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MÚSICA

Das mãos no barro ao som de Mestre Nado

Divulgação

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Mestre Nado cria instrumentos a partir da cerâmica

 

por Leonardo Vila Nova

Ele mistura a terra, a água, o fogo ao sopro de inspiração que Deus lhe deu. Dessa alquimia se traduz o som criado por Mestre Nado. Homem de múltiplos talentos – ceramista, poeta e músico – o olindense é um habilidoso artista que tem na argila sua matéria-prima. Dela, cria instrumentos e dá vida à música. Música que se materializa em Mestre Nado e o Som do Barro, nome do disco que lança, nesta quarta (29), às 16h30, no Museu do Homem do Nordeste (Casa Forte), no Recife. O CD tem incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura, e traz seis faixas, frutos da vivência de Nado com o manuseio desses elementos que se transformam em arte.

Aos 69 anos, Mestre Nado (cujo nome de batismo é Aguinaldo da Silva) começou produzindo quartinhas de barro, mas, despretensiosamente, viu que daquelas produções era possível chegar a um outro resultado: a ocarina. O instrumento de sopro tornou-se sua principal marca, o que lhe tornou conhecido no universo da cultura popular e da música. “Fui trabalhar com Francisco Brennand, com Thiago Amorim, mas ainda não tinha a minha marca. Até que lembrei das bolinhas ocas de barro que eu já fazia quando pequeno. Fui fazendo os furos, coloquei o ‘dó-ré-mi’, e fui, com o tempo, aperfeiçoando a prática. Ainda continuo me aperfeiçoando até hoje“, conta. Já chegou a ter criações suas utilizadas nas bandas de artistas como Milton Nascimento, Ney Matogroso, Antonio Nóbrega, Lula Queiroga e Alceu Valença. Mas outros instrumentos vieram. Os de sopro e de percussão: moringas, flautas “Nado”, maracas, raco-raco e o bum d’água.

Ele já perdeu as contas de quantos instrumentos já fez. “Só de encomenda, para a França, foram umas 1.200 ocarinas, de uma vez só. O resto, não consigo contabilizar, não. Sai muita coisa!“. O resultado dessas criações fez de Mestre Nado uma referência na arte do instrumentos de cerâmica, ofício que repassou para os filhos Sara, Micael e Júnior. É esta arte que está presente no CD Mestre Nado e o Som do Barro. “Eu digo que isso é uma pequena grande conquista. Veja como não é bonito você ouvir todos aqueles instrumentos que você criou, com as suas músicas, suas letras, tudo junto, no disco“. Na apresentação desta tarde, a família completa fará o barro ressoar. Serão distribuídas, gratuitamente, 200 cópias do disco ao público, que poderá conhecer um pouco dos instrumentos criados pelo Mestre.

SERVIÇO
Lançamento do CD Mestre Nado e o Som do Barro
Quarta (29), à 16h30
Museu do Homem do Nordeste | Av. 17 de Agosto, 2187, Casa Forte, Recife/PE

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