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Literatura

4º Prêmio Pernambuco de Literatura lança obras vencedoras

Iniciativa da Secult e Fundarpe, em parceria com a Cepe Editora, já reconheceu 18 escritores e distribuiu mais de 4.000 livros para escolas públicas

Um romance metanarrativo, um livro de contos que flertam com o fantástico e a prosa poética, e ainda três poemários nada óbvios – que buscam caminhos experimentais para evidenciar conflitos ou sugerir rupturas nas relações entre indivíduos e a sociedade -, integram a mais recente coleção da Cepe Editora. São os livros vencedores do 4º Prêmio Pernambuco de Literatura, iniciativa do Governo do Estado (Secult-PE, Fundarpe e Companhia Editora de Pernambuco) que serão levados ao público no próximo dia 27 de abril.

Divulgação

O lançamento coletivo das cinco publicações será no Museu do Estado, com a presença dos escritores premiados: Álvaro Filho (Curso de Escrita e Romance – Nível 2 ); Camillo José (A Dakimakura Flutuante); Walther Moreira Santos (Todas as Coisas Sem Nome); Paulo Gervais (Paulatim); e Philippe Wollney (Ruinosas Ruminâncias).

Para o Secretário Estadual de Cultura, Marcelino Granja, “a coleção é um retrato do nosso tempo, do atual momento da produção literária em diversas regiões do Estado”. Ainda de acordo com o secretário, “é motivo de celebração o nascimento destes novos livros pernambucanos, ainda mais por refletirem esse exercício tão necessário às artes de um modo geral, que é o do questionamento dos cenários pré-estabelecidos, da busca por formas e discursos que apontem para uma sociedade cada vez mais diversa e rica culturalmente”.

O diretor-presidente da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), Ricardo Leitão,  destaca a importância do certame literário. “O lançamento dos livros dos vencedores do 4º Prêmio Pernambuco de Literatura confirma dois pontos essenciais: o compromisso do Governo do Estado com a identificação e promoção de novos talentos literários e a integração de esforços da Fundarpe e da Cepe, mais uma vez renovada, com o objetivo de fomentar a cultura em Pernambuco”, assegurou.

A continuidade do Prêmio está consolidada no Programa Estadual de Governo para a Cultura. As inscrições para a 5ª edição encerraram-se no dia 15 de fevereiro. Mais de 115 escritores pernambucanos ou residentes no estado estão concorrendo e o resultado deve ser anunciado no próximo mês de agosto.

CIRCULAÇÃO DOS LIVROS

A Cepe Editora garante a distribuição formal das obras por livrarias e feiras de todo o país. Já a Secult e a Fundarpe, que encabeçam a política pública para a Literatura no Estado, darão continuidade a projetos que favorecem a circulação das obras e o gosto pela leitura entre os mais jovens. É o caso do projeto Outras Palavras que, de 2015 até aqui, já destinou mais de 4 mil livros pernambucanos a 220 bibliotecas de escolas públicas.

Para a Presidente da Fundarpe, Márcia Souto, “além da entrega dos livros, o projeto leva os escritores premiados às escolas, possibilitando vivências e trocas de informações que estão contribuindo com a formação dos estudantes, despertando-os para a nossa literatura e estimulando talentos em todas as regiões do estado”. Além da premiação total no valor de R$ 40 mil e publicação de 1.000 exemplares de cada obra, os escritores premiados circulam pelos municípios integrando outras programações culturais organizadas pelo Estado, como rodas de diálogo e oficinas literárias do Festival de Inverno de Garanhuns.

AS OBRAS

Grande vencedor da quarta edição do Prêmio, Curso de Escrita e Romance – Nível 2, é o quinto livro do jornalista e professor Álvaro Filho. Nele, um aspirante a escritor escreve um livro em que narra sua participação em um curso de escrita criativa e passa a viver sua própria história. Com elementos fantásticos e muita autoironia, a obra brinca com os clichês dos romances policiais noir em um jogo metanarrativo com a própria estrutura do gênero.

