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Literatura

Antologia sobre democracia e dissonâncias reúne a nova cena literária pernambucana

'No entanto: dissonâncias', organizado pelo escritor e editor Fred Caju, revela textos de 23 autoras e autores que escreveram sobre a recente atmosfera pós-eleitoral

Reprodução/Capa do livro

‘No entanto: dissonâncias’ será lançado neste próximo sábado (12), no Sebo Casa Azul, em Olinda, a partir das 21h13. A entrada é gratuita

Por Marcus Iglesias

A eleição presidencial, realizada no Brasil em outubro do ano passado, serviu como inspiração – mesmo que dilacerante – para a produção da antologia No entanto: dissonâncias, da editora Castanha Mecânica. Organizado pelo escritor e editor Fred Caju, o livro reúne 23 autoras e autores pernambucanos que escreveram sobre a recente atmosfera pós-eleitoral e seus desdobramentos. A obra será lançada neste próximo sábado (12), no Sebo Casa Azul, em Olinda, a partir das 21h13. A entrada é gratuita.

Fred Caju revela que a ideia da antologia surgiu em pleno período eleitoral no ano passado. “Eu já ia fazer de todo jeito um livro sobre o tema, pequeno mesmo, porque a Castanha Mecânica tem essa pegada, e seria algo individual. De repente eu vi que alguns amigos também estavam escrevendo na mesma atmosfera, o Lucas Holanda e o Adilson Silva. Pensei primeiro em convidá-los pra gente fazer uma trilogia. Mas ai aconteceu uma noite no Sebo Casa Azul que foi justamente dentro desta temática da resistência”, explica o editor.

“Nesse dia eu vi que tinha muita gente nova e que também dialogava com essa temática, e resolvi fazer uma chamada. Disse que quem tivesse algum texto me mandasse pra gente ver o que acontecia. Isso foi ganhando corpo, e quando vi que estava interessante chamei outras pessoas que estão no meu raio e que sabia que estariam produzindo algo sobre o assunto”, detalha Fred.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Fred Caju é editor, artesão do livro e livreiro nômade da Castanha Mecânica, que atua no cenário literário desde 2011

Os autores e autoras convidados para a antologia são Adilson Silva Didil, Ane Montarroyos, Bell Puã, Caio Lima, Carlos Gomes, David Biriguy, Enoo Miranda, Ezter Liu, Flávia Gomes, Fred Caju, Guedes, João Gomes, Jonatas Onofre, Katarine Araújo, Lucas Holanda, Maria Samara, Odailta Alves, Pedro Tostes, Philippe Wollney, Renata Santana, Rodrigo Acioli, Samarone Lima e Thays Albuquerque.

Sobre o título, Fred Caju faz novamente uma conexão direta ao processo eleitoral realizado em outubro de 2018. “A gente perdeu o jogo democrático. E há um discurso aprovado que ameaça a vida de muitas pessoas, que historicamente são perseguidas, e a democracia é isso. Aceita essa circulação de poder. No entanto, existem pessoas que pensam diferentes e que não aceitam esse quadro. Há dissonâncias presentes”.

De acordo com o editor da Castanha Mecânica, o Sebo Casa Azul é um espaço de encontros e fazer essa chamada lá tinha o objetivo de centrar nas pessoas que ele queria que estivessem na antologia. “Não foi à toa que eu fiz isso. Alguns autores da Mata Norte e Agreste, que não estavam lá, convidei depois porque se estivessem com certeza teriam entrado também logo no início”.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Ezter Liu, a grande vencedora do V Prêmio Pernambuco de Literatura, também faz parte da antologia

A escritora Ezter Liu, vencedora do V Prêmio Pernambuco de Literatura, com o livro Das tripas coração, é uma das participantes da antologia. Ela conta que o seu texto surgiu a partir de umas publicações que fez na semana anterior ao segundo turno das eleições presidenciais. “Eram postagens diárias no Instagram, chamadas Manual para viver em outubro, e cada dia eu fiz um post. Juntos, eles formavam um poema grande, e eu resolvi ir publicando uma parte por dia”.

“Eu vou ao Sebo Casa Azul muito pontualmente, porque moro em Carpina, e me comunico com o Fred muito pela internet. Quando ele viu as postagens, veio falar comigo pra me convidar e eu aceitei na hora. A gente montou um grupo de Whatsapp pra ir organizando as coisas e convidar os outros participantes, e o resultado final ficou muito lindo”, comemora Ezter Liu.

Rodrigo Ramos/Secult-PE

Rodrigo Ramos/Secult-PE

De acordo com Fred Caju, pelo menos metade dos participantes estarão na Casa Azul no dia do lançamento do livro para conversar com o público sobre o processo criativo, o contexto político e leitura dos textos

Para ela, a atmosfera daquele episódio político foi fundamental pra que os textos surgissem. “A escrita é uma forma de resistência e a maioria das pessoas escreveu naquele momento de angustia, na iminência dessa tragédia anunciada. E foi uma forma que cada um teve pra expurgar o aperreio que estava sentido. Pelo menos foi assim comigo. Um jeito de responder ao que acontecia naquela época”, conclui a autora.

Segundo Fred Caju, o Pedro Tostes é outro exemplo de como o livro ganhou corpo após a chamada. “Ele tinha ido à Casa Azul na semana que eu fiz o convite. Já estava organizando o livro quando ele me mandou um texto que tinha tudo a ver, e acabou entrando no recorte”. Fred fez a edição em copidesque e o projeto gráfico, enquanto a revisão dos textos ficou a cargo de Carlos Gomes. A capa é assinada por Flávio Guimarães.

Ainda de acordo com o organizador da antologia, no mínimo metade dos participantes deve estar na Casa Azul no dia do lançamento do livro. “E vai ser um encontro com um bate-papo sobre o processo criativo, o contexto político e leitura dos textos”, pontua Fred, lembrando que há outro lançamento da Castanha Mecânica agendado para este mês. “No próximo dia 25 de janeiro faremos na Casa Azul o lançamento de À sombra do imbondeiro, da Suelany Ribeiro”.

Serviço:
Lançamento da antologia “No entanto: dissonâncias” (Fred Caju – organizador | Castanha Mecânica, 192 páginas)
Sábado (12/01) | 21h13
Sebo Casa Azul (Rua Treze de Maio, 121. Carmo, Olinda/PE)
Entrada gratuita | Preço do livro: R$ 50

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