Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

MÚSICA

Juvenil Silva tira a dor de cotovelo para dançar

Cantor pernambucano faz show de lançamento do seu terceiro disco neste sábado, às 20h, no Espaço Lambe Lambe

Raíssa Vila Nova

Raíssa Vila Nova

Juvenil Silva quebra os seus próprios padrões em seu terceiro disco

Por Camila Estephania

A pista de dança já foi o cenário da redenção para a fossa de artistas de perfis variados, de Madonna a Tim Maia, que ensinam até hoje ao público que, mais do que quem canta, quem balança seus males espanta. O que ninguém imaginava é que o irreverente Juvenil Silva um dia também precisaria recorrer a esse ambiente para expurgar a sua dor, como ficou provado no seu terceiro disco, intitulado “Suspenso”, que tem show de lançamento neste sábado, às 20h, na inauguração do Espaço Lambe Lambe. Ao som de brega, música latina, funk-soul e tropicalismos, o músico reitera que a sofrência não precisa ter ritmo definido para ser coesa.

A ideia que havia para esse disco é que ele fosse mais swingado mesmo. Eu sabia que as letras eram fortes, mas eu queria que a parte rítmica fosse suave. É para chorar dançando”, brinca Juvenil ao revelar que não planejou nenhuma linha estética específica para o novo trabalho. Apontado entre os nomes de Pernambuco que investem na psicodelia, o cantor é conhecido por fazer referência a artistas do Udigrudi, mas, neste trabalho, esse segmento do rock ressurge mais jovem. Ainda assim, o compositor diz não ter tido a pretensão de se encaixar nas tendências do momento.

O que há de psicodelia ali é coisa de produção, mas não considero um disco psicodélico. Como músico, estou experimentando, talvez eu seja inocente, mas faço arte pela arte ainda, não estou seguindo nenhum mercado, porque quero que me enxerguem no disco”, explica ele, sobre faixas como “Zanza” e “Degolado”. Porém, vale destacar que nenhuma das músicas aposta unicamente em um só gênero. Canções como “Se Meu Legal Te Faz Mal”, que tem traços das baladas sessentistas, “Cabeça Coração”, que explora o brega romântico, e “As Coisas Não se Ajeitam Sozinhas”, que segue pelo viés do funk dos anos 1970, se misturam à influência perene da Vanguarda Paulistana, que se aproxima do seu estado mais puro em composições como “Vacas Magras”

Débora Bittencourt

Débora Bittencourt

Título do disco faz referência a uma carta do tarô

O sentimento de ruptura com os padrões, claramente expresso nas letras de “Gaiola”, quando canta “tudo que tá preso quer fugir por aí, mesmo que depois tenha vontade de voltar”, vai além da liberdade estética e também está nas letras de aspectos emocionais. “Comecei a morar só, vieram os problemas de recurso, daí veio a necessidade de se reinventar. Uma questão mais de autonomia e de repensar e justificar a dor”, simplifica ele sobre a sua “filosofia de mesa de bar” que teve inspiração no término de um relacionamento de 10 anos. “Este novo trabalho é diferente do outros dois porque é muito pessoal, de transformação de ponto de vista e o título tem a ver com isso”, explicou o artista, em entrevista ao portal CulturaPE em dezembro de 2017.

O título “Suspenso” faz referência a carta do tarô d’O Enforcado, que representa a sabedoria diante da adversidade e a transformação a partir de um novo ponto de vista. “Sabe aquelas forminhas de fazer coelhinhos de chocolates na páscoa? Existe essa forminha na vida, mas nem sempre somos coelhinhos… isso me dá a maior agonia. É como se quisessem empurrar a gente por um caminho comprido quando, por vezes, somos largos. Não cabemos no padrão de tudo que, desde de criancinhas, no afunilam para ser e seguir”, observa ele, ao falar das inquietações que o provocaram a questionar os padrões de relacionamento contemporâneos.

Entre os convidados estão as cantoras Nívea Maria (dos Verdes e Valterianos), Kamila Souza e Joana Knobbe e o guitarrista Rodrigo Patrão, da Dunas do Barato, Homero Basílio, o tecladista Chiquinho Moreira, da Mombojó, Diego Drão e Amaro Freitas. Esse último, conhecido pelo seu trabalho como pianista, com destaque para seu trabalho no jazz, participa da faixa mais experimental do álbum, a instrumental “Solitude Espontânea”. “Eu queria criar uma fusão entre o hard rock meio Black Sabbath dialogando com a malemolência da música latina. Ele super curtiu a ideia e gravar essa faixa foi uma espécie de troca entre a coisa dele da virtuose e o rock psicodélico que já é mais o meu departamento”, comentou ele, que produziu o álbum ao lado de Arthur Dossa.

O disco foi gravado na Casa do Kaos, estúdio de Adriano Leão, que hoje em dia funciona em João Pessoa. É onde tem os ‘brinquedinhos’ que fazem toda a diferencia. Caixas valvulados, reverbs, gravadores de fita de rolo e outros equipamentos da pesada. Depois gravamos alguns detalhes em home studios daqui e de São Paulo (Casa Pompéia) e por fim foi finalizado na Casa do Kaos, já em Jampa. Quem mixou foi Arthur Dossa e Bruno Freire, dois profissionais extremante competentes e que somaram legal pra sonoridade final do disco ficar assim tão massa. De minha, parte, com o tempo venho melhorando meu ouvido em relação a todo esse lance de captação, edição e produção. Todos nós somamos dando nosso melhor e resultando nesse beleza”, resumiu Juvenil, sobre o amadurecimento técnico do trabalho.

SERVIÇO
Lançamento do disco “Suspenso”, de Juvenil Silva
Quando: Neste sábado, às 20h
Onde: Espaço Lambe Lambe (Rua Conceição, 162 – Boa Vista)
Entrada: R$ 15

Reprodução

Reprodução

“Suspenso” já está disponível para audição nas plataformas de streaming

< voltar para home