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Literatura

FIP 2014: A poesia vai permanecer

Por Tiago Montenegro

Não deixa de ser um alento para qualquer cidade, de qualquer país, a existência de um festival de poesia. Se para o poeta é uma oportunidade de derramar seus versos a um público certamente interessado, para o público, fica o aprendizado de que sempre é possível parar um pouco, ouvir o outro, compreender processos criativos daqueles que, por vocação, enchem de beleza o mundo.

No Recife, a abertura oficial do 3º Festival Internacional de Poesia aconteceu ontem, 22 de maio. A Torre Malakoff, atual território de Leminski e da exposição mais completa sobre sua vida e obra, acolheu como a uma filha a poesia universal. Acolheu Jacques Demarcq.

Otávio de Souza

Otávio de Souza

O francês Jacques Demarcq participa, pela primeira vez, do festival.

Símbolo de uma geração de poetas/testemunhas de importantes mudanças históricas do século XX, o francês, que já exerceu profissões de jornalista, ator, crítico de arte e professor de design, veio ao Recife dialogar sobre uma de suas facetas não menos impressionantes: a de tradutor. A conversa “Para traduzir o sagrado”, mediada por Artur de Ataíde, contou com a também necessária participação do poeta, editor e crítico literário Everardo Norões.

Otávio de Souza

Otávio de Souza

Conversa “Para traduzir o sagrado” foi mediada por Artur de Ataíde e contou também com a presença de Everardo Norões.

Na busca por uma resposta ao questionamento Por que traduzir poesia?, os dois dialogaram sobre a ampliação da vivência literária que uma boa tradução permite. Também sobre o que Jacques definiu como “Consciência Oral”, ao afirmar que “o poeta precisa saber até que ponto pode se perder no labirinto do fazer poético. Ter ciência do ritmo e do movimento, ter consciência da oralidade é importante, sem ela o poema não fica em pé”.

Outros assuntos também surgiram, como a pertinente dúvida entre “tradução ou transcriação” e a existência de autores que não possuem o “núcleo da universalidade”, como definiu Everardo ao falar de “poetas que podem fazer grandes poemas em suas línguas e essa força não se repetir nas traduções”.

Roda de Poesias
Pelo microfone da primeira roda poética do FIP 2014, passaram o paulista Leandro Durrazo e o carioca Douglas Guedes. Seus versos revelam diversas conexões entre os universos da poesia e do sagrado, tema desta edição do festival e fio condutor de toda a programação. Inclusive de uma conversa marcada para hoje, com participação de ambos, sobre “Popol Vugh e Jurupari: poesia ameríndia e o sagrado”, às 20h.

Otávio de Souza

Otávio de Souza

Primeira noite de recitais e diálogos na Torre Malakoff.

A roda de poesias foi também um momento para ouvir Sérgio Medeiros, do Mato Grosso do Sul, e Cláudio Willer, de São Paulo. Cláudio inaugurou sua participação saudando a realização do FIP: “O Brasil precisa de festivais como este, pois há grandes eventos literários focados apenas no mercado editorial e não na poesia, que é o que permanece”, comemorou o poeta. Hoje, às 16h30, ele e josé juva vão conversar com Bruno Piffardini sobre “Poesia, xamanismo e transe”.

Otávio de Souza

Otávio de Souza

Matilde Campilho recita poemas de seu primeiro livro no FIP.

De Portugal, Matilde Campilho subiu ao tablado do FIP para recitar alguns poemas que estão em “Jóquei”, primeiro livro da poeta. Ela e Leandro Durazzo vão participar ainda de uma conversa com Hugo Viana, amanhã (24), intitulada “Para reinaugurar o sagrado”, a partir das 20h30, também na Torre Malakoff. Fechando a roda, o sergipano Allan Jones experimentou – com sucesso – um pedal para modular, em alguns momentos, sua voz.

Música e microfone aberto para a poesia
Encerrando as atrações na Torre Malakoff, aconteceu o show “Uma alucinação na ponta de teus olhos”, que marcou a estreia do grupo P.I.Va – Poesia Incendiária Valvulada. Uma homenagem, uma transcriação musical, com direito a performances e projeção de imagens, da poesia xamânica de Roberto Piva. O grupo é formado pelo poeta josé juva e os músicos Muta, Leo Vila Nova, Tiago West, Rama Om e Glauco César II.

Otávio de Souza

Otávio de Souza

Projeto P.I.Va encerrou as atividades na Torre Malakoff.

A poesia seguiu “Até umas Horas” na Praça do Arsenal, mais precisamente no Espaço Cultural Teatro Mamulengo. Integrando a programação do FIP, Allan Sales, Clécio Rimas e quem mais topou recitar no microfone aberto realizaram uma edição especial do projeto Quintas de Música com Poesia.

A programação do FIP 2014 segue até domingo, 25/5.
Participe!

Mais fotos em www.flickr.com/fundarpe

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