores de Arcoverde

Bate-papo literário, Marcha Zumbi dos Palmares, mostra de filmes e outras ações culturais animaram a região entre os dias 18 e 19 de novembro

Foto: Jan Riberiro/Secult-PE

Por: Roberto Moraes Filho

Cumprindo a missão de promover atividades de cultura, educação e cidadania com estudantes e professores da rede pública, o projeto Outras Palavras, desenvolvido pela Secult-PE e Fundarpe, realizou na última sexta-feira (18), em Arcoverde, no Sertão do Moxotó, um instigante bate-papo sobre processos criativos na literatura pernambucana. O encontro, que aconteceu no auditório da Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde (AESA), reunindo cerca de 150 estudantes de oito escolas da região, foi mediado pela professora Cinthia Henrique, contando com a participação dos escritores Mário Filipe Cavalcanti e Carlos Alberto de Assis Cavalcanti.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

Carlos Alberto, Cinthia Henrique e Mário Filipe Cavalcanti

Vencedor do 3º Prêmio Pernambuco de Literatura, com a obra ‘Caninos Amarelados’, Mário Filipe explanou sobre o interesse e aprofundamento no campo de criação humana que pratica nas horas livres da profissão de advogado.  “Comecei lendo, na verdade. Hoje eu chego a ler 10, 12 e 15 livros ao mesmo tempo. Foi um exercício que eu fui fazendo e o cérebro vai se acostumando como um joguinho de memória, que você vai exercitando e de repente está craque. Para mim isso é ótimo, porque como eu advogo e preciso ler muito, literatura para mim é uma válvula de escape”, explicou.

“Caio Fernando Abreu dizia que o combustível de quem escreve é a leitura. Então, se eventualmente tem alguém aqui que quer escrever ou enveredar pela literatura, que é uma das belas artes, a sacada é essa. A literatura propriamente dita”, argumentou Mário. “Tem dois momentos na escrita literária. O primeiro é o da escrita propriamente dita, esse momento é totalmente fechado na obra e a forma de criação é totalmente voltada para as sensações do escritor. O segundo momento é justamente a publicação. Tem escritores que dizem que não se importam com o que o leitor pensa. Deve ser mentira, porque no final das contas o público é importante na roda da literatura”, opinou.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

Para Carlos Alberto de Assis Cavalcanti, professor da AESA e da Escola Industrial de Arcoverde, detentor de menção honrosa no Concurso Literário Nacional, promovido em 2001 pela Academia Pernambucana de Letras, com o livro ‘Itinerário Poético’, o encontro também serviu para aproximar mais os estudantes de ensino fundamental e médio da literatura regional. “Eu tive o privilégio nesses últimos dias de participar de eventos nas bibliotecas da cidade, tanto em encontro com jovens, como com crianças. E a gente percebe que, ao presenciar o escritor ou alguém que trabalha com texto ao vivo próximo deles, parece que alguma coisa mágica acontece. Talvez porque o formato de ensino de literatura esteja reportando sempre a nomes um tanto distanciados e aí, numa oportunidade como essa, em que a gente pode estar perto de dois produtores de textos vivos, é possível entender que a criação de um texto está flutuando ali, na cabeça das ideias de todos”, explicou Carlos Alberto.

“A criação literária independe de idade. E às vezes, sem motivação propriamente didática, nós estamos por vezes escrevendo alguma frase ou rabiscando alguma caricatura na sala de aula e de repente, temos lá um produtor de texto”, concluiu.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

Antonieta Trindade, vice-presidente da Fundarpe e idealizadora do projeto Outras Palavras.

Durante o bate-papo, professores e estudantes também puderam fazer colocações e perguntas aos participantes, possibilitando uma manhã de interação e ensinamentos, contando também com a entrega de kits literários do projeto Outras Palavras, compostos por publicações da Fundarpe e da Secult-PE, como obras de autores classificados nas três últimas edições do Prêmio Pernambuco de Literatura, assim como o livro ‘Patrimônios Vivos de Pernambuco’. “É necessário investir mais na ligação da cultura com a educação, para que a gente possa ter para nossa juventude um horizonte próspero”, ressaltou durante a entrega dos kits a vice-presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade, idealizadora do projeto.

Foram contempladas com os kits a Escola de Referência em Ensino Médio de Arcoverde, Escola de Referência em Ensino Médio Carlos Rios, Escola de Referência em Ensino Médio Senador Vitorino Freire, ETE – Escola Técnica Estadual Prof. Jonas Feitosa Costa, Escola Estadual Dircelio Ferreira de Paiva Junior (Presídio), Escola Antônio Japiassu, Escola Jornalista Édson Régis, Escola Monsenhor José  Kehrle, CEJA Cícero Franklin Cordeiro, Biblioteca Pública de Arcoverde e Biblioteca do SESC/Arcoverde.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

O projeto também ofereceu kits literários aos estudantes classificados no concurso “Afrodescendência, nossa luta, nossa história”. Foram classificados na categoria texto: Samara Aparecida Moura da Silva (EREM Carlos Rios), Maria Fernanda de Jesus Alves (EREM Comendador Manoel Caetano de Brito) e Jair Valentim Oliveira (EREM Carlos Rios). Já na categoria cartaz: Maria Aline Silva Correia, Maria Antônia de Souza e Ana Cláudia Alves de Moraes, todos da Escola Monsenhor José  Kehrle.

Foto: Jan Ribeiro

Foto: Jan Ribeiro

Grupo Jaraguá Mulungu Terno de Pífanos

CULTURA POPULAR E CONSCIÊNCIA NEGRA 

No encerramento da programação, o público presente contou com a apresentação musical do grupo artístico Jaraguá Mulungu Terno de Pífanos, interpretando músicas populares conhecidas por sua identidade com o Sertão do Moxotó. Já no sábado (19), a programação do projeto integrou a realização da 7ª Marcha Zumbi dos Palmares, que este ano prestou uma homenagem póstuma ao seu idealizador, Luiz Eloy de Andrade. “Luizão era natural de Buíque, mas dedicou a maior parte de sua vida ao Movimento Negro aqui na cidade de Arcoverde. Lutou sempre contra o preconceito racial, a discriminação e foi a favor da valorização do negro na sociedade não só em Arcoverde, mas em toda a região do Sertão do Moxotó. Foi fundador da Associação de Resgate da Cultura Afro (Arca), em 1994, e também fundou o Jornal Abibimam, com 13 anos de edições mensais. Uma de suas marcas era sair de bicicleta, distribuindo jornal, passando pela faculdade e por todas as escolas de Arcoverde falando da importância do reconhecimento como negro, valorizando dessa forma a sua cultura e ancestralidade”, recordou Irailda Leandro da Silva, membro do Núcleo de Gênero da UNEGRO-PE e militante do Movimento Negro em Arcoverde.

“Foi Luiz Eloy quem idealizou a Marcha Zumbi dos Palmares, levantando a bandeira do povo negro de Arcoverde e representando um símbolo da cultura negra nas festas do São João, vestindo com sua jaqueta colorida e o seu chapéu africano, como a gente via na sua figura um ancestral de poder, um rei ali na Praça da Bandeira e na Praça Virgínia Guerra nas noites de São João”, ressaltou Irailda.

A programação do projeto foi finalizada no Cinema Rio Branco, onde o público pôde conferir os documentários ‘Praça de Guerra’ (PB) ‘Osvaldão’ (SP). Confira abaixo fotos da 7ª Marcha Zumbi dos Palmares.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE

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