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Cultura popular para todos

O coquista Cícero Gomes foi o anfitrião da festa no bairro São Miguel (Foto: Roberta Guimarães)

O coquista Cícero Gomes foi o anfitrião da festa no bairro São Miguel (Foto: Roberta Guimarães)

Polo de Cultura Popular, em Arcoverde, fechou o FPNC inaugurando ações de política de acessibilidade

Por Raquel Holanda

A Praça Pereira Cruz, no bairro São Miguel, estava com uma decoração diferente na noite do último sábado (14/04). As árvores ganharam adereços coloridos que ressaltavam a cultura do coco tão forte no local. Eram tamancos de madeira customizados e saias que deixaram de compor apenas o figurino dos grupos de coco da cidade para enfeitar o cenário do Polo de Cultura Popular na sua despedida do Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão do Moxotó em 2012.

Os objetos do figuro do coco, que ganharam a denotação de adereços, foram produzidos pelos próprios coquistas durante a ação de difusão “Experimentação lúdica com tamancos de coco – Customização”, realizada na tarde de ontem (14/4) pela Assessoria de Design e Moda da Secretaria de Cultura do estado. “Nossa proposta é dar conhecimento para os coquistas poderem transformar seus tamancos em souvenir, assim como as saias customizadas. E no caso da saia, o mais importante foi ensiná-los a fazê-las com o corte godê”, esclareceu Cecília Pessoa, assessora de Design e Moda.

Eram 20h quando o anfitrião do polo, Cícero Gomes, chamou a primeira atração: Mestre Pombo Roxo. O grupo de coco de Olinda trouxe para o público arcoverdense o coco do litoral, regido pela voz de Severino José da Silva, ou Mestre Pombo Roxo, que, aos 61 anos, lidera o grupo de coquistas.

Mestre Pombo Roxo durante apresentação no Polo de Cultura Popular, em Arcoverde (foto: Roberta Guimarães)

Mestre Pombo Roxo durante apresentação no Polo de Cultura Popular, em Arcoverde (foto: Roberta Guimarães)

Para o público que foi ao bairro acompanhar o último dia de apresentação, a escolha do coco não poderia ter sido melhor. “Apesar de a idade não deixar que eu dance, gosto muito de ver os grupos, escutar essa música e ver as crianças dançando o coco”, comentou a aposentada Maria de Lurdes, que veio do Bairro Cidade Jardim para conhecer o Mestre Pombo Roxo.

Interessante foi perceber um pequeno detalhe durante a apresentação de Mestre Pombo Roxo: embora ele use uma cadeira de rodas, o ritmo e a animação do seu coco não o deixa diferente de nenhum outro grupo. “Estar na cadeira de rodas não impede de nada, eu continuo com o coco porque sem ele a vida não tem graça”, enfatizou Mestre Pombo Roxo.

Durante esta edição do FPNC, a Secult/PE inaugurou a ação de política de inclusão na sua política cultural, e a vinda do Mestre Pombo ao Moxotó foi  fruto desse novo trabalho. “A tocada de Mestre Pombo Roxo em Arcoverde é o símbolo do diálogo que estamos tendo com a Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência – SEAD”, explicou Alexandra Lima, coordenadora de Cultura Popular e Tradicional da Secult/PE. A inclusão da acessibilidade para ela é algo que deve ser incorporado não só às ações da Secult e da Fundarpe, mas ao próprio cotidiano das pessoas. “Esse trabalho com artistas da cultura popular que tenham algum tipo de deficiência é uma forma de mostrar para o público que eles também não devem se limitar por isso, mas participar das ações culturais e de formação que estejam acontecendo no seu município”, frisou Alexandra.

A festa no Polo de Cultura Popular ainda contou no último sábado com o forró rabecado de Balão Popular, grupo arcoverdense que levou grande parte dos presentes a arrastarem o pé. E para encerrar a noite de São Miguel, foi a vez de o anfitrião do polo, Seu Cícero, reunir seus coquistas e subir ao palco com o Samba de Coco Trupé de Arcoverde.

Enquanto o Samba de Coco Trupé de Arcoverde estava dando o ritmo da dança, a movimentação da Praça Pereira Cruz  foi intensa. Os jovens coquistas Diogo Vinícius, 9 anos, Bruna Sousa, 9 anos, Eudes Diego, 12 anos, e Bruno César, 11 anos, se revezavam em dois tablados, fazendo a percussão e o ritmo do trupé com os pés. O público e Seu Cícero fizeram do polo uma grande arena de brincadeira e diversão. No final, o anfitrião arrastou todo mundo para sua casa, sede do seu grupo, bem perto dali.

 

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