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Um Outras Palavras organizado com a ajuda dos estudantes da casa

Nesta terça-feira (15), em Paulista, jovens colocaram a mão na massa e ajudaram a equipe do projeto a organizar esta edição, que contou com a presença do Chorões da Aurora e do escritor Rômulo César

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Nesta edição, alguns alunos e alunos ajudaram a escola e a equipe do Outras Palavras a montar o som, a iluminação e organizar o auditório 

Por Marcus Iglesias

Estudantes da ETE José de Alencar Gomes da Silva, em Paulista, tiveram na manhã desta terça-feira (15) um encontro com a música erudita e a literatura pernambucana com a participação do grupo Chorões da Aurora e do escritor Rômulo César. A atividade, mais uma edição do Outras Palavras, fez lotar o auditório da escola técnica, juntando mais de 300 jovens com a proposta de fomentar uma conversa sobre cultura e arte na escola.

Segundo Antonieta Trindade, gestora do projeto, “em nome da Secult-PE e a Fundarpe eu faço um agradecimento à gestão desta escola e à GRE RMR Norte por possibilitar a vinda do Outras Palavras a Paulista. Começamos em 2015, com o objetivo de integrar a cultura e a educação por Pernambuco, e pra nós ele simboliza a resistência para garantir uma escola de qualidade social para os filhos da classe trabalhadora”.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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“Conhecemos nas escolas públicas do estado muitos talentos que já tem algum trabalho artístico e vamos realizar ainda este ano um grande encontro com a participação de todos esses estudantes”, prometeu Antonieta Trindade

Ainda de acordo com Antonieta, a passagem da iniciativa por várias cidades do estado possibilitou que alunas e alunos da rede pública também pudessem expressar sua arte. “Conhecemos muitos talentos que já tem algum trabalho artístico e vamos realizar ainda este ano um grande encontro com a participação de todos esses estudantes”, detalhou. Em quase três anos, o Outras Palavras passou por mais de 510 escolas do estado, atingindo mais de 12 mil alunos e distribuindo nas instituições de ensino mais de 5.100 livros. Ainda neste mês de maio, estão previstas outras oito edições

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Cerca de 300 estudantes participaram do Outras Palavras na ETE José de Alencar Gomes da Silva

Um detalhe curioso desta edição em Paulista é que como a atividade estava marcada para começar às 9h da manhã, pouca gente viu o momento da montagem do palco e da organização do auditório da escola. De acordo com Severino Pereira, conhecido apenas como Biu, coordenador do curso de Logística na instituição de ensino, seu trabalho tem sido o de acompanhar e dar apoio aos professores, e fazer com que os estudantes possam participar de forma efetiva. “Seja ajudando na realização de ações como essa, na recepção dos convidados e dos colegas, na montagem técnica do espaço, entre outras demandas”.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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A aluna Anne Alice, também do 2º ano, ajudou na logística e recepção dos convidados e dos colegas que participaram desta edição

Este acompanhamento acaba que vira uma capacitação para os próprios alunos, que já começam a ter expertise em áreas específicas, como direção de palco e iluminação de ambientes, por exemplo. “Por ser uma escola técnica, a gente tem esse cuidado de fazer com que os jovens saiam daqui com uma noção básica sobre o que é organização, gestão da qualidade do serviço e atendimento ao público”, conta Biu, que geralmente conta com seis a oito alunos por rodada, que o auxiliam no apoio técnico, logística, atendimento e manutenção e montagem técnica.

O aluno Lucas Adimael, do 2º ano, era um dos que acompanhavam a montagem do palco, testando o som junto aos músicos e equipe do Outras Palavras. “Sempre que têm atividades como essa na escola eu busco participar da parte técnica no palco, ligando os instrumentos na mesa de som, cabeando, passando as músicas. Gosto muito dessa função”, disse o estudante, com entusiasmo.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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No repertório dos Chorões da Aurora, clássicos de Valdir Azevedo e Jacob do Bandolim, finalizando com a clássica Madeira que Cupím Não Rói, de Capiba

Já Anne Alice, também do 2º ano, ficou mais envolvida com a logística e recepção dos convidados e dos colegas. “Existe um grupo formado por cerca de 40 alunos na escola que estão mais disponíveis para ajudar durante os eventos, tanto na parte técnica como na de recursos humanos. Hoje, por exemplo, depois de montar o palco vamos receber nossos colegas e fazer com que todos preencham a ata de presença na entrada do auditório”, reforçou a aluna, que contou também com o apoio dos alunos Daniela Santiago, Robert Yan, Luísa Stephany e Isaías Cleiton.

A satisfação em ver tudo funcionando ficou estampada no rosto destes estudantes ao longo da edição, como na hora da apresentação dos Chorões da Aurora, cuja iluminação e som foram ajustados pelos próprios alunos. “Somos um grupo de choro, que é um gênero musical brasileiro com origem a partir da junção entre a cultura europeia e africana no século XIX, com a vinda da corte portuguesa e de escravos para o Brasil”, detalhou Erilson Oliveira, professor de clarinete e músico do instrumento na banda – acompanhado de violão, cavaquinho, bandolim e pandeiro. No repertório, clássicos de Valdir Azevedo e Jacob do Bandolim, finalizando com a clássica Madeira que Cupím Não Rói, de Capiba.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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“São momentos como esse que mostram a vocês, estudantes, que escritores e escritoras são pessoas comuns”, refletiu o escritor Rômulo César

Já a conversa literária com o escritor Rômulo César, autor do livro de contos Dois nós na gravata, um dos ganhadores do II Prêmio Pernambuco de Literatura, falou de onde surgem suas inspirações e como ele desenvolve seu processo criativo, além de comentar sua participação em concursos literários. “Todo mundo tem a possibilidade de ser escritor se quiser um dia. Claro que alguns terão mais facilidades que outros, mas escrever é um desafio e faz parte da vida”, refletiu. 

“São momentos como esse que mostram a vocês, estudantes, que escritores e escritoras são pessoas comuns, com problemas e anseios, assim como qualquer ser humano, e que se vocês quiserem um dia vocês também podem ter isso como atividade na vida”, comentou Rômulo, que respondeu a dezenas de perguntas sobre seu trabalho e finalizou a apresentação recitando um poema de sua autoria, chamado A sala de espera, sob aplausos da plateia.

 

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