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MÚSICA

Alceu revive psicodelia musical no Santa Isabel

por Michelle de Assunção

 

Divulgação
Alceu e a banda que o acompanhou em recente apresentação no Rio de Janeiro

No palco, o menestrel Alceu Valença vai logo avisando: a roupa que está usando é a mesmíssima de 1976, quando estreou o show do álbum Vivo!, o terceiro de sua discografia (antes havia lançado Alceu Valença e Geraldo Azevedo, de 1972, e Molhado de Suor, de 1974). Espelho Cristalino veio em 1977 e consagra definitivamente o pernambucano como um cantor e compositor que, nascido no agreste pernambucano de São Bento do Una, apresentava uma música nunca ouvida antes. Bebendo do rock estrangeiro, do baião de Luiz Gonzaga, do coco de Jackson do Pandeiro, da poesia dos cantadores nordestinos, Alceu brindava o público brasileiro com um som/poética autêntico, livre, louco, surreal. Esses três primeiros discos solo – clássicos do seu cancioneiro – marcaram a fase que ficou conhecida como a psicodelia de Alceu Valença. E a atualidade das canções é tal qual a roupa que ele usou na estreia do show Vivo! Revivo!, semana passada, no Teatro Net Rio, que é o antigo Teatro Tereza Rachel, onde foi gravado o Vivo! original, durante a temporada do show “Vou Danado Pra Catende”, em 1976.

Tão atual que gerou o show Vivo! Revivo! – que reúne músicas desses três álbuns – e ao Recife nesta quinta e sexta, para ser mostrado num teatro igualmente histórico. O espetáculo será filmado, com a presença do público, e lançado em DVD no próximo ano, com roteiro de Alceu Valença e direção de Lula Queiroga. No show do Rio, Alceu contestou o título de psicodélico e divertiu a plateia. “Sempre fui conhecido como o doidinho de Delma”. Ou seja, a arte foi tão somente uma consequência desta personalidade desvairada que apresentou desde menino. Que seja. É mesmo este período que assinalou a personalidade valenciana e o credenciou para tudo que fez depois. Tanto é que, após a primeira parte do show (no teatro Net Rio) Alceu brindou o público com hits de sua carreira: La Belle de jour, Anunciação, etc.

No palco, ele está acompanhado por Paulo Rafael (guitarra), Nando Barreto (baixo), Cássio Cunha (bateria), Jean Dumas (percussão), César Michiles (flauta) e Leo Stegman (viola). No repertório, podem esperar por: Papagaio do Futuro, Sol e Chuva, O Casamento da Raposa com o Rouxinol, Descida da Ladeira, Pontos Cardeais, Cabelos Longos, Agalopado, Anjo de Fogo, Espelho Cristalino, Dia Branco.

Alceu já chegou a definir esse repertório como um rock que não é rock. De todo modo, é um repertório que acompanhou gerações desde os anos 70, e foi uma escola para diversos artistas que vieram depois. Os ingressos para o show no Recife, no dia 9, quando a bilheteria foi aberta para o público em geral, se esgotaram rapidamente. Se você que está lendo este texto foi um dos sortudos que recebeu convite para o dia 8, quando o show acontece apenas para convidados, não deixe de ir! De outra forma, será o jeito aguardar o DVD ou reviver na vitrola a trilogia psicodélica de Alceu Valença e curtir bons momentos ao lado da sua vitrola.

Em tempo: Alceu Valença chamou a atenção do Brasil ao liderar a trupe, formada por Zé Ramalho, Paulo Rafael, Zé da Flauta e Lula Côrtes, que explodiu as trincheiras da MPB com “Vou Danado pra Catende”  e abriu o caminho para a criação de Vivo!

O show foi registrado no disco que virou um marco da música brasileira moderna, num culto intemporal e independente das imposições do mercado.  Em enquete realizada no site do artista, internautas escolheram VIVO! como o trabalho de Alceu que eles mais gostariam de ver novamente em cena.

Ouça o disco Vivo! na íntegra:

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