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Festival pernambuco nação cultural

“Cultura é a riqueza do mundo”

Tamanco do trupé do Raízes de Arcoverde (Foto: Roberta Guimarães)

Tamanco do trupé do Raízes de Arcoverde (Foto: Roberta Guimarães)

Entrevista com o Samba de Coco Raízes de Arcoverde*

Por Raquel Holanda

Um dos mais tradicionais grupos de cultura popular do Sertão do Moxotó, o Samba de Coco Raízes de Arcoverde conta aqui sobre a experiência de manter viva uma tradição cultural que dá a Arcorverde o título de ‘terra do coco’, sobre a emoção de receber pela primeira vez uma edição do Festival Pernambuco Nação Cultural e ainda a relação com essa manifestação popular que encanta pernambucanos e o mundo. O Samba de Coco Raízes de Arcoverde se apresentou no FPNC do Sertão do Moxotó ontem (13/4), no palco principal da cidade. E antecipou para o público quatro músicas do seu novo trabalho que será lançado em breve. A famosa batida do tamanco de madeira, o trupé, ecoava dos pés dos integrantes do grupo e também do público que conferiu a apresentação. Quem participou da conversa com a equipe do fpnc.org foi Assis e Iran Calixto, atuais coordenadores do grupo.

Fpnc.org – Desde 1992, vocês percorreram um caminho que partiu do trabalho de criação até a consolidação de uma nova manifestação cultural pernambucana, com o coco. Mergulhados neste mundo da cultura desde então, como vocês definem o que é cultura?
Iran Calixto – Cultura pra mim é algo muito rico. Cultura é a riqueza do mundo, porque é ela que traz turismo e renda para nossa cidade. Acho que todo mundo vê isso. Tem muitas cidades em que as pessoas não sabem que são ricos, eles não sabem a cultura que têm, ficam escondendo e não sabem o quanto isso pode acrescentar para uma cidade. Nós somos ricos em Arcoverde. E eu só vim descobrir isso quando o Samba de Coco Raízes de Arcoverde foi conhecido internacionalmente, o quanto é importante a gente valorizar a nossa cultura.
Assis Calixto – A cultura, essa que a gente trabalha, é a nossa diversão. Essa cultura pura é levada para os novos, as crianças já brincam com a gente. E a gente desperta em outras cidades que também têm cultura, e que não valorizam, a necessidade que elas precisam ter de valorizar a cultura.

Fpnc.org – Valorizar a tradição do coco é difícil hoje em dia?
Assis Calixto – É difícil demais. Hoje, com todo o acesso a mídia que se tem, é difícil a gente ir ao encontro das pessoas e das cidades para valorizar essa nossa cultura. Mas a gente continua aí, brincando e lutando para que ela permaneça e não só no Raízes, mas em outras cidades que tem cultura e não sabem o que tem de bom no Brasil.

 

Mestre Assis (Foto: Roberta Guimarães)

Mestre Assis (Foto: Roberta Guimarães)

 

Fpnc.org – O que representa o tamanco para vocês, esse objeto que vai além de um acessório da vestimenta e torna-se um instrumento de percussão no coco?
Assis Calixto – O tamanco é um instrumento criado pelo Lula Calixto. E esse tamanco que era para ele hoje é do mundo inteiro. Ele é um instrumento a mais para o coco, que é muito importante para a nossa tradição. É um instrumento que faz parte do Raízes, a sua pisada faz o público ficar abismado. Essa é a nossa marca e é admirada pelo público demais até.

Fpnc.org – São mais de 20 anos de apresentações com o Samba de Coco Raízes de Arcoverde. A experiência de subir ao palco continua a mesma? 
Assis Calixto – Muda tudo durante uma apresentação de coco. Quando a gente chega num palco fica com um espírito diferente e o público percebe isso. O público quer nos acompanhar na dança, no batido do tamanco. Isso tudo é uma conquista muito grande.
Iran Calixto – Eu fico muito feliz ao me apresentar com o Raízes, porque, além de atrair o público, o coco chama muito a atenção das crianças. Muitos pais sempre nos perguntam qual o horário que vamos começar nossa apresentação, porque são seus filhos que levam eles pro show. Nós temos uma relação muito forte com as crianças, a maioria do nosso público é motivado justamente pelo interesse delas em verem e brincarem junto com a gente durante o nosso show.

Fpnc.org – Pela primeira vez o Festival Pernambuco Nação Cultural chega ao Sertão do Moxotó. Como vocês se sentem em participar dele?
Assis Calixto – Primeiramente, gostaria de dizer que pra gente é motivo de alegria ter essa festa que vem trazer esperteza para todos os grupos culturais de Arcoverde. Não só de Arcoverde, mas de todas as cidades vizinhas, para que a gente não deixe que essas tradições se acabem. Então, essa vinda desse projeto para a região de Arcoverde é muito boa, porque está fortificando os grupos.

Fpnc.org – No ano passado, vocês gravaram um novo álbum, já tem previsão de quando será o lançamento?
Assis Calixto – A gente não tem ideia de quando iremos lançar nosso terceiro CD, mas na nossa apresentação da sexta-feira (13/4, do FPNC) já cantamos quatro músicas deste novo trabalho: “Cavalinho de Barro”, “Serra do Tapuia”, “Doidinho” e “Piador”.

Fpnc.org – Além das músicas apresentadas nesta edição do FPNC 2012, o que o público pode esperar do novo trabalho?
Iran Calixto – A gente pretende lançar o novo CD junto com um novo show, pois como no período da gravação meu filho ainda fazia parte do grupo, com a sua saída temos que reformular como será esta apresentação.

Fpnc.org – No final do ano passado, Iran, durante o Festival de Coco Lula Calixto, falou-se sobre uma possível saída sua do Raízes. Essa possibilidade existe?
Iran Calixto – Isso é a mesma coisa que aconteceu com meu filho. Como ele hoje é evangélico, decidiu sair para se dedicar à música gospel. E, assim, eu tenho um sonho, não é para agora, e sim lá para frente, de gravar um CD Gospel.

Fpnc.org – Mas quando esse momento chegar, você deixará o grupo?
Iran Calixto – Eu acho que não, porque eu penso que vai ser o Coco Gospel. A ideia é essa, continuar com o Coco e trabalhar com a música gospel.

Iran Calixto (Foto: Roberta Guimarães)

Iran Calixto (Foto: Roberta Guimarães)

*Entrevista feita durante o Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão do Moxotó, realizado de 9 a 15 de abril de 2012.

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