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Literatura

Gestoras das linguagens destacam conquistas femininas nos segmentos culturais

No encerramento da campanha #MulheresdaCultura, coordenadoras e assessoras das linguagens da Secult-PE e da Fundarpe dão depoimentos sobre participação feminina na política cultural do Estado de Pernambuco

Adeildo Leite/Arte

*Colaboraram Bruno Souza e Marcus Iglesias

Em homenagem ao Mês da Mulher e à intensa participação feminina na construção de políticas culturais no Estado, a Secretaria de Cultura e a Fundarpe lançaram neste mês de março a campanha #MulheresdaCultura. A iniciativa, que visa dar visibilidade à atuação/produção cultural feminina em Pernambuco, selecionou, ao longo de quatro semanas, depoimentos de mulheres de diversos segmentos/instâncias que evidenciem o protagonismo e a contribuição feminina na cultura.

Para isso, foram ouvidas dez representantes da sociedade civil que integram os três conselhos estaduais criados pela Secretaria de Cultura e Fundarpe (Política Cultural, Preservação do Patrimônio Cultural e Consultivo do Audiovisual); dez gestoras da rede de equipamentos culturais gerenciados pelo Estado; e, para encerrar a campanha #MulheresdaCultura, vamos contar com a participação de nove assessoras e coordenadoras de linguagens da Secult-PE/Fundape para falarem da sua experiência à frente da formulação e implementação de políticas públicas para o segmento cultural no Estado. Confira os depoimentos:

Adeildo Leite/Arte

“É inegável o protagonismo da mulher na formação de uma sociedade mais justa, sensível e humanizada. Está na natureza do ser feminino, e ainda que essa transformação seja tímida, a mulher já ocupa seu espaço de fala e visibilidade. No âmbito da cultura e construção das políticas culturais, o caminho não é diferente, experiências bem sucedidas estão por toda parte. Projetos bem sucedidos, através do Funcultura, são cada vez mais capitaneados por fazedoras de cultura, produtoras que abrilhantam o papel da mulher nesse universo. Recentemente a primeira candidatura à Patrimônio Vivo da Gastronomia é mulher, uma guerreira, D. Menininha do Alfenim de Agrestina. Um belo exemplo é o projeto “XepaCult”, que nos presenteia com um virtuoso mapeamento de mulheres mestras cozinheiras, oriundas de comunidades quilombolas e indígenas. A Assessoria de Gastronomia tem primado pela colocação da mulher no âmbito da cultura, através da gastronomia, uma das nossas ações estruturantes é o “Panela de Barro, Cultura no Prato”, que destaca o papel das loiceiras na produção de panelas e outros artefatos de cozinha, dando luz a esse ofício através da figura feminina e seus afetos”, Ana Cláudia Frazão, assessora de Gastronomia da Secult-PE.

Adeildo Leite/Arte

“Estou na gestão pública da cultura há dez anos, e é notória a evolução e as conquistas da mulher nessa área ao longo desse tempo, seja no âmbito da discussão, como na efetiva participação nas ações da Secretaria e Fundarpe. Essa evolução está presente nas cotas para diretoras e roteiristas mulheres no Edital do Funcultura do Audiovisual, está nas ações formativas com o enfoque na mulher, na paridade na composição das comissões. Ainda há muito o que se conquistar, temos um grande desafio que é a implementação das ações afirmativas para o Edital do Funcultura da Música, mas é muito gratificante fazer parte e contribuir com esse momento de construção e mudança”, Andreza Portella, coordenadora de Música da Secult-PE.

Adeildo Leite/Arte

“A cultura é um espaço privilegiado da vivência humana. Nossos modos de expressar, de viver, de sentir, de criar e de reinventar compõem a cultura e, neste sentido, os debates sobre gênero são fundamentais. Pernambuco tem buscado, ao longo dos anos, desenvolver políticas públicas objetivando a igualdade de gênero. No campo do patrimônio imaterial, área que atuo há 15 anos, vejo que há avanços nos debates e na participação das mulheres, tanto dentro das manifestações culturais quanto na gestão pública, ainda que haja um longo caminho a se percorrer na efetiva participação das mulheres, pois é fundamental destacar que não é só tratar da presença da mulher (quantitativamente), mas a qualidade desta presença (qualitativamente). Assim, entre avanços e desafios, entre lutas e resistências acredito que o poder do diálogo e de ações efetivas contribui significativamente para o empoderamento feminino na cultura e na sociedade”, Jacira Franca, coordenadora de Patrimônio Imaterial da Fundarpe.

