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Literatura

Outras Palavrinhas leva literatura infantil para dentro do Museu do Trem

Crianças atendidas por projetos sociais do Recife, como o Pró-Criança, puderam conversar de perto com o escritor Luciano Pontes, autor de 8 livros infantis

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Crianças se divertiram bastante com as brincadeiras do escritor Luciano Pontes, que também é ilustrador e palhaço

Por Marcus Iglesias

Uma média de cinquenta crianças atendidas por projetos sociais como o Movimento Pró-Criança, Fundação Ana Lima e a Orquestra Cidadã – que atuam com jovens carentes de bairros como Coque, Santo Amaro e Joana Bezerra – estiveram na manhã desta última terça-feira (24), no Museu do Trem, para uma atividade que transcendia a visita ao espaço cultural. Além de conhecer o museu, um dos mais visitados de Pernambuco, a garotada também foi ao local pra conversar sobre literatura com o escritor e ilustrador de livros infantis Luciano Pontes.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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A Atividade, mais uma edição do Outras Palavrinhas, também fez parte da programação da Semana do Livro promovido pelo Governo de Pernambuco, através da Secult-PE e Fundarpe

A atividade, mais uma edição do Outras Palavrinhas, também fez parte da programação da Semana do Livro promovido pelo Governo de Pernambuco, através da Secult-PE e Fundarpe. “Alguém sabe por que a gente chama esses dias de a Semana do Livro?”, perguntou Mariane Bigio, coordenadora de Literatura da Secult-PE, aos pequeninos. “Porque no dia 18 de abril é o Dia do Livro Infantil, por causa de Monteiro Lobato”, gritou uma criança no meio do grupo, recebendo até aplausos pela resposta. “É verdade! Mas não é só isso. Ontem, na segunda-feira (23), foi o Dia Mundial do Livro, então durante toda a semana teremos uma série de atividades sobre a leitura”, explicou a coordenadora.

Antes da conversa com Luciano Pontes, os jovens tiveram uma visita guiada no Museu do Trem, com direito a explicações sobre cada setor, os tipos de trens que estão no local e outras curiosidades. Para Márcio Almeida, gestor do equipamento cultural, é muito importante quando acontecem atividades como essa no Museu que incluem outras linguagens artísticas, porque assim o espaço se torna vivo.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Ao longo de toda a atividade, as crianças interagiam com as perguntas e brincadeiras que eram feitas, tendo a literatura como norte

“Recebemos com frequência a visita de grupos, e isso é essencial para a formação de novos públicos. E o Museu do Trem, na minha opinião, tem uma característica interessante porque mexe com a memória celular da sociedade. Crianças que nunca andaram de trem se empolgaram bastante vendo os carros e trilhos. Tem gente que chega aqui e chora de emoção. Não é à toa que em quatro anos recebemos mais de 100 mil visitas”, opina Márcio Almeida.

Outra atividade realizada foi uma miniapresentação da Orquestra Criança Cidadã, projeto social que nasceu em 2006 no bairro do Coque e que hoje tem o objetivo de ensinar música popular e clássica a uma turma de 150 alunos. O jovem Luan, que toca violino há sete anos, já foi aluno das bases da Orquestra e explicou para as crianças sobre os instrumentos que ele e os outros três companheiros de grupo estavam carregando.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Uma das ONGs participantes desta edição do Outras Palavrinhas foi a Orquestra Criança Cidadã, projeto social que ensina música popular e clássica a uma turma de 150 alunos

“Ao meu lado está o Ruan, que também toca violino, só que eu toco de um jeito, numa entonação, e ele em outra. O terceiro é o Cícero, cujo instrumento é a viola, e como vocês podem ver a viola é um pouco maior que o violino, quanto maior o tamanho mais grave o som vai ficar. E esse é violoncelo, que é tocado pelo Henrique. Tem ainda um outro instrumento, que é o baixo, mas infelizmente não pode vir hoje”, detalhou o jovem Luan.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Para a apresentação, os jovens da Orquestra levaram dois violinos, uma viola e um violoncelo

Na sequência, Mariane Bigio perguntou às crianças: “Alguém aqui já conheceu de perto um escritor ou escritora de verdade? Hoje vocês vão ter uma oportunidade legal de conhecer um autor de livros infantis que se chama Luciano Pontes, que já escreveu quase dez livros, e ele não é só escritor, é também ilustrador, ator e palhaço”.

