Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Fundarpe

‘Outras Palavras’ levou cultura popular e literatura para estudantes de Ipojuca

Atividade aconteceu na Escola Estadual Domingos Albuquerque, reunindo cerca de 150 estudantes da rede pública de ensino no município

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

Por Roberto Moraes Filho

No intuito de estreitar as relações entre educação, cultura e cidadania, inserindo no ambiente escolar, expressões culturais como literatura e ritmos populares de Pernambuco, o projeto Outras Palavras reuniu nesta quarta-feira (22), na Escola Estadual Domingos Albuquerque, em Ipojuca, cerca de 130 estudantes do ensino médio do município. Promovida pela Secult-PE e Fundarpe, a programação itinerante possibilitou um bate-papo com o poeta e escritor Rômulo César Melo, contando também com a animação da coquista Dona Aurinha do Coco, que conversou um pouco sobre as inspirações para compor músicas no ritmo do coco de roda.

Foto: Jan Ribeiro/Secut-Fundarpe

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

Antonieta Trindade, vice-presidente da Fundarpe, fazendo a entrega de kits literários para professores da Escola Domingos Albuquerque

Abrindo as atividades com a entrega de kits literários para a biblioteca da instituição e também para representantes das escolas Aníbal Cardoso, José Mário Alves, EREM Frei Otto e EREM Ipojuca, com obras de escritores vencedores do Prêmio Pernambuco de Literatura, Antonieta Trindade, vice-presidente da Fundarpe, falou sobre a iniciativa, que já atingiu até o momento cerca de 200 escolas estaduais. “Nós achamos que os nossos jovens precisam saber o que é o substantivo e o que é o logaritmo, mas que eles também precisam saber o que é o coco e outros ritmos da cultura popular pernambucana, além de como um escritor percorre o caminho que o leva a escrever e produzir obras premiadas. O projeto busca exatamente possibilitar à nossa juventude a oportunidade de conviver e conhecer o que há de melhor aqui no nosso Estado.”, avaliou Antonieta.

“Nossa escola, que hoje possui 1.396 alunos, e o nosso município carecem de mais ações como esta, que visam fortalecer e potencializar a literatura e outras linguagens culturais no ambiente escolar. O projeto é muito importante e foi fundamental para que nossa escola tivesse um levante no caminho de acesso à literatura pernambucana”, comentou Élison Davi Ramos, diretor da Escola Estadual Domingos Albuquerque.

Foto: Jan Ribeiro

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

Marcos Enrique Lopes e Rômulo César Melo, durante o bate-papo literário promovido pelo projeto.

Posteriormente, o público presente contou com a exibição do curta ‘A Hora da Saída’, produzido por estudantes da Escola Paula Frassinete, do Recife, que resultou de oficinas promovidas pelo projeto Cine Cabeça. E em seguida, acompanharam bate-papo literário intermediado pelo jornalista e cineasta Marcos Enrique Lopes, com Rômulo César Melo, vencedor da segunda edição do Prêmio Pernambuco de Literatura, com o livro de contos ‘Dois nós na gravata’ (2014), e autor dos livros de contos ‘Minimalidades’ (2013) e ‘Ao lado do Guarda-Chuva’ (2014), um dos vencedores do Prêmio Lima Barreto de Literatura.

Escritor desde 2008, quando tinha 29 anos, Rômulo falou sobre o seu processo de escrita literária, iniciado em oficinas promovidas pelos escritores Raimundo Carrero e Paulo Caldas, relacionado também à carreira de advogado e Procurador Federal. “A literatura surgiu na minha vida ainda na infância, na forma daquele pequeno leitor curioso por aventuras, lendo livros infantis e revistas em quadrinhos. Na adolescência, passei a ler Agatha Christie por gostar muito do clima de suspense e terminei chagando a um ponto de ruptura com a literatura, quando iniciei o terceiro ano científico (hoje ensino médio), em virtude dos estudos para o vestibular. Em 2008, quando já estava estabilizado financeiramente e depois de ter morado em Brasília e Caruaru, até retornar ao Recife, onde me casei e tive filhos, foi que surgiu o interesse pela retomada literária, quando eu notei que faltava alguma coisa em minha vida e o Direito já supria as minhas necessidades. Foi então que eu descobri que a minha paixão era a literatura, o que eu gosto de fazer”, disse Rômulo no início de sua conversa durante o projeto.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

