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A escuridão virou mar em Pesqueira

Cabeça e corpo se separam em busca de novos encontros (Foto: Ricardo Moura)

Cabeça e corpo se separam em busca de novos encontros (Foto: Ricardo Moura)

O espetáculo “Ser, o não ser” trouxe ontem (15/8) a técnica do teatro negro para a cidade

Por Chico Ludermir

Um corpo que se fragmenta. Mãos para um lado, cabeça para o outro. A busca por novos encontros. A ressignificação: um livro vira cachorro, que vira pássaro, atiçando a imaginação fantasiosa das crianças (e dos adultos) no espetáculo infanto-juvenil “Ser, o não ser”, da Trupe Capibaribe Negro, do Recife/PE.

Como em todas as apresentações de teatro negro, o contraste é imperativo. Só o iluminado pelas luzes negras se revela. E, assim, os corpos podem dançar em cena, onde o cenário é a completa escuridão. E os elementos flutuam, voam em busca de uma existência completa.

Sem diálogo, a peça dura 40 minutos. O som, só o das músicas instrumentais que se repetem em loopings. Algumas vezes, os suspiros e sussurros de meninos impressionados.

“Foi a pimeira vez que eu vim ao teatro”, confessou Guilherme, de 14 anos. Junto dele, Neide, Mayara e Vivian, todos com 13 anos, também experenciaram o teatro pela primeira vez. “Achamos a peça engraçada e divertida. Em alguns momentos, misteriosa”, afirmaram quase que em coro.

A interpretação genuína das crianças apreende bem os elementos lúdicos do espetáculo. E, não por acaso, os meninos elegeram o boneco de neve, uma figura clownesca, como o preferido.

Mas Ser, o não ser é também adulto e conceitual. O texto de abertura, espécie de prólogo, é de Jean-Jaques Rousseau focando no conceito do homem racional, iluminista, que busca a completude. Primeiro no outro, mas acaba se encontrando em si.

Ao final, Juliana Nardin, Kedma e Keline Macedo e Ailton Brisa agradeceram, todos de preto, desvendando um pouco do ilusionismo que permeia a peça. Dirigido por Pedro Cardoso, o grupo é o único do gênero teatro negro em Pernambuco e existe desde 2009.

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