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Outras Palavras promoveu vivências culturais em Igarassu

Já são quase 300 escolas visitadas em todo o estado de Pernambuco

O projeto Outras Palavras, realizado pela Secult-PE e Fundarpe, segue sua caravana pelo estado estreitando relações entre educação e cultura e promovendo artistas de diversas linguagens artísticas. Na última quarta-feira (24), foi a vez de estudantes de Igarassu viverem ricas trocas culturais. A programação contou com as presenças do escritor Philipe Wollney, vencedor do 4° Prêmio Pernambuco de Literatura com o livro de poesias ‘Ruinosas Ruminâncias’, e do Grupo Musical Chorões da Aurora. Alunos das escolas Metronorte, Escola Santos Cosme e Damião e Escola Aderbal Jurema participaram da atividade.

A vice-presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade entregou kits literários aos responsáveis pelas escolas e ressaltou a importância do projeto. “É um prazer enorme estar aqui. Essa semana passaremos de 300 escolas visitadas em todo o estado, justamente em um momento que precisamos avançar na resistência para garantir que nossa juventude tenha uma formação, para que as escolas possam ir além de ensinar as matérias que fazem parte da grade formal”.

Vice-presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade entrega kit literário

Vice-presidente da Fundarpe, Antonieta Trindade entrega kit literário

As atividades começaram com a exibição do curta “A Hora da Saída” produzido por alunos da Escola Estadual Santa Paula Frassineti, durante o curso de iniciação ao audiovisual do projeto Cine Cabeça, com direção de Cynara Santos e Gabriela Freitas e roteiro de Lucas Cintra e Vitor Vinícius.

Poeta e produtor cultural, Philippe Wollney conversou com os estudantes sob a mediação do jornalista Marcos Enrique Lopes. O escritor é natural de Goiana, Zona da Mata Norte de Pernambuco. Aos 30 anos, coordena o selo editorial Porta Aberta e organiza saraus, intervenções poéticas, publicações e recitais. Sobre sua iniciação no mundo da poesia, destacou: “Tenho uma banda de rock, mas nos anos 90, com o acesso restrito à internet, sentia dificuldades para achar um tom ideal para minhas músicas, terminei caindo na literatura, justamente por essa desistência musical. Por já ter uma certa afinidade com a música, minha escrita acabou caindo melhor como poemas, minha passagem pela música foi meio que mal resolvida”, brincou.

Philipe Wollney em bate papo com Marcos Enrique

Philipe Wollney em bate-papo com os estudantes

O autor falou ainda do significado da poesia: “Muita gente acha isso chato, enfadonho. Eu descobri a poesia como uma contracultura, contravenção. A poesia pode ser feita de forma que você pode expressar a sua maneira de ser ou contestar algo que não concorde. É um ato de resistência, de provocação”.

Philippe falou ainda sobre os lançamentos dos seus livros, que no começo não contaram com apoio de nenhuma editora, foram impressos por conta própria, com baixa tiragem. “Eu buscava algo diferente, por morar na Zona da Mata, procurei algo que circulasse pelos meios que ando, a galera do skate, os amigos da esquina, e assim fui expandindo meu trabalho sem precisar de um custo maior”.

Sobre a obra vencedora do 4° Prêmio Pernambuco de Literatura, o poeta adiantou que “o livro começa como se fosse um prato quebrado, é como  fosse um fim de namoro, uma dor de cotovelo. São poemas que falam sobre afeto, mas a partir de certo momento começam poemas voltados para um lado político”. Ainda sobre ‘Ruinosas Ruminâncias’, “uma das características do livro é você não identificar o narrador, você não sabe se é um homem, uma mulher, de uma mulher pra um homem, de um homem pra uma mulher, de um homem pra um homem ou de uma mulher pra uma mulher. Os poemas demonstram vários aspectos de uma relação, várias situações que envolvem um relacionamento. Acredito muito na relação do afeto, os livros para mim têm essa relação. Acho que nós que encontramos as ordens dos livros, cada um tem a sua’, destacou.

Philipe Wollney recita poesia 'Ruir é o Melhor Remédio'

Philipe Wollney recita poesia ‘Ruir é o Melhor Remédio’

Completando a programação, o Grupo Musical Chorões da Aurora promoveu uma aula-concerto para os alunos presentes. O conjuto formado em 2015 é composto por educadores e educandos da Escola Técnica Estadual de Criatividade Musical, vinculada à Secretaria de Educação de Pernambuco.

O sexteto pernambucano, costuma tocar em seu repertório obras de grandes compositores nacionais como Jacob do Bandolim, Waldir de Azevedo, Ernesto Nazareth e Pixinguinha. O grupo faz uma pesquisa sobre o universo do choro a partir da inserção do Oboé e de demais instrumentos de sopros no gênero musical.

Grupo Musical Chorões da Aurora

Grupo Musical Chorões da Aurora

O projeto Outras Palavras é uma realização da Secretaria de Cultura de Pernambuco em parceria com a Fundarpe. Iniciado em 2015, tem percorrido vários municípios do estado do litoral ao sertão, atingindo 297 escolas, 6.096 estudantes e doando 3.914 livros

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