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MÚSICA

Concerto gratuito no Santa Isabel celebra a música de Camargo Guarnieri

Compositor paulista nasceu há 110 anos, tornou-se pilar fundamental na história da música clássica e – depois de Villa-Lobos – é o autor brasileiro mais executado em todo o mundo

Dando continuidade à série de concertos “A maravilhosa música clássica brasileira”, o Governo de Pernambuco, por meio da Secult-PE e Fundarpe e a Universidade Federal de Pernambuco promovem na próxima terça-feira, 5 de setembro, o concerto coral-sinfônico “Camargo
Guarnieri – 110 anos”.

Jan Ribeiro/CulturaPE

Jan Ribeiro/CulturaPE

A Sinfonieta e o Coro de Solistas da Academia de Ópera e Repertório da UFPE vão executar obras do compositor

Com a parceria da Prefeitura do Recife, o concerto aberto ao público vai ocupar o palco do majestoso Teatro de Santa Isabel, a partir das 20h. Os ingressos começarão a ser distribuídos uma hora antes do evento.

Para Marcelino Granja, Secretário Estadual de Cultura, “é motivo de alegria garantirmos mais um momento de fruição da música clássica brasileira para também fortalecermos o sentimento de orgulho e pertencimento nacional, quando prevalecem ameaças à soberania e à democracia brasileiras e, ao mesmo tempo, apresentar ao público pernambucano o talento de instrumentistas e cantores da UFPE, que revigoram a cena musical do estado”.

Considerado o maior compositor contemporâneo das três Américas, Camargo Guarnieri é um pilar fundamental na história da música erudita brasileira e do movimento nacionalista modernista da primeira metade do século XX. Sua obra possui forte vínculo com a cultura nacional – principalmente com a música e a literatura.

Jan Ribeiro/CulturaPE

Jan Ribeiro/CulturaPE

O maestro Wendell Kettle vai reger mais este concerto, uma parceria com o Governo de Pernambuco

De forma rebuscada e extremamente elaborada, Camargo dialogou em suas composições com temas folclóricos, buscando traduzir a alma do povo brasileiro. “A expectativa para este concerto de celebração dos 110 anos de Guarnieri é a melhor possível. É um privilégio para a Sinfonieta UFPE e o Coro de Solistas da Academia de Ópera e Repertório da UFPE poder celebrar um gênio da nossa música com a apresentação de um repertório tão especial e pouco tocado no Brasil, de modo que convidamos a toda a sociedade pernambucana para celebrar conosco”, comenta o Maestro Wendell Kettle, diretor musical e regente do espetáculo.

A Presidente da Fundarpe, Márcia Souto, destaca outra riqueza do momento de celebração: “A chegada de um concerto gratuito ao Teatro de Santa Isabel é uma oportunidade imperdível de aplaudirmos nossos artistas e vivenciarmos nossa cultura em um espaço que é patrimônio de Pernambuco e que precisa ser cada vez mais conhecido e prestigiado por todos”.

SERVIÇO
Concerto Coral-Sinfônico Camargo Guarnieri – 110 anos
Com a Sinfonieta e Coro de Solistas da Academia de Ópera e Repertório da UFPE, sob a regência do Maestro Wendell Kettle 
Terça-feira, 5 de setembro | 20h
Local: Teatro de Santa Isabel
Endereço: Praça da República S/N | Santo Antônio | Recife
Entrada gratuita
Distribuição de ingressos a partir das 19h

Programa:

Abertura Festiva (São Paulo, 1971)

Concerto n.º 1 para Violino e Orquestra (São Paulo, 1940)
I. Heróico
II. Com grande calma
III. Muito alegre e ritmado
Solista: Yuri Tavares, violino

Missa Dilígite, para Coro e Orquestra (São Paulo, 1972)
I. Kyrie
II. Gloria
III. Sanctus
IV. Agnus Dei
Solistas: Nadja Sousa, soprano
Mônica Muniz, mezzo-soprano
Matheus Soares, tenor
Tiago Costa, barítono

Sinfonia n.º 5 para Coro e Orquestra (São Paulo, 1977)
I. Lento – Allegro impetuouso
II. Lento nostálgico
III. Allegro

SOBRE CAMARGO GUARNIERI

Reconhecido como um dos mais importantes representantes da música brasileira, Mozart Camargo Guarnieri nasceu em Tietê (SP), no dia 1º de fevereiro de 1907. Com uma obra musical extensa – cerca de 700 peças para as mais variadas formações vocais e instrumentais -, venceu diversos concursos de composição no Brasil e no exterior, tornando-se pilar fundamental na história da música clássica e – depois de Villa-Lobos – é o nosso autor mais executado em todo o mundo.

Reprodução

Reprodução

O compositor Camargo Guarnieri

Seu pai era um imigrante italiano e sua mãe vinha de uma tradicional família paulista. O pai, Miguel Guarnieri, era barbeiro e músico, e tocava flauta. A mãe, Gécia Camargo, tocava piano. O pequeno Guarnieri aprendeu música em casa.

Aos dez anos de idade passou a estudar piano com Virgínio Dias, a quem dedicou sua primeira composição, a valsa Sonho de Artista (1918). A obra foi desdenhada pelo professor, mas seu pai julgou que a obra era fruto de promissor talento, pagando sua publicação em 1920.

Em 1923, muda-se com a família para a capital paulista e começa a tocar em orquestras e cinemas da cidade. Seu forte vínculo com a cultura brasileira – a música e a literatura – fariam dele figura sempre associada ao movimento nacionalista modernista da primeira metade do século XX, visão reforçada pela sua estrita ligação com Mário de Andrade, que foi, segundo o próprio compositor, o responsável por sua orientação no plano cultural e estético. Além de maestro e compositor, Guarnieri manteve uma intensa e diversificada vida musical, ele desempenha tripla função em sua carreira profissional: de compositor, professor de composição e regente. Em 1935, assumiu a direção e regência do Coral Paulistano do Theatro Municiapal de São Paulo; o Coral tinha o enfoque de apresentar obras de compositores brasileiros que utilizassem textos em português – algo raro e inovador na época! Funda em 1959 a Academia Brasileira de Música e dirige, a partir de 1975, a Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (USP).

O nacionalismo de Camargo Guarnieri não consiste em citar melodias folclóricas nem empregar elementos folclóricos não modificados. Em toda a sua obra existem poucos exemplos de utilização direta desses temas, entre eles estão as Variações sobre um Tema Nordestino (1953), para piano e orquestra, e a melodia que faz parte do quinto movimento da Suíte Vila Rica para Orquestra (1958). Ele acredita que a música brasileira nacionalista pressupõe a inspiração no material folclórico, mas ele elabora e modifica esse material para as suas composições. Em sua música aparecem com frequência os ritmos fortes dos cocos e emboladas, as suaves síncopes das toadas e modinhas. Todos esses aspectos são encontrados principalmente nos Cinquenta Ponteios para Piano e também nas composições sinfônicas.

Em sua obra se destacam a ópera Pedro Malazarte (1932), os Concertos para Violino e Orquestra (1942), a Suíte Vila Rica (1958) e a Sinfonia Nº 5 (1977). Morre aos 85 anos, em São Paulo, logo depois de receber o Prêmio Gabriela Mistral, pela OEA (Washington), com o título de Maior Compositor Contemporâneo das Três Américas.

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