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Aboiadores se encontraram em Serrita

II Encontro de Aboiadores em Serrita (Foto: Clara Gouvêa)

II Encontro de Aboiadores em Serrita (Foto: Clara Gouvêa)

Por Raquel Holanda

A chuva caía em Serrita na noite dessa sexta-feira (25/5), fazendo apreciadores da tradição do aboio e curiosos se encolhessem debaixo das árvores e dos abrigos ao redor da Praça Principal da cidade para esperar o início do II Encontro de Aboiadores pelo FPNC. Enquanto isso, próximo ao palco montado na praça, um grupo vestido com chapéus de couro e guardas-peito aguardava sua hora de declamar a vida no campo e as aventuras de ser vaqueiro.

Conhecido como a capital do vaqueiro, o município de Serrita, situada a cerca de 540 quilômetros do Recife, deu voz aos aboiadores do Sertão Central e sediou, na noite dessa sexta, a segunda edição do Encontro de Aboiadores. Nove representantes dessa tradição popular nordestina participaram do evento.

O vaqueiro Cassiano Due (esquerda) foi um dos aboiadores a se apresentar hoje (Foto: Clara Gouvêa)

O vaqueiro Cassiano Due (esquerda) foi um dos aboiadores a se apresentar hoje (Foto: Clara Gouvêa)

“Além de sermos considerada a capital do vaqueiro, nada melhor do que fazer um evento em homenagem aos quase 150 aboiadores que temos somente em Serrita”, comenta Thiago Cansio, secretário de Cultura do município. A proximidade dos aboiadores com os vaqueiros é algo bastante comum na região. Cassiano Due é um dos que seguem as duas tradições e revela que isso torna sua história de vida algo poético. “Minha história é um romance. Mexo com o gado desde os 12 anos e mesmo meu pai me incentivando para estudar e ter uma vida diferente da dele, eu preferi a vida de vaqueiro. Em breve, completo 57 anos e feliz por ter como herança a gosto por ser vaqueiro”, descreve o aboiador que foi a primeiro a subir no palco montado na praça principal de Serrita.

Mas se engana quem pensa que só os vaqueiros são aboiadores. Cícero Mendes nasceu em Cedro, também na região do Sertão Central, e hoje é professor de filosofia da UFC. Nas horas vagas, ele é aboiador. “Meu pai foi vaqueiro e eu, como comecei a estudar cedo, nunca tinha dado atenção a isso. Mas, aos 15 anos, percebi que era capaz de fazer o aboio, e então comecei a praticar”, revela Cícero Mendes, que há 11 anos se apresenta com Chico Justino e forma uma das mais reconhecidas duplas de aboiadores da região.

Cícero Mendes e Chico Justino (Foto: Clara Gouvêa)

Cícero Mendes e Chico Justino (Foto: Clara Gouvêa) 

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