A afinidade de Luciano Pontes com a criançada é das grandes. Antes mesmo de começar a sua fala, ele já havia conquistado a atenção dos pequenos se escondendo atrás do banner do Outras Palavras, fazendo graça, esperando a hora do seu anúncio. Com ar de palhaçada, apareceu de supetão, arrancando risadas sinceras e já ganhando seu público.

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Antes mesmo de começar a sua fala, Luciano Pontes á havia conquistado a atenção dos pequenos se escondendo atrás do banner do Outras Palavras, fazendo graça, esperando a hora do seu anúncio

“Eu estava aqui no Museu do Trem vendo todos esses trens antigos e me lembrei de uma música que não sei se vocês conhecem, que diz mais ou menos assim: “O trem maluco / Quando sai de Pernambuco / Vai fazendo vuco, vuco / Até chegar no Ceará”. Impressionante como muitas crianças, a maioria bem novas, sabiam da letra e se divertiram com a canção.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Autor de vários livros infantis, Luciano Pontes falou sobre suas obras e o que cada uma delas quer levar aos leitores

“Mas eu vim aqui pra falar de livros, e quero saber de vocês se querem que eu comece pelo começo, pelo meio ou pelo fim? Às vezes a história começa pelo fim, e esse livro que eu fiz, o meu segundo publicado, se chama Uma História Sem Pé nem Cabeça. Depois eu fiz esse livro aqui que se chama Ouvindo as Conchas do Mar, e esse livro tem um personagem muito curioso que se chama Caíque, que tem um pai que é pescador”.

Segundo o autor, Caíque canta uma música que todo mundo conhece: “A minha alma chorou tanto / que de pranto esta vazia / Desde o dia em que fiquei / sem a tua companhia”. Mais uma vez, as crianças cantaram em coro com o escritor, uma prova de que as cantigas populares andam firmes e fortes na memória do povo.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Questionado por uma criança quanto tempo leva pra se fazer um livro, Luciano respondeu: “Depende de muitas coisas, às vezes a história já nasce pronta, feito macarrão miojo. Às vezes tem umas que demoram pra começar a sair, ai você tem que ler e pesquisar”

Algumas delas pediram pra fazer perguntas ou comentários. Uma, que preferiu não dizer o nome, mas visivelmente encantada com tudo aquilo, disse que quando crescer quer ser uma escritora. Já o menino Daniel quis saber quanto tempo leva pra se fazer um livro. “Depende de muitas coisas, às vezes a história já nasce um pouquinho pronta, feito macarrão miojo. Às vezes tem umas que demoram pra começar a sair, ai você tem que ler e pesquisar. Por exemplo, agora estou lendo sobre histórias de terror. E pra eu escrever, vou ter que ler muito antes”, respondeu Luciano.

Esta edição do Outras Palavrinhas também teve a presença de vários educadores, como Marcos Quintino, educador de letramento do Movimento Pró-Criança, que contou ao final que gostou muito do evento, e acredita que essa experiência vai ajudá-lo bastante no trabalho que desenvolve voltado ao incentivo da leitura, com teatro e contação de histórias. “Apresentações como essa só estimulam mais a imaginação dos alunos. Eu tenho lá na nossa biblioteca vários livros que o Luciano Pontes mostrou, e vou relembrar esse momento com as crianças, fazendo perguntas e provocando os jovens na sala de aula”.

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