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A descoberta do Silêncio Interrompido no FPNC Mata Norte

Enoo Miranda, do Silêncio Interrompido, e J.A Silva (Foto: Costa Neto)

Enoo Miranda, do Silêncio Interrompido, e J.A Silva (Foto: Costa Neto)

Além do coletivo de jovens, outros escritores da Zona da Mata falaram sobre como se descobriram no ofício de escrever

Por Maria Peixoto

Está muito enganado quem acha que só vai encontrar cordelista ou escritores do gênero na Zona da Mata. Não querendo desmerecer a rica e belíssima tradicional expressão literária, mas foi uma ótima surpresa conhecer na última quinta-feira (4/4), no Seminário de Escritores e Leitores na UPE, em Nazaré da Mata, o Movimento Cultural Silêncio Interrompido. O grupo formado por jovens faz intervenções em música, poesia e artes visuais em toda a região. Com foco na literatura, desenvolve produções de baixo custo: cartazes de poesia, colagens, livretos poéticos. Publicaram no ano passado o livro “Silêncio Interrompido: Goiana revisitada”, uma cartografia dos artistas da região. As produções estão disponíveis para download no blog deles (silencio-interrompido.blogspot.com.br). Tanto o blog como o livro incentivados pelo Funcultura.  De várias cidades da Zona da Mata, os jovens também desenvolvem produções locais em seus municípios, caso de Geisiara Lima, colaboradora do jornalzinho Poesia Itinerante, em Timbaúba.

Não menos entusiasmante foi escutar o cordelista Edvaldo Lima contar como escreveu pela primeira vez um cordel, inspirado pela visita que fez a um engenho. Ou como ele busca difundir a arte, ele próprio indo nas escolas, levando seus folhetos de cordel. Contou de um encontro que teve com uma criança certa vez, perguntou se ela queria ler um folheto e ela disse que não tinha um real pra pagar. Ele disse não ter problema, e lhe ofereceu um folheto. Ela leu, disse ter gostado, ele perguntou se ela queria ler outro, ela respondeu que sim. Só que quando ela terminou de ler, não quis devolver esse. Mas por quê? Perguntou ele. Ela disse que aquele falava sobre a história do lugar onde ela vivia, esse ela num largava, não. Qual não foi a felicidade do poeta ao ver que tinha sensibilizado uma criança ao prazer de ler.

“A importância de trazer escritores pro curso de letras da Universidade de Pernambuco”, disse Wellington Melo, coordenador de literatura da Fundarpe e Secult, “é mostrar que a figura do escritor não está tão distante assim da gente quanto a gente imagina”. Foi bem nesse espírito que cada um dos autores foi se apresentando. Caso de Mery Lemos, de Carpina, que disse: “Sabe aquelas pessoas que escrevem e escondem? Sou eu”. Assim, os estudantes puderam se aproximar da fragilidade que há entre escrever algo e achar aquilo digno de publicação; entre ser alguém que escreve e ser um escritor. Porém, se houve algo também presente em todos os depoimentos foi a paixão pela poesia, e assim disse Mery de sua convivência com o poeta recifense França: “Com França, eu me apaixonei pela palavra falada”.

A União Brasileira de Escritores (UBE) também participou do encontro, ressaltando a importância de “fazer movimentar a roda da cultura na Mata Norte”, de incentivar os escritores locais.

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