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Literatura

Cinco escritores vencem o 4º Prêmio Pernambuco de Literatura

Realizado pelo Sistema Secult/Fundarpe em parceria com a Cepe Editora, a iniciativa garante impressão dos livros e distribui R$ 40 mil em prêmios

Arte/reprodução
Um romance que discute a própria estrutura do gênero literário; três livros de poemas com linguagem precisa e experimental; e ainda uma reunião de contos que flertam com o universo fantástico e a prosa poética são as cinco obras vencedoras do 4º Prêmio Pernambuco de Literatura.

Divulgação

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O recifense Álvaro Filho é o grande vencedor desta edição

O resultado do concurso, realizado pelo Governo de Pernambuco (Secult e Fundarpe), em parceria com a Cepe Editora, foi anunciado na terça-feira, 6 de setembro, no Espaço Pasárgada (Recife).

O grande vencedor desta edição é Curso de Escrita de Romance – Nível 2, romance de Álvaro Filho. Além de ter seu livro publicado por uma das editoras mais prestigiadas do país, o recifense receberá ainda uma premiação no valor de R$ 20 mil. As outras quatro obras (A Dakimakura Flutuante, de Camillo José; Todas as Coisas Sem Nome, de Walther Moreira Santos; Paulatim – Fuga em Si Menor, de Paulo Gervais; e Ruinosas Ruminâncias, de Philippe Wollney) também serão lançadas pela Cepe Editora e cada autor receberá a quantia de R$ 5 mil.

“É uma honra contribuir com este Prêmio, que incentiva e reconhece nossos escritores. Nesta edição, os quinze títulos finalistas são excelentes e estamos trabalhando para lançar as obras vencedoras em março de 2017″, adiantou Tarcísio Pereira, Presidente do Conselho Editoral da Cepe. Cada obra terá tiragem de mil exemplares.

Antonieta Trindade, vice-presidente da Fundarpe, participou do anúncio oficial e destacou as ações do projeto ‘Outras Palavras’, iniciativa da gestão estadual que já distribuiu mais de 2 mil exemplares dos livros vencedores de outras edições do Prêmio para escolas públicas de Pernambuco. “A literatura contribui com o alargamento das visões de mundo e isto é ainda mais necessário neste momento em que vivemos. O Outras Palavras tem levado adiante esta premiação, ampliando o acesso da nossa juventude aos livros, estimulando trocas culturais no ambiente escolar, inclusive promovendo encontros entre escritores premiados, professores e estudantes”, ressaltou Antonieta.

Na ocasião, o Secretário Estadual de Cultura, Marcelino Granja, agradeceu a confiança de todos os inscritos e garantiu a 5ª edição do Prêmio, que terá edital e anexos publicados nos próximos dias. “Estamos empenhados em manter ações estruturais e todo o conjunto de iniciativas concretas que estão dando solidez à política cultural em curso. Uma política sustentada em mecanismos transparentes, como a Comissão Deliberativa do Funcultura e os três conselhos paritários que hoje discutem, validam, constroem juntos a política pública de cultura em Pernambuco”, finalizou o secretário.

Assim como nas edições anteriores, os escritores premiados também assumem o compromisso de participar de algum momento de formação literária organizado pela Secult/Fundarpe, como debate ou roda de diálogo.

4º PRÊMIO EM NÚMEROS
A quarta edição do Prêmio que, com este resultado, já reconheceu o talento de 18 escritores nascidos ou residentes em Pernambuco, recebeu um total de 250 inscrições provenientes de todas as macrorregiões do estado. “Acreditamos que o número recorde de inscrições se deve ao fato de todo o processo ter sido feito online, ampliando o acesso ao edital, democratizando ainda mais esta importante ação da política cultural”, comemora Wellington de Melo, coordenador de Literatura da Secult-PE.

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Camillo José é de Igarassu e venceu com o poemário ‘A Dakimakura Flutuante’

JULGAMENTO
O processo de escolha das obras foi realizado em duas etapas. Coube à primeira Comissão (formada pela escritora Micheliny Verunschk, pelo escritor Nivaldo Tenório e pela professora Cristina Botelho) indicar 15 finalistas à segunda instância de análise, que definiu os cinco vencedores. A Comissão da segunda etapa foi composta por quatro integrantes do Conselho Editorial da Cepe e por Nivaldo Tenório.

