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Iron Mendes lança “Imagens que Falam a Arte Sacra na Cultura Brasileira” no Maspe

O lançamento da publicação será no próximo domingo (18), às 17h

Divulgação

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Iron Mendes usou o material de sua dissertação de mestrado no livro “Imagens que Falam a Arte Sacra na Cultura Brasileira”

Bruno Souza

Membro do Núcleo Educativo do Museu de Arte Sacra de Pernambuco (Maspe), o escritor Iron Mendes lança no próximo domingo (18), às 17h, seu novo livro Imagens que Falam a Arte Sacra na Cultura Brasileira, em Olinda. A obra, que é fruto da dissertação de mestrado do autor em Ciências da Religião (UNICAP), destaca a importância das esculturas sacras enquanto objetos que resguardam em seus símbolos elementos de relevância para a compreensão histórica da formação religiosa e cultural do Brasil. Confira abaixo a entrevista exclusiva que o autor concedeu ao Portal Cultura.PE sobre a publicação:

1- Como surgiu a ideia do livro? De que maneira as esculturas sacras ajudam a (re)contar a nossa história? Podemos dizer que elas representam um traço forte de nossa identidade nacional?
O livro é fruto da minha pesquisa de mestrado em Ciências da Religião, realizado na Universidade Católica de Pernambuco, e da minha experiência profissional atuando como pesquisador no Maspe. Na obra, analiso a importância das esculturas sacras, enquanto objetos que resguardam em seus símbolos elementos de relevância para a compreensão histórica da formação religiosa e cultural do Brasil. Cheias de significados, as imagens demonstram várias dimensões da nossa memória coletiva e, consequentemente, refletem parte relevante de nossa história e crenças, revelando aspectos simbólicos contidos em nossa sociedade.

2- Que períodos da nossa história a obra contempla? Você se detém às esculturas sacras católicas?
O contexto do livro remete à formação do catolicismo brasileiro, através da investigação histórica, tendo em vista que, para compreendermos as esculturas, temos entender que entender primeiro o processo histórico em que elas foram feitas. Dessa forma, o livro transita desde os primórdios da colonização até o período do Brasil Império. Após a reconstrução desse percurso, a obra busca analisar os elementos simbólicos que sintetizaram os extratos socioculturais e devocionais intuídos nas peças, tentando, assim, demonstrar a importância desse patrimônio histórico, que compõe parte da identidade cultural brasileira. A análise se detém nas esculturas sacras católicas, porém, no decorrer do percurso abordamos, vários aspectos do sincretismo religioso brasileiro.

3- Muitos especialistas dessa área costumam distinguir a arte sacra da arte religiosa. No que elas se diferenciam/se assemelham?
O livro apresenta as diferenças entre arte sacra e religiosa, enfatizando que o que as define como sacra ou não é a finalidade de sua utilização. Toda arte sacra é produzida com a finalidade do culto. Dessa forma são peças consideradas sagradas para as suas religiões e tem por finalidade fazer a mediação com o divino (Deus). Sendo mais específico, a arte sacra visa ser uma extensão do texto bíblico, dessa forma costuma seguir padrões específicos de confecções que unem símbolos que aludem a hagiografia dos santos [que as peças representam] até elementos próprios do texto sagrado e da liturgia. Já a arte religiosa vincula-se à devoção popular, elas muitas vezes agregam diversos elementos que refletem a subjetividade dos artistas e consequentemente distanciam-se da finalidade do culto. Logo, toda a arte sacra possui uma temática religiosa, mas nem toda arte religiosa é sacra.

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A Editora Prismas é a responsável pela edição do livro

4- Existe algum modelo, estilo ou referência que caracterize a arte sacra?
A produção de uma peça sacra depende de vários fatores. No caso da arte sacra católica, a principal referência é a história dos santos, ou da devoção em questão, associada aos textos sagrados e demais expressões da liturgia.

5- Para você, qual foi a melhor época da arte sacra brasileira? Por quê?
Particularmente, cada época da história de nosso país tem sua relevância nas suas produções sacras. Do Brasil colônia até a contemporaneidade não nos faltam exemplos e imagens sacras com autêntico valor artístico e cultural. O acervo do Museu de Arte Sacra de Pernambuco pode ser utilizado como exemplo para essa observação, nele se encontram obras produzidas em diversos períodos da nossa história (do século XVII até o XX) que detêm um valor imensurável para analisarmos a formação de nossa identidade.

6- Quais são os maiores nomes da arte sacra no Brasil?
Sobre os artistas, é interessante destacar que muitos nunca não serão lembrados (pelo menos não por seus nomes), pois era muito comum que vários não assinassem suas obras. No Brasil, existem exemplos de grandes escultores, dentre eles temos Manoel da Silva Amorim (Pernambuco), Aleijadinho (Minas Gerais) e mais recentemente Cláudio Pastro (São Paulo), que era tido como um dos maiores artistas da atualidade. Infelizmente, ele faleceu em 2016.

7- Quais são os maiores desafios que enfrentamos para a conservação/salvaguarda dessas obras?
São diversos os desafios, daria para escrever um livro só sobre isso. Primeiramente, nos defrontamos com uma época onde, infelizmente, a valorização do patrimônio cultural (tanto material como imaterial) ainda depende excessivamente da intervenção do Estado. Nossa população, embora tenha acesso a uma série de informações disponíveis sobre a cultura de nosso país, ainda assim não dá o devido valor ao que temos de mais original. Somos constantemente invadidos por diversas expressões culturais estrangeiras e que, não poucas vezes, se sobressaem as nossas próprias manifestações culturais, causando uma série de empecilhos para o devido reconhecimento de seu valor. No caso da arte sacra especificamente, nos deparamos com problemas que envolvem desde a depredação consciente de algum espaço (ou escultura) por um ato de intolerância religiosa, como em outros casos o descaso dos próprios responsáveis pela salvaguarda desse patrimônio (podendo ser tanto leigos ligados a irmandades, bem como sacerdotes responsáveis por algum espaço sagrado, etc.), além de uma série considerável de furtos e roubos, muitas vezes encomendados por algum colecionador ou para repasse no mercado negro.

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