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Literatura

Ações literárias reuniram escritores premiados e discussões sobre a obra de Shakespeare

Por: Ana Beatriz Caldas

Lais Domingues

Lais Domingues

Carlos Gomes, Mario Filipe Cavalcanti, José Juva e Luiz Fernando Coutinho conversaram com o poeta Helder Herik

Mais uma vez, os ganhadores do Prêmio Pernambuco de Literatura tiveram espaço para lançar, divulgar e comentar sobre as obras premiadas, dessa vez, na terceira edição do concurso. Os vencedores da categoria de contos (Mário Filipe Cavalcanti, com “Caninos amarelados”, e Luiz Coutinho Dias Filho, com “Nós, os bichos”) e de poesia (Carlos Gomes, com “êxodo,” e José Juva, com “Watsu”) debateram sobre seus livros e o processo de criação literária com o também já premiado poeta Helder Herik.

Exemplo do escritor moderno, o jovem escritor Mário Filipe Cavalcanti trabalhava unicamente como advogado até surgir uma necessidade maior de organizar uma coletânea de seus contos, que agora também fazem parte de um ofício. Citando alguns de seus escritores favoritos, como Milan Kundera, Caio Fernando Abreu e Franz Kafka – mera coincidência? –, falou da escrita como “segunda vida”, explicitando a importância não só do exercício, mas de registrar a inspiração. “Eu ando com um caderninho para cima e para baixo, porque nunca se sabe quando vai surgir algo. Às vezes, é no meio de uma audiência”, brincou.

Luiz Coutinho, que é neurocirurgião, demorou um pouco mais para poder exercer o ofício de escritor. Apaixonado pela “primeira” profissão, esperou tornar-se doutor para poder começar a registrar seus poemas, e, posteriormente, contos. “Quando quis ser médico, me inspirei nos melhores neurocirurgiões e tentei extrair de cada um o melhor, pois nenhum deles é perfeito. Com a literatura é a mesma coisa, e, portanto, meus contos têm muito de tudo que já li”, reiterou.

Laís Domingues

Laís Domingues

Luiz Fernando Coutinho leu trecho de um dos contos que integra ‘Nós, os bichos’

O livro vencedor de Carlos Gomes, projeto engavetado de sua graduação em Letras, foi uma das grandes surpresas da edição. Autor de um poema épico, gênero pouco publicado atualmente, ele se disse satisfeito por poder, finalmente, levar sua obra a público. “Eu me via impossibilitado de lançar no formato que queria, impresso, e ele ficou guardado. Lancei na internet, em versão digital, mas não era a mesma coisa”, disse. Após alguns anos e uma inscrição, a vontade foi realizada, e o livro, dedicado aos seus professores de letras, hoje companheiros de profissão.

José Juva, no entanto, caiu na poesia por acaso. Jornalista por profissão e com carreira acadêmica em andamento, afirmou que a poesia é algo inerente ao seu ser e existir, sendo também fruto do que lê, especialmente autores brasileiros contemporâneos. “Acabo estabelecendo um diálogo com autores que, por vezes, são da minha geração, tem experiências semelhantes”, explicou. Não só, porém. Hoje, no encerramento da Praça da Palavra, fará parte de um pocket show poético que homenageia o escritor Roberto Piva, intitulado “Uma alucinação na ponta de teus olhos”, às 20h.

A Cidade das Flores vira palco shakespeariano

Como forma de relembrar os 400 anos da morte do escritor e dramaturgo inglês William Shakespeare, atividades do FIG discutiram sua obra na última sexta-feira (29). Na Escola Municipal Instituto Presbiteriano de Heliópolis, o também escritor e dramaturgo – além de fã apaixonado de Shakespeare – Ronaldo Correia de Brito conversou com os alunos, que acompanharam atentos a palestra e uma apresentação de marionetes.

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

O escritor Ronaldo Correia de Brito participou da ação especial do projeto Outras Palavras – Cultura & Educação

Jan Ribeiro

Jan Ribeiro

Os atores Fábio Caio e Marcondes Lima fizeram apresentação de títeres na escola

Simultaneamente, no bairro que nomeia a instituição de ensino, os atores João Pedro Fagerlande e Eliza Morenno abordavam os transeuntes, vestidos como bardos medievais, recitando trechos de peças e sonetos do autor.

Leo Caldas

Leo Caldas

A ação ‘Bardos de Shakespeare’ interagiu com transeuntes

“Foi uma das melhores coisas que fiz na vida. Tinha muita vontade de trabalhar Shakespeare em escolas públicas e agora acho esse projeto, ainda não executado, vai andar”, comentou Ronaldo. Contista, romancista e dramaturgo, o escritor passeia bem pelas diferentes linguagens literárias, tendo sido bastante premiado e reconhecido como um dos grandes nomes da literatura brasileira. À noite, seria a vez da Praça da Palavra receber Ronaldo, em um debate com o professor Edigar Carvalho, para um debate sobre Shakespeare, dessa vez com intervenção dos “bardos”. “Tive a sorte de começar a ler Shakespeare muito cedo e sempre tive muita paixão por ele. Saber que ele existe em algum lugar da minha estante me torna melhor, torna minha vida mais possível, tolerável”, pontuou, emocionado.

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