“A poesia foi o meu primeiro passo na literatura. Depois vieram os contos, as crônicas. Na categoria de contos, é onde me considero mais preparado tecnicamente, talvez não seja à toa que a minha obra foi premiada no Prêmio Pernambuco de Literatura e o livro que eu pretendo lançar esse ano ainda, ‘Ao Lado do Guarda-chuva’, que é uma segunda coletânea de contos também, foi premiado na Academia Carioca de Letras”, mencionou o escritor.

Rômulo César também apresentou aos estudantes um pouco do seu processo de escrita. “Quando eu tenho uma meta na minha vida, eu sou muito obstinado, além de apaixonado, sou obstinado e vou até o final. O que eu posso fazer para melhorar a minha arte, eu faço. Então eu sabia que haveria a oficina literária de Raimundo Carrero, que na minha opinião é um grande escritor brasileiro, e foi lá que eu fiquei sabendo o quanto e onde eu poderia melhorar ainda mais a minha produção, passando a aprender novas técnicas literárias e crescendo o texto em termos de qualidade. E foi baseado na técnica adquirida na oficina que eu fiz meu primeiro livro ‘Minimalidades’, que é um livro temático, traçando todos os personagens vivenciados por pequenos animais. Eu busquei transferir sentimentos humanos como mágoas, raiva amor, e sexo, para o universo dos pequenos animais como baratas, formigas, pombos, entre outros. Em ‘Dois nós na gravata’, eu fiz um apanhado de contos que eram os melhores que eu possuía de 2009 a 2014, e para ter uma ideia, hoje eu estou com mais de 200 contos feitos”, ressaltou.

Foto: Jan Ribeiro/Secut-Fundarpe

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

Aurinha do Coco

Após a conversa sobre literatura, na qual os estudantes também puderam fazer perguntas e interagir com o escritor, o projeto Outras Palavras contou com a contribuição da coquista Dona Aurinha do Coco, que falou sobre a sua trajetória na cultura popular pernambucana, iniciada no bairro de Amaro Branco, em Olinda. “O coco de roda é o que eu amo de paixão. Meu histórico está nele, não sei o que é ser herdeira de uma tradição, mas construí um grande legado que o meu neto de seis anos irá receber, que já é conduzido por minha filha Andreza e todos que fazem minha banda atualmente”, explicou Aurinha.

“Eu componho minhas letras e improvisos de coco inspirada no meu dia-a-dia. A música ‘Seu Grito’, por exemplo, veio de uma amiga minha que foi assassinada e justamente na época que eu estava tentando compor uma música para participar de um concurso, alguém chegou para mim e disse assim ‘Seu grito silenciou’, relatando em seguida o triste episódio da morte dessa amiga. Foi aí que nasceu a composição”, relembrou a coquista, cantando um trecho da canção.

Foto: Jan Ribeiro/Secult-Fundarpe

Em seguida, Aurinha passou a animar os estudantes, interpretando canções que marcaram sua carreira, como ‘Zanzar’ e ‘Coco do Rala Coco’. “Graças a Deus acompanhei Selma do Coco por 30 anos e para mim foi uma glória. Infelizmente ela faleceu, mas deixou o legado dela aqui, no meu coração”, disse emocionada a coquista, homenageando a eterna rainha da nossa cultura popular com a interpretação de ‘Ô Moreninha do Dente de Ouro’, entre outros sucessos do ritmo pernambucano.

< voltar para home