Adeildo Leite/Arte

“Em todos os campos profissionais, sociais e afetivos, ainda há invisibilidades, espaços sufocantes, desvios, buracos e escuridões em relação à participação da mulher na sociedade. Mas se nos deixarmos escutar, fluir e crescer o feminino que há em nós, ressaltará a vida, a força e as infinitas possibilidades poéticas concretas (ou não) de reexistir em qualquer lugar. Acho muito importante, enquanto mulher, estar à frente da Assessoria de Dança da Secult-PE, um espaço para construção de avanços políticos, e por isso de muita importância. Usar do que o hábito da nossa luta diária nos fez adquirir: ver de fato o outro; valorizar na sua totalidade; trazer para perto na sua inteireza, e avançar”, Maria Paula Costa Rêgo, assessora de Dança da Secult-PE.

Adeildo Leite/Arte

“Eu sou escritora, cordelista, contadora de histórias, artista e estou coordenadora de literatura. Então, para mim, é uma dupla responsabilidade, pois, como mulher, eu sei das desigualdades e de todo o árduo percusso que a gente enfrenta para nos equiparar aos homens, aos escritores, aos artistas. A literatura ainda é um meio muito masculino. A gente sabe que existe ainda uma lacuna muito grande nos festivais, nos editais e nas premiações literárias. Então, é muito importante pautarmos a questão do gênero quando pensamos na formulação e implementação das políticas públicas, porque a política pública existe justamente para igualar todas essas oportunidades e o acesso das mulheres e dos homens aos editais, aos prêmios, às oficinas e a todos os mecanismos de fomento. É de suma importância que a gente ocupe espaços como esse, que é um espaço de decisão que nos permite pensar e modificar a realidade ao nosso redor”, Mariane Bigio, coordenadora de Literatura da Secult-PE.

Adeildo Leite/Arte

“A oportunidade de trabalhar com a Preservação do Patrimônio Cultural deu o rumo da minha carreira profissional, para a qual me aperfeiçoei, tendo sido admitida pela Fundarpe no início das suas atividades, em 1974. Dessa forma, me incluo na geração de funcionários que iniciou, na competência do Estado, a missão da preservação da sua memória cultural, antes exercida apenas em nível federal. A lei de tombamento em Pernambuco apenas foi disciplinada em 1979, e regulamentada em 1980. Na Gerência Geral de Preservação do Patrimônio Cultural, junto aos colegas de mesma função e exercendo cargos de gerência e coordenação, estive envolvida em atividades de inventários, diagnósticos, fiscalizações, projetos de restauração e planos de preservação, que também me permitiram conhecer o rico legado histórico e cultural que possuímos. Considero que minha trajetória na participação da política da cultura pernambucana foi auxiliada por uma habilidade de relacionamento desenvolvida, uma constante persistência, e certo grau de resiliência, capacidade de superação de adversidades, que são características atribuídas à natureza feminina”, Neide Fernandes de Sousa, gestora de Patrimônio Histórico da Fundarpe.

Adeildo Leite/Arte

“Acredito que estamos vivendo um momento muito interessante em relação à participação das mulheres em todos os ambientes da cultura. Venho presenciando ao longo desses últimos quatro anos, por exemplo, na minha participação como parecerista dos produtos de TV do Funcultura Audiovisual e também como membro da Comissão Deliberativa do Funcultura, a ampliação do número de mulheres atuando como diretoras, roteiristas, produtoras. E isso é uma grande conquista, um excelente retorno desta nova política cultural. Penso cada vez mais num mundo feminino, criativo e tolerante. Como a cultura é dinâmica nós, mulheres com nossas múltiplas funções, estamos conseguindo, de forma bastante positiva, dar conta do recado”, Renata Echeverria Martins, assessora do Núcleo de Comunicação e Memória da Fundarpe.

Adeildo Leite/Arte

“Trabalho na área cultural há mais de 40 anos sem nunca pensar em mudar de atividade. Entrei na Fundarpe em 1976, quando ela ainda estava recém-criada e com muitos projetos em andamento. As inúmeras manifestações culturais do estado foram depois de um tempo sendo abraçadas pela Fundação, e hoje isso aparenta ser seu objetivo maior. Apaixonei-me pelo que faço e nunca senti qualquer discriminação pelo fato de ser mulher. No meio que trabalho, prevalece o respeito, a igualdade de direitos e a vontade de multiplicar-se para que todos desfrutem do nosso bem maior: a cultura do Estado de Pernambuco”, Rosa Bomfim, chefe da Unidade de Preservação da Fundarpe.

Adeildo Leite/Arte

“Com uma história de muitos anos na área cultural, considero que a experiência e atuação das mulheres têm sido cada vez mais reconhecidas no processo de elaboração, implementação e fortalecimento de políticas culturais democráticas, transparentes e participativas. É gratificante estar na gestão pública, ter vivenciado fases de aprendizados, emoções, instigações, transformações, e ser corresponsável por decisões relevantes que garantiram o desenvolvimento da política cultural de Pernambuco. Avançamos sim, mas temos caminhos a percorrer, ideias e projetos para compartilhar, espaços por conquistar”, Teresa Amaral, coordenadora de Cultura Popular da Secult-PE.

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