Se os senhores jurados têm em mão esse livro é porque me tornei um escritor e, felizmente, estou vivo. Ou não, não sei muito bem, talvez seja o contrário. Não sou o que se pode chamar de um narrador confiável. Não por um desvio de caráter, que fique claro, mas justamente por que a aventura que me transformou, ou não, num escritor, me levou a desconfiar dos outros, da realidade e, principalmente, de mim.

 

A Dakimakura Flutuante é o novo livro de poemas do recifense Camillo José. Com uma dicção experimental que remete à estética vaporwave (movimento artístico contemporâneo caracterizado pela admiração à cultura retrô dos anos 90), a obra traz uma  imensa quantidade de referências intertextuais, que vão desde a literatura à cultura pop, incluindo música, séries de TV, cinema, games, animes e tecnologia.

aromatizado lubrifica garganta; ca-

nudo de milk-shake conduz espuma.
a proposta é simples e sem verdura.

você recalibra os patins, saca uma
marreta da bolsa, mordisca a polpa

da cereja, não respeita ninguém:

— i think it’s time to blow this scene
get everybody and the stuff together
ok, three, two, one let’s jam —

too kawaii to live, too sugoi to die:
que invenção juvenil é a juventude.

[misirlou twist’s solo intensifies]

 

Em Todas as Coisas Sem Nome, Walther Moreira Santos – que possui mais de 30 livros publicados – apresenta uma linguagem precisa e uma técnica apurada para contar histórias como a de um filho que trata dos espólios do pai pedófilo; a de um menino abusado pelo tio evangélico que consegue uma vingança inesperada, entre outros contos que flertam com a prosa poética e o universo fantástico.

Eu e minhas tantas palavras – quando Deus é silêncio. Eu e meus tantos escritos-vaidades. Vivendo em um mundo onde pão, poesia e Verbo são uma só coisa. Enquanto o Mundo-Realidade é feito de Concreto, Fábricas de Mentiras, Golpes de Estado, Rios Envenenados, Florestas Incendiadas, Estupros Coletivos, Crianças Explodindo com vinte quilos de PETN amarrados ao corpo.

 

O garanhuense Paulo Gervais traz em Paulatim, seu segundo livro de poemas, temas como a relação entre o homem, a terra e o sagrado ou o conflito entre a contemplação e a ação frente ao mundo. De dicção serena e firme, marcada pela forma fixa de dezoito versos que conferem unidade à obra, a poética de Paulo trata ainda a humanidade de maneira delicada atemporal.

Amigo paulo,
quão pouco representa
a ti mesmo o cálculo
da vida que encenas:

como abrir janelas
sobre o voo da ave;
reunidas as imagens

de sua passagem,
dizem dela
o voo quebrado;

não fazem as pernas
este salto,
nem a pessoa, o contágio

deste discurso;
Aos poucos, paulo,
talvez resulte, avulso,

não quem és, deveras,
mas a nossa quimera.

 

Em Ruinosas Ruminâncias, o goianense Philippe Wollney reafirma uma dicção bastante imagética, com poemas que rompem construções morfológicas e fonéticas, ressaltando a memória como elemento de prevalência ou ruptura das relações entre indivíduos e a sociedade.  Quinto livro do poeta e produtor cultural, este poemário pode ser lido como um grande poema de amor, um dos temas mais difíceis de tratar sem cair no lugar comum.

Phillipe Wollney

SERVIÇO

Lançamento dos livros vencedores do 4º Prêmio Pernambuco de Literatura
Data: Quinta-feira, 27 de abril de 2017
Local: Museu do Estado de Pernambuco – Av. Rui Barbosa, 960 – Graças/Recife
Horário: 19h
Entrada gratuita, venda de livros e mesa de autógrafos no local
Custo de cada livro: R$ 30,00 | Coleção completa no dia do lançamento: R$ 120,00

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