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Museu do Estado

Roberta Guimarães abre a exposição “Agô”, no Museu do Estado de Pernambuco

Exposição mostra olhar sagrado dos terreiros e fica em cartaz no equipamento cultural de 23 de abril até 2 de junho

Roberta Guimarães

Roberta Guimarães

As imagens são o resultado de mais de três anos de pesquisa feita pela fotógrafa em 14 terreiros de Xangô de Pernambuco

A força da palavra “Agô”, que no idioma iorubá significa “com licença” e dá nome a mais recente exposição de Roberta Guimarães, traduz com fidelidade as imagens da fotógrafa pernambucana.  Inédito no Recife, o trabalho traz 40 fotografias, vídeos e informações sobre terreiros de xangô de Pernambuco, conduzindo o olhar para a diversidade, combate ao preconceito e reafirmação dos direitos humanos. A abertura será no dia 23 de abril, às 19h, e segue até 2 de junho, no Museu do Estado de Pernambuco (Sala Lula Cardoso Ayres, 1º andar), com acesso gratuito.

A exposição tem incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, através do Funcultura, e as imagens são o resultado de mais de três anos de pesquisa feita pela fotógrafa, em 14 terreiros de Xangô de Pernambuco. O trabalho já foi registrado no livro “O Sagrado, a pessoa e o orixá”, lançado em 2013, no Recife.  São apresentadas imagens que mostram as particularidades dos rituais, respeitando a tradição e a religiosidade.

Algumas sessões fotográficas exigiram mais de 12 horas de trabalho seguidas, acompanhando rituais extremamente minuciosos, como o Ebó das Águas, em que o adepto passa por uma preparação, vai se banhar num rio e depois retorna ao terreiro para finalização da cerimônia. A curadoria é do antropólogo Raul Lody, um dos mais reconhecidos especialistas em cultura afro do país.  Formado em Etnografia e Etnologia pela Universidade de Coimbra, é doutor pela Universidade de Paris e responsável por dezenas de estudos na área das religiões afro-brasileiras.

“Esta é uma experiência artística, estética e etnográfica sobre o xangô pernambucano, numa leitura fotográfica de Roberta Guimaraes”, diz Lody, ressaltando que o trabalho caminhou nos muitos momentos do sagrado de matriz africana, que se mostram nos rituais, cores, formas, texturas. “Um depoimento visual emocionado que chega com imersões profundas nas muitas interpretações sobre este patrimônio de fé”, explica.

Roberta Guimarães

Roberta Guimarães

A curadoria é do antropólogo Raul Lody

Para a fotógrafa Roberta Guimarães, seu trabalho – apresentado em João Pessoa há cinco anos – traz, de fato, importantes questões humanas, como respeito e solidariedade.  E, ainda, um alerta sobre os caminhos percorridos pelo país. “O xangô faz parte da nossa identidade, da nossa cultura, e nos ensina sobre amor, afeto e tolerância. Agô chama para essa reflexão”, completa. A mostra tem produção executiva da Imago e da Janela Gestão de Projeto.

Conexão – A exposição conecta as fotografias ao mundo digital dos vídeos. No meio do espaço com as fotos haverá uma projeção com imagens dos elementos da natureza que representam os orixás. Ao percorrer a mostra, vários vídeos vão se entrelaçando na narrativa, reforçando princípios como respeito, abordando questões como de gênero.

Com 18 minutos, em uma dobradinha da própria Roberta com o também fotógrafo Breno Laprovítera, e áudio de Pedro Andrade (Jacaré), uma projeção apresentará o dia-a-dia dos terreiros, dos rituais e entrevistas com filhos e pais de santos falando sobre suas relações com a religião.  Neste vídeo, o fio condutor é a profunda relação da religião com a natureza, que transcende dos atos religiosos para o cotidiano de seus seguidores.

Educação – Durante a mostra haverá um projeto de Arte Educação desenvolvido por Kemla Baptista, com a concepção colaborativa de Bruna Rafaella. Serão visitas guiadas direcionadas a pessoas com deficiência visual e auditiva. O trabalho é feito em parceria com o Instituto de Cegos e o SUVAG.

A exposição terá desdobramento positivo também para a Fundação Joaquim Nabuco, referência em pesquisa da cultura afro no Nordeste. Serão doadas para o acervo da Fundaj, 20 imagens disponíveis na mostra (em formato digital).

SERVIÇO:
Exposição Agô
Quando: abertura no dia 23 de abril, às 19h. A exposição segue em cartaz até 2 de junho
Onde: Museu do Estado de Pernambuco – Sala Lula Cardoso Ayres  (Av. Rui Barbosa, 960 – Graças, Recife)
Entrada gratuita

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