Todos os inscritos podem entrar em contato com a Secult-PE para saber se suas obras figuram entre as finalistas desta edição. Caso haja interesse dos finalistas, os realizadores do Prêmio podem conceder menções honrosas.

OS VENCEDORES

CURSO DE ESCRITA DE ROMANCE – NÍVEL 2
Álvaro Filho (Romance – Recife/RMR)

Um aspirante a escritor escreve um livro em que narra sua participação em um curso de escrita criativa e passa a viver sua própria história. O livro, com elementos fantásticos e muita autoironia, brinca com os clichês dos romances policiais noir em um jogo metanarrativo com a própria estrutura do gênero, pondo em discussão o processo de criação e os limites entre o real e o ficcional.

A DAKIMAKURA FLUTUANTE
Camillo José (Poesia – Igarassu / RMR)

Livro de poemas de dicção experimental que remete à estética vaporwave, com uma quantidade densa de referências intertextuais, que vão desde a literatura à cultura pop, incluindo música, séries de TV, cinema, games, animes e tecnologia. O caminho iconoclasta e debochado, já trilhado pelos modernistas, é atualizado com uma poética que dialoga com as contradições e a fragmentação da realidade do século XXI.

TODAS AS COISAS SEM NOME
Walther Moreira Santos (Conto – Vitória de Santo Antão / Zona da Mata)

Um filho trata dos espólios do pai pedófilo; outro descobre motivos para manter a fábrica de balas de prata do pai; um menino abusado pelo tio evangélico consegue vingança inesperada; a morte de escritor muda a rotina de uma ilha. Esses são alguns dos enredos dos contos que compõem o livro, flertando com o fantástico e a prosa poética, com uma linguagem precisa e técnica apurada.

Reprodução

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Walther Moreira Santos, de Vitória de Santo Antão, também foi uma dos vencedores da 1ª edição (2013)

reprodução

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Paulo Gervais é de Garanhuns

PAULATIM – FUGA EM SI MENOR
Paulo Gervais (Poesia – Garanhuns / Agreste)

Livro de poemas em que temas como a relação entre o homem, a terra e o sagrado ou o conflito entre a contemplação e a ação frente ao mundo se destacam. Revela-se nos poemas uma dicção serena e firme, por meio da forma fixa de dezoito versos que conferem unidade à obra, provida de uma poética que trata delicadamente da humanidade de forma atemporal.

RUINOSAS RUMINÂNCIAS
Philippe Wollney (Poesia – Goiana / Zona da Mata)

A memória como prevalência ou ruptura da construção do indivíduo e da sociedade: eis o eixo deste poemário, que pode ser lido como um grande poema de amor, um dos temas mais difíceis de tratar sem cair no lugar comum. De dicção bastante imagética, os poemas trazem anáforas que funcionam como um cântico-leitmotiv e que, aliadas à desconstrução morfológica/fonética, urdem as ruínas de linguagem da obra.

Renata Pires

Renata Pires

O poeta Philippe Wollney em declamação no FIG 2014

MEMÓRIA

I Prêmio Pernambuco de Literatura (2013)
192 obras inscritas

Vencedores:
Olho morto amarelo (contos), de Bruno Liberal (grande vencedor)
Recife, no hay (poesia); de Delmo Montenegro
O livro de Corintha (romance), de Fernando Monteiro
O Metal de que somos Feitos (contos), de José Walter Moreira dos Santos
Discursos e Anatomias (poemas), de Joseilson Ferreira

II Prêmio Pernambuco de Literatura (2014)
155 obras inscritas

Vencedores:
Ascensão e queda (romance), de Wander Shirukaya (grande vencedor)
Associação Robert Walser para Sósias Anônimos (romance), de Tadeu Sarmento
Rinoceronte dromedário (poesia), de Helder Herik
Dois nós na gravata (contos), de Rômulo César Lapenda Rodrigues de Melo

III Prêmio Pernambuco de Literatura (2015)
164 obras inscritas

Vencedores:
êxodo, – de Carlos Gomes (Poesia, grande vencedor)
Nós, Os Bichos – de Luiz Coutinho Dias Filhos (Conto)
Manuscritos em Grafite – de Rejane Paschoal (Conto)
Watsu – de José Juva (Poesia)
Caninos Amarelados – de Mário Felipe Cavalcanti (Conto)

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