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“Outras Palavras” levou música e literatura para escola em Panaratama

Convidado desta edição, o músico Gilú Amaral aproveitou para chamar o público da cidade para o show de lançamento do seu primeiro CD solo, que acontece no FIG 2018

Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

O percussionista olindense levou para o projeto uma mostra do espetáculo “Percursos”, cujo um dos desdobramentos é o disco “Peji”.

Por Camila Estephania

Mais do que uma oportunidade de aproximar estudantes da rede estadual à arte, o projeto Outras Palavras também tem provado ser um bom espaço para os artistas exporem os seus processos criativos e os bastidores por trás de seus trabalhos. Na tarde da última quarta-feira (4), o percussionista Gilú Amaral participou da edição em Panaratama, onde mostrou para alunos da Escola Narciso Correia, parte da gama de instrumentos explorados no espetáculo “Percursos”, cujo um dos desdobramentos foi o seu primeiro disco solo, intitulado “Peji”, lançado em junho deste ano. Na ocasião, o poeta Herick Helder também conversou com os alunos sobre suas inspirações e motivações para escrever.

Antes de mostrar como o berimbau também pode ser usado fora da Capoeira, o músico olindense adiantou aos estudantes: “a percussão é um mundo gigante”. Não é à toa que o músico explora a versatilidade de vários instrumentos em “Peji”, como o próprio berimbau, do qual extrai uma espécie de riff na faixa “Mãe do Amor” que se expande em “Suíte Berimbau”. “Assim como em ‘Percursos’, o disco não tem isso de explorar ritmos populares, a ideia é pegar instrumentos populares e mostrar como eles podem ser usados de várias formas. Claro que, alguma hora, eu jogo uma célula rítmica de um maracatu ou alguma coisa nossa mais particular, mas este não é o foco”, explica ele, sobre a proposta herdada pelo álbum solo.

Rodrigo Ramos

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Através dos seus trabalhos, Gilú prova diferentes formas de usar instrumentos da cultura popular.

Dentre os instrumentos menos conhecidos, o suíço hang drum fascinou os alunos presentes pelo seu caráter melódico mesmo sendo um equipamento percussivo, como pode ser ouvido na “Vinheta Hang”, de “Peji”. Outro tipo de percussão mais harmônica também explorada no trabalho solo, a kalimba também se destaca em “Aruá”, que conta com a participação de Pepe Cordas na execução do arranjo. Responsáveis por sonoridades mais comuns na música brasileira, o pandeiro, ilu e caxixi também foram “pessoalmente” apresentados aos alunos através de demonstrações instrumentais atípicas.

Rodrigo Ramos

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Instrumento percussivo de som melódico, o hang drum despertou curiosidade nos alunos.

“A gente sempre está procurando alternativas de melhorar ainda mais a gente. O ‘Peji’ tem um pouco disso, mas tem também coisas antigas, porque é uma pesquisa de cinco anos. Acho que esse disco realmente mostra minhas vertentes, porque sou bem eclético. Toco Coco de Umbigada (o artista esteve em turnê com Cláudio Rabeca e Coco de Umbigada em 2017), agora com Henrique Albino tem uma coisa mais de música do mundo, e com o Wassab tem um pouco de experimentalismo, além da Orquestra Contemporânea de Olinda e por aí vai”, lista ele, os diferentes projetos que, de alguma forma, contribuíram para a sua construção como percussionista.

Os três últimos instrumentos citados ainda podem ser facilmente identificados em faixas como “Dias Nublados” e “Holandas”, que contam, respectivamente, com as colaborações de Hugo Linns, na viola e baixo, e Juliano Holanda, na guitarra e baixo. As cordas elétricas, assim como o uso de samples e da bateria eletrônica, determinam a linguagem pop de “Peji”, mas não apagam a pegada da música de terreiro que predomina no trabalho. “Quem me conhece sabe que eu vivencio completamente a cultura afro-brasileira. Apesar do nome de origem Nagô, o disco tem a proposta de ser mais lúdico, mas acho que, quanto mais o branco reverenciar a cultura negra, em tempos que as pessoas estão invadindo terreiros, melhor”, avaliou ele, ao explicar que o título do álbum significa altar em iorubá.

Rodrigo Ramos

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Gilú Amaral fará o show de estreia de “Peji” no dia 21 de julho, no FIG.

ESTREIA NO FIG

Antes de se despedir dos estudantes, Gilú aproveitou para convidá-los para o show de estreia de “Peji”, que acontecerá no dia 21 de julho, no polo do Som na Rural, dentro da programação oficial do Festival de Inverno de Garanhuns. Apesar do disco ter contado com as vozes de Sandy Alê, Mavi Pugliese, Nilton Junior e Erica Natuza, apenas a última irá participar da apresentação.

A cantora irá interpretar as cinco canções do álbum, que conta com mais cinco faixas instrumentais. “Eu não queria que o disco fosse todo instrumental, queria que tivesse voz e convidei gente em quem confio. Eu também componho letra, mas achei massa a ideia de chamar outros compositores. Já a música de Expedito d’Oxossi, eu quis gravar porque a acho linda, então, fiz um arranjo com Lucas dos Prazeres”, comentou ele, sobre “Mãe do Amor”, que louva a orixá Oxum e conecta ainda mais o trabalho aos rituais de matriz africana.

Produzido pelo próprio Gilú, o disco traduz um pouco da postura maleável do percussionista diante da música. “Acho que minha veia artística é exatamente esta: ser olindense e trazer isso para a minha produção, mas minha música é cosmopolita. Sempre estudei música não para ser um virtuosi, mas para estar preparado para entrar em qualquer jogo e ‘Peji’ tem muito disso”, observou ele, que aconselhou os estudantes presentes para buscarem trabalhar em profissões que tivessem a ver com os seus desejos e suas essências.

Rodrigo Ramos

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O poeta Helder Herik cativou os estudantes da Escola Narciso Correia.

LITERATURA

Vencedor do 2º Prêmio Pernambuco de Literatura, o poeta garanhuense  e professor de literatura Helder Herik cativou a plateia de alunos mais cedo ao lembrar das vivências familiares, principalmente com a sua avó, que inspiraram a linguagem de livros como o “Rinoceronte Dromedário” e seu interesse pela literatura infantil.

Entre risadas e aplausos, o escritor também deu conselhos aos alunos que escrevem para lerem, amadurecerem a escrita e persistirem nos seus estilos de texto. “O que eu senti hoje foi, além da atenção, um imenso carinho. Nesse tipo de ocasião, eu tenho que me desvestir do papel de professor, mas acho que não consigo completamente. Acho que essa mistura e essa transição acaba enriquecendo ainda mais a arte, porque você cria múltiplos diálogos: o da sala de aula e o do artista”, pontuou ele, sobre a experiência.

Rodrigo Ramos

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Os alunos participaram com muitas perguntas sobre a produção do autor e pedidos de dicas de como escrever.

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