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MÚSICA

Pachka aborda conexões entre música e tecnologia em série de shows e residências

Com incentivo do Funcultura, o duo Pachka apresenta show em parceria com o multi instrumentista Henrique Albino e a cantora Surama Ramos. A apresentação é resultado de residencias do projeto "Novos caminhos da performance em música no Estado de Pernambuco" e acontecerá nesta quinta (7), às 19h30, no Portomídia.

Jorge Farias

Jorge Farias

Duo foi uma das atrações do Festival de Inverno de Garanhuns 2018

Duo de produtores musicais e pesquisadores de Recife, o Pachka inicia seu ano com uma pesquisa para estabelecer pontes criativas entre a música popular e as novas tecnologias. Com incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura, o projeto “Novos caminhos da performance em música no Estado de Pernambuco” fará duas residências com dois artistas do estado — o cantor e compositor Carlos Filho (da bandavoou e Estesia) e o duo formado pelo multi instrumentista e arranjador Henrique Albino e a cantora Surama Ramos. Nestas imersões serão desenvolvidas diversas técnicas de manipulação de diferentes dispositivos eletrônicos, combinando a musicalidade tradicional  de Pernambuco com elementos da cultura digital contemporânea.

Ao final do processo de residência cada artista fará uma apresentação musical em parceria com o Pachka para exibir ao público os resultados do trabalho. O primeiro show, com Henrique Albino e Surama Ramos, será nesta quinta-feira (7), às 19h30 na Galeria de Artes Digitais do Portomídia, no prédio Apolo 235. A performance lida com a memória do som através de gravações antigas de frevo, xote e ciranda, que serão transformadas digitalmente.

Depois de trabalhar no Estesia (espetáculo em que alia som e iluminação cênica executada de dentro no palco) e com o Batebit (duo recifense que constrói instrumentos digitais), o Pachka intensificou seus estudos sobre as potencialidades das novas tecnologias aplicadas à música. “A gente entendia o uso da tecnologia como uma forma de alcançar coisas que até aquele momento não eram categorizadas, possibilidades de performance ao vivo que não sabíamos que eram possíveis. O interesse da gente era desbravar as possibilidade desconhecidas de combinar sonoridades e gestos, tudo na frente do público e com equipamentos que conseguíamos ter acesso. Em certo momento percebemos que muita gente ao nosso redor tinha esta mesma curiosidade, uma mistura de vontade de testar outros lugares e possibilidades no palco com um fetiche pela tecnologia, marca do nosso tempo”, explica Miguel Mendes.

O projeto de pesquisa “Novos caminhos da performance” surge precisamente para investigar a conexão dos artistas de Pernambuco com a tecnologia. “Queríamos entender o que as pessoas entendem que a tecnologia pode fazer por elas. Além disso, o porque desse fetiche pela tecnologia que todos nós temos. De alguma maneira, podemos entender uma diversidade enorme de coisas como tecnologia. Um tambor é um recurso tecnológico para a música ao vivo assim como um sampler. Nossa curiosidade agora é como dialogar estas experiências no ambiente da música popular”, diz Tomás Brandão.

Além dos shows no Portomídia, o projeto também terá vídeos de entrevistas com os artistas convidados, formando um conteúdo informativo sobre o processo de criação e as formas de utilização dos dispositivos utilizados na performance. A tecnologia utilizada também será de baixo custo, de modo que fique mais acessível aos artistas de todo estado. Tudo estará disponível em um site do projeto.

Felipe Schuler

Felipe Schuler

A dupla é formada por Miguel Mendes e Tomás Brandão

SOBRE O PACHKA

Formado em 2014 por Miguel Mendes e Tomás Brandão, o Pachka produz música em diversas áreas, incluindo shows, espetáculos de teatro e dança, obras audiovisuais e exposições. O duo colaborou, entre outros, com o grupo de teatro Magiluth, o bailarino Dielson Pessoa e o diretor de teatro Moacir Chaves na peça carioca “2500 por hora”. Em 2018, o Pachka participou da Abertura do Carnaval do Recife a convite do Quinteto Violado desenvolvendo uma narrativa e uma performance musical para representar o que seria um “frevo do futuro”.

O Pachka vem trabalhando nas interseções entre cultura digital e música popular antes mesmo dos trabalhos formais patrocinados pelo Funcultura. Antes do edital, em 2018, o duo iniciou uma pesquisa com o violeiro, cantador, mestre de maracatu e repentista Adiel Luna que resultou no lançamento do projeto “Maxabomba”, um encontro entre a cultura de tradição e tecnologia.

“Esta experiência nos fez perceber que existem necessidades e curiosidade nos artistas da cidade que superavam as nossas expectativas”, contextualiza Miguel Mendes. “Adiel chegou com diversas demandas. Ele já possuía instrumentos eletrônicos e processadores de efeito que ainda não tinha integrado ao seus shows. A partir disso, nós desenvolvemos o trabalho, também procurando um diálogo em que não existisse nenhum tipo de imposição de questões. O resultado foi que Adiel chegou num set eletrônico de instrumentos, parecido com o que o Pachka já vem desenvolvendo nos últimos anos”.

Ainda em 2018, outra pesquisa surgiu por uma necessidade espontânea. O grupo Bongar convidou o Estesia para desenvolver um concerto para Yansã num dia de cerimônia religiosa para a comunidade do terreiro Xambá. Foi montada uma apresentação em conjunto em que elementos da pesquisa do Estesia, incluindo o trabalho do Pachka, dialogavam com a experiência religiosa dos toques para a Orixá. “O resultado também seguiu um padrão interessante. Muitas das necessidades que definidas no processo eram trazidas pelos próprios integrantes do Bongar uma vez que eles já tinha o interesse em começar uma pesquisa com samplers rítmicos e inclusive já possuíam um sampler com pads para ser tocado com baquetas ou com as mãos”, conta Miguel.

SERVIÇO
Pachka — novos caminhos da performance em música no Estado de Pernambuco apresenta: Henrique Albino e Surama Ramos
Quando: Nesta quinta (7), às 19h30
Onde: Galeria de artes digitais do Portomídia (Rua do Apolo, 235, Bairro do Recife)
Entrada Gratuita

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