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Literatura

FIP 2014: Onde a poesia habita e reverbera

Seja o som que da palavra emana. Seja a sua vibração e a sua comunicação com a alma. A poesia pode ser um portal de acesso a regiões mais profundas da nossa existência? Certamente, sim. E o xamanismo, prática mágica de comunhão entre o ser humano e o universo que o circunda, é onde essa possibilidade se torna mais viva e pujante. Onde o impalpável e o incorpóreo residem, lá habita a palavra. Na mesa “Poesia, xamanismo e transe”, que aconteceu nesta última sexta (23), na Torre Malakoff (Bairro do Recife), os poetas Cláudio Willer (SP) e josé juva (PE) conversaram sobre o assunto.

Otávio de Souza

Otávio de Souza

Bruno Piffardini (SP), Claudio Willer (SP) e José Juva (PE) debatem poesia, xamanismo e transe.

Cláudio Willer abordou as manifestações do xamanismo e a sua relação com a poesia como algo que já se fincou como tradição nas nossas formas de comunicação mais primitivas, mas que ultrapassam gerações, escolas, gêneros e até hoje reverberam. Para ele, tanto os poetas contemporâneos como os arcaicos já se debruçavam sobre a magia como maneira de expressão profunda da alma. Seja o mito de Orfeu, seja a Divina Comédia de Dante Alighieri ou poeta paulista Roberto Piva e outros criadores dos últimos tempos,  todos trazem em seus escritos manifestações exuberantes – ou até mais tímidas – do xamanismo. A introdução de diversos outros tipos de línguas na poesia é uma prova disso. “A poesia mais rebelde cria suas tradições e recupera tradições mais arcaicas, traz de volta aquilo que somos”, diz Willer, sobre a conexão que se estabelece entre o ser humano e o mundo através da palavra.

Já o poeta josé juva , cuja dissertação de mestrado se transformou em livro que aborda a poesia do Roberto Piva (“Deixe a visão chegar”), falou sobre a importância da palavra não só como elemento de significação, da semântica, mas como som, como ferramento de  vibração e energia, que é parte essencial para se conduzir ao transe xamânico. “O som da palavra na poesia é uma janela para esse mundo de fenômenos. É vivenciar o que mundo diz. Basta que você esteja atento e possibilitando essa outra freqüência do mundo que se manifesta”. Entre experiências com o peiote, com a ayauasca, ou outros facilitadores para as conexões com o mundo incorpóreo, segundo juva, a poesia, muitas vezes, “não é apenas o discurso do poeta sobre a natureza, mas a tentativa plena dessa comunhão, é por ela que se pode acessar regiões do consciente e do sub-consciente”.

O xamanismo, como diria Roberto Piva, é a “religião-poesia”. E o ato de escrever é, antes de tudo, uma conexão com outras dimensões que estão fora do nosso campo de visão mais comum, estreito. É onde a poesia habita e reverbera. Onde a comunhão é plena.

Poesia, alimento para a alma

Otávio de Souza

Otávio de Souza

A gente da Palavra na Comunidade do Pilar.

Você tem fome de quê?

De arroz, de feijão… de vida, de poesia. Que tal aproveitar uns minutinhos de sua vida para reabastecer sua alma com o alimento dos mais profundos? De repente, na porta de casa, alguém que vem ofertar palavras, poemas, para adocicar o dia. Dentro da programação do FIP 2014, o A Gente da Palavra levou a poesia até onde pouco se sabe dela ou se vivencia. Nesta última sexta, a comunidade do Pilar, incrustada no Bairro do Recife, mudou um pouco do seu cotidiano e abriu os corações e mentes para ouvir, degustar.

André Monteiro (PE), Joy Carlu (PE) e Lenice Gomes (PE) percorreram as casas ao longo da comunidade. Entre donas de casas ocupadas com seus afazeres, crianças que brincavam, bate-papos sobre o dia a dia, um pouco de poesia fez a diferença. Distribuindo um tanto de inspiração que a lida do cotidiano embaça em nossas vistas, os poetas declamaram e emocionaram. É a prova de que a poesia é, sim, “sustança”, e das boas.

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