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Projeto Outras Palavras chega a escolas públicas de Araçoiaba e Paulista

Iniciativa contemplou estudantes e professores da rede pública de ensino, abordando a vida e a obra do dramaturgo inglês William Shakespeare

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Ronaldo Correa de Britto ministrando o ´Notícias sobre Shakespeare’, para estudantes da rede pública estadual de Araçoiaba.

Por: Roberto Moraes Filho

Fazendo parte das ações desenvolvidas pela Secretaria de Cultura de Pernambuco e Fundarpe, que integram educação e cultura com o objetivo de disseminar conteúdos dedicados a estudantes e professores do estado, o projeto Outras Palavras iniciou na última terça-feira (11), um novo ciclo de suas atividades na Escola de Referência Maria Gayão, em Araçoiaba. Na pauta do projeto, que pela 5ª vez é realizado, o escritor e dramaturgo Ronaldo Correa de Britto abordou, para cerca de 130 estudantes do ensino médio, a vida e a obra de William Shakespeare como ponto de partida para adentrar no universo da literatura.

Possibilitando um final de tarde repleto de curiosidades sobre o poeta inglês, além da adaptação do clássico ‘Romeu e Julieta’ para o teatro de mamulengos, o Notícias sobre Shakespeare incorporou pela segunda vez o projeto Outras Palavras, chamando a atenção para a construção de uma linguagem produzida de maneira coloquial, com a presença de gírias e expressões comumente utilizadas no cotidiano dos jovens, da mesma maneira que Shakespeare se tornou conhecido pelo processo de criação de suas obras.

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Teatro de mamulengos abordando o clássico ‘Romeu e Julieta’.

“Mesmo conhecido por escrever a história de amor mais conhecida da humanidade (Romeu e Julieta), Shakespeare teve uma vida muito dura e difícil na infância e adolescência, assim como muito de vocês, estudantes da rede pública de ensino. Mas nem por isso ele deixou de sonhar e no auge dos seus 50 anos acabou se tornando um dramaturgo notável, especialmente por conceber dramas históricos como Júlio César, Hamlet e Macbeth”, ressaltou Correa de Britto.

Uma das características de Shakespeare abordada no projeto foi a deformação da masculinidade para que o feminismo pudesse aparecer em suas obras e também na produção teatral da época. “Achei interessante todo o conteúdo abordado, especialmente por ficar bem próxima da realidade que temos hoje, mesmo se tratando de obras clássicas da literatura”, comentou a estudante do 1º ano do ensino médio, Izabel da Paixão. Já para o estudante Eduardo Luiz Rodrigues, a adaptação de ‘Romeu e Julieta’ para o teatro de mamulengos também ficou chamativa pela maneira lúdica como foi retratada. “Gostei da forma de expressão que os intérpretes dos mamulengos utilizaram, deixando a história engraçada e de uma maneira fácil de ser compreendida”, disse Eduardo.

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Nesta quinta-feira (13), a Escola Estadual do Paulista também recebe a continuidade da 5ª edição do projeto, tendo como público alvo estudantes e professores do estabelecimento de ensino. “Nesta edição, Ronaldo Correa de Britto trouxe para os estudantes a visão de que é necessário perseguir o sonho que se tem. Ele abriu essa possibilidade ao comentar sobre a vida e a obra de Shakespeare, para que a nossa juventude acredite que é viável escrever um livro, ser artista e assumir um protagonismo, porque esse mundo pertence a todos nós, em especial a nossa juventude”, explicou Antonieta Trindade, vice-presidente da Fundarpe e idealizadora do projeto. “Nós consideramos que o projeto Outras Palavras atua no sentido de integrar cultura e educação e nesse momento tem um papel fundamental de resistência, já que o governo ilegítimo procura reformular o ensino médio retirando artes do currículo escolar. Então, o que nós queremos é levar mais arte e mais cultura para as escolas”, concluiu Antonieta.

Para Esther Lister, escritora iniciante e estudante de 15 anos da Escola Estadual do Paulista, a realização do projeto possibilitou um encontro de sua experiência enquanto leitora e ingressante no universo da literatura. “Com a oportunidade de ouvir a palestra sobre Shakespeare, através do Ronaldo Correa de Britto, um dos pontos importantes foi sobre o que vale a pena ler. Eu leio muitos livros online e existem livros que são muito bons, com uma ortografia invejável, mas os autores não possuem tanto reconhecimento como deveriam. E existem outros livros que não são tão bons em comparação a outros, mas recebem notas altíssimas, estando em várias listas de leituras. A leitura é um hábito que todas as pessoas deveriam ter e é uma coisa que vai melhorar tanto o seu linguajar, quanto sua escrita e vai abrir a sua mente para outros horizontes e tudo mais. Quando você vai escrever algo, você não deve escrever pensando no que as pessoas vão achar, você tem que escrever algo pensando em você mesmo. Esse foi o projeto mais especial que eu tive e com a palestra que teve hoje eu talvez me sinta um pouco mais segura”, avaliou Esther.

“Quando você lê os contos de Shakespeare, as peças dele e tudo mais, você observa que ele era provavelmente um cara do século XIX, antigo, e por esse século ser cheio de limitações, de coisas que não te permitiam expor todo o teu pensamento, como a mulher no mercado de trabalho, ele deu a cara a tapa e fez, não estava ligando muito pro que as pessoas falaram. Acho que esse é o verdadeiro pensamento do escritor, ele tem que fazer e não pode ter barreiras o limitem, expressando o que realmente está sentindo em forma de papel”, concluiu a futura escritora.

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