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Curumins modernos

Série de reportagens de Chico Ludermir traz à tona, até sexta (17/8), a relação entre jovens índios e sua cultura

Grupo que registra vida de seu território está entre as pautas da série sobre os Xukurus (Foto: Chico Ludermir)

Grupo que registra vida de seu território está entre as pautas da série sobre os Xukurus (Foto: Chico Ludermir)

Pesqueira tem a maior população de indígenas do Nordeste. São cerca de 12 mil índios da etnia Xukuru, divididos em 24 aldeias. Mas quem sobe a Serra Ororubá esperando encontrar ocas e gente pelada se engana. Ao contrário das imagens caricaturais que ainda são reproduzidas na mídia, este povo é extremamente politizado e mobilizado em prol de diretos que, durante muito tempo, lhe foram negados. Em especial o direito ao território.

A luta pela terra em Pesqueira na década de 1990 acirrou confrontos entre índios e fazendeiros, culminando na morte do maior líder Xukuru, o cacique Chicão, em 1998. Em busca de força e unidade, a etnia passou por um momento forte de reconexão com suas raízes e, num mergulho ancestral, viveu um processo de reafirmação de identidade cultural.

Quase 15 anos depois da morte de Chicão, a nova geração de jovens já não é aquela engajada nas questões da terra que hoje se encontra 95% regularizada. Tampouco traz na memória os discursos do antigo cacique. Escolarizados, telespectadores e internautas, a juventude indígena não é bicho do mato, apesar de não abandonar a forte conexão com a natureza.

Se por um lado existe a real possibilidade de um distanciamento da cultura tradicional, por outro as lideranças e os próprios jovens vêm ressignificando as formas de se relacionar com seus costumes, sem serem escravos da própria identidade.

Numa série de três reportagens a serem publicadas até a próxima sexta-feira (17/8), tentaremos abordar as maneiras pelas quais a nova geração Xukuru vem se conectando com sua história e memória, e o esforço dos mais velhos para incentivar essa relação. Artes indígenas como disciplina escolar, peças teatrais que representam histórias reais da etnia e um grupo de audiovisual que registra e documenta o que se passa no seu território serão as pautas abordadas.

Não por acaso, a série coincide com o Encontro Juventude, Arte e Culturas Indígenas que acontece (também) até o próximo dia 17 de agosto, inserido na programação do Festival Pernambuco Nação Cultural do Agreste Central.

O teatro foi a maneira que Silvaneide conheceu a sua própria história (Foto: Chico Ludermir)

O teatro foi a maneira que Silvaneide conheceu a sua própria história (Foto: Chico Ludermir)

 

Leia abaixo as reportagens da série:

Pelos olhos de dentro

Teatro, espelho da identidade

Aprendendo a ser índio também na escola

 

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