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Literatura

Clisertão proporciona debate rico com autoras e escritores premiados nacionalmente

Maria Valéria Rezende, Eric Nepomuceno e Raimundo Carrero conversaram sobre suas obras literárias, o processo criativo de cada um e puderam narrar frente a frente a diversos jovens o prazer pessoal da escrita

Marcus Iglesias/Secult-PE

Marcus Iglesias/Secult-PE

O escritor pernambucano Raimundo Carrero conversou de perto com estudantes do Colégio Aplicação, na UPE

Por Marcus Iglesias

Na manhã desta última quarta-feira (9) a IV edição do festival literário Clisertão, que acontece em Petrolina até esta sexta-feira (11), proporcionou três debates com importantes autoras e escritores brasileiros premiados e reconhecidos internacionalmente: Maria Valéria Rezende, Eric Nepomuceno e Raimundo Carrero conversaram sobre suas obras literárias, o processo criativo de cada um e puderam narrar frente a frente a diversos jovens o prazer pessoal da escrita.

Os encontros aconteceram simultaneamente em três locais diferentes. Na EREM Clementino Coelho, por exemplo, as alunas da escola puderam conhecer de perto Maria Valéria Rezende, vencedora do Grande Prêmio Jabuti de 2015. Socorro Lacerda, escritora e representante da Secretaria de Cultura de Pernambuco em Petrolina, contou como foi fazer a mediação deste momento.

Divulgaçao

Vencedora de vários Prêmios Jabutis, Maria Valéria Rezende conversou com alunas de uma escola público sobre a participação da mulher na literatura brasileira

“Ela foi uma freira que integrou a Juventude Estudantil Católica e abrigou militantes que lutavam contra a ditadura militar. Uma mulher de muita fibra. Na conversa, batizada de Encontro Mulherio das Letras, a gente falou sobre a participação da mulher na literatura brasileira, a luta pelo protagonismo. Ela contou, por exemplo, que quando ganhou o Prêmio Jabuti com o romance Quarenta dias, sua conquista foi dada pela imprensa, que não citou seu nome. Era descrita sempre como ‘estreante’, ou ‘freira’ nos títulos das matérias, algo que a lhe incomodou bastante”, detalhou a gestora.

Além do de 2015, Maria Valéria Rezende também ganhou o Prêmio Jabuti de 2009, na categoria literatura infantil, com No risco do caracol, e em 2013, na categoria juvenil, com Ouro dentro da cabeça.

Escritor, jornalista e tradutor de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez, Eric Nepomuceno teve dois momentos de bate-papo sobre seu trabalho durante a Clisertão 2018. Também na quarta-feira (9), ele esteve na UPE para conversar com estudantes de Pedagogia e Direito, passando por temas como cidadania, regulamentação dos meios de comunicação e a inspiração para escrever.

Marcus Iglesias/Secult-PE

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Eric Nepomuceno debateu com estudantes de Pedagogia e Direito sobre temas como cidadania, regulamentação dos meios de comunicação e a inspiração para escrever

Quanto a este último assunto, depois de perguntado por um aluno como era para ele o raciocínio da escrita, Eric deu a seguinte resposta: “Existe um escritor argentino chamado Juan Gelman que é de grande importância para a América Latina. Infelizmente o Brasil não absorve este tipo de literatura, vinda dos países vizinhos. Uma vez eu ouvi o Juan Gelman responder numa entrevista uma pergunta parecida com a sua e vou tomar a liberdade de copiá-la. Ele disse que um dia uma formiga viu uma centopeia e perguntou a ela como ela fazia para andar. Se levantava de par em par as patas, se era primeiro as da direita e depois as da esquerda, se era de 50 em 50. Como funcionava? Depois de questionada e quando parou pra pensar sobre, a centopeia nunca mais andou. O que quero dizer é que o processo criativo é algo pra mim espontâneo, natural. Não sei descrever a técnica exata, Cada autor e autora terá seu método”. 

Marcus Iglesias/Secult-PE

Já Raimundo Carrero sugeriu aos alunos do Colégio Aplicação que lessem clássicos esquecidos, como a obra ‘Assunção de Salviano’, de Antônio Calado

Já o encontro ‘Desvendando Raimundo Carrero. Roda de Conversa entre os alunos’, realizado na Escola de Aplicação da UPE Petrolina, colocou estudantes e o escritor Raimundo Carrero em diálogo sobre a obra e inspirações do autor. Uma das alunas que participou do encontro quis saber de Carrero qual obra dele ele julgava como a melhor? “A que eu tenho como mais importante e bem realizada é também meu romance menos conhecido, que se chama Viagem no ventre da baleia, que conta a história de uma guerrilha ficcionária no sertão. Ele é o menos lido porque é o menos divulgado, e infelizmente o mundo depende de divulgação. Sem isso as pessoas não conhecem. Temos que ver e rever isso todos os dias. Recentemente eu estava lendo, Assunção de Salviano, de Antônio Calado, que é um dos livros mais importantes do Brasil, mas também um dos menos lidos. E que por sinal o cenário é Petrolina e Juazeiro. Foi uma das primeiras coisas que li na adolescência e a história conta uma possível revolução brasileira a partir de dois estados pernambucanos, Pernambuco e Bahia, e do Rio São Francisco. Vale muito a pena conhecer este clássico”, sugeriu o escritor pernambucano, que segue em atividades pelo Brasil comemorando seus 70 anos de trajetória.

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