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Cineclube é foco de encontro no FPNC

Rodrigo Almeida contou sua experiência no Cineclube Dissenso (Foto: Costa Neto)

Rodrigo Almeida contou sua experiência no Cineclube Dissenso (Foto: Costa Neto)

Por Maria Peixoto

Hoje (7/4), o dia inteiro foi dedicado ao cineclube aqui no Cine Teatro Polytheama, em Goiana. De manhã, os debatedores falaram sobre a atividade cineclubista dentro do contexto da era da informação. Gê Carvalho, presidente da Federação Pernambucana de Cineclubes (Fepec), ressaltou o papel do ambiente do cineclubismo para que se adquira qualidade de vida a respeito das informações, numa luta constante contra as “infotoxinas”. Ele criou o termo pra falar sobre as informações, que assim como os agrotóxicos usados na plantação, chegam a nós e nos envenenam, sem que tenhamos consciência disso. Gê Carvalho defende que, bem mais do que uma sensibilização estética, o cinema deve ser usado como estratégia de desenvolvimento da reflexão crítica.

O realizador Marcelo Pedroso ressaltou o paradoxo que a era da informação oferece ao cineclubista. Se por um lado há hoje uma enorme facilidade em conseguir os filmes pela internet, por outro a mesma disponibilidade dos títulos pode fazer os espectadores perderem a disposição de ir para as exibições. Ele lamenta que, dessa maneira, a experiência coletiva, principal qualidade do cineclube, venha cada vez mais sendo minada. Pedroso fala dos cineclubes enquanto espaço de resistência à hegemonia da programação domainstream cinematográfico: “Os cineclubes estão oxigenando o cinema alternativo”, disse ele. Rodrigo Almeida, do Cineclube Disenso, destacou também a função dos cineclubes como aglutinadores: “Quantas pessoas se conhecem num cineclube e a partir daí passam a realizar projetos?”.

A segunda mesa do debate contou com a participação de dois cineclubistas da região: Caio Dornelas, do Cineclube Iapôi, daqui de Goiana, e Mery Lemos, do Cineclube Claraboia, de Carpina. Eles falaram do contexto totalmente diferente, da Zona da Mata, para exibir filmes a quem não tem acesso às salas de cinema.

O Cineclube Iapôi surgiu a partir de uma oficina da Federação Pernambucana de Cineclubes, em 2009. Hoje, além das exibições, o grupo atua com o Núcleo Engenho Digital da Mata Norte, que busca formar profissionais do audiovisual, e realiza a Mostra Canavial de Cinema, com filmes de temáticas relacionadas à identidade do povo da Mata Norte. Foi quando essa mostra chegou a Carpina que surgiu a ideia para montar o Cineclube Claraboia, que é itinerante e realiza atividades em escolas, associações e comunidades.

Também estiveram presentes no encontro representantes dos Cineclubes Cinemata, de Aliança; Olhos da Vila, de Timbaúba; Cine Mais Cultura, de Vicência, e Cineclube Alto do Moura, de Caruaru. Agora à tarde, participam do encontro as coordenadorias de audiovisual da Secult-PE e do Minc, e a Federação Pernambucana de Cineclubes. No fim do evento, os cineclubistas se reunirão e redigirão uma carta com suas demandas ao governo.

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