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Festival pernambuco nação cultural

Debate politizado no FPNC

Debates reuniram participantes do Recife e de Gravatá (Foto: Ricardo Moura)

Debates reuniram participantes do Recife e de Gravatá (Foto: Ricardo Moura)

Festival promoveu no sábado (15/9) debates sobre democratização da comunicação e mercado de música

Por Olívia Mindêlo

“Muito mais do que sobre rádio e TV pública, a gente está falando aqui sobre cidadania”. A fala do DJ e radialista Patrick Torq4 soou como uma síntese, na tarde de ontem (15/9), do propósito das rodas de diálogo realizadas pelo FPNC em Gravatá. Tanto no debate sobre a Democratização da Comunicação quanto na discussão sobre O Atual Mercado de Música, a necessidade de reunir pessoas para promover o direito à comunicação, a reflexão crítica e a melhoria das práticas profissionais pareceu perpassar as falas e os interesses presentes.

No primeiro debate, relacionado à comunicação, a questão das rádios públicas dominou o verbo, sobretudo pela experiência dos participantes Roger de Renor (atual diretor da TV Pernambuco) e Patrick Tor4 – e, claro, também pela própria força que esses canais ainda possuem nas cidades do interior do estado, como Gravatá.

Ambos colocaram em pauta suas lutas em prol das emissoras públicas, reforçando que, apesar das dificuldades, fazer rádio de qualidade no País é possível. Isso significa ampliar a conscientização e o gosto cultural da população, veiculando, entre outros pontos, a produção musical que não tem vez nos grandes meios. Patrick citou os exemplos das rádios de Sergipe, da qual foi diretor, do Pará e de Minas Gerais. Todas estatais que, segundo ele, se tornaram exemplos nacionais. Já Roger falou sobre programas como o extinto “Som da sopa”, da TV Universitária, que também esteve à frente como apresentador, diretor e idealizador, além das atuais batalhas para estruturar a TV Pernambuco e uma rede de televisões públicas no Brasil.

Alguns profissionais de comunicação de Gravatá também participaram da discussão. Foi o caso do jornalista Tomaz de Aquino, atualmente responsável pelo Jornal Rota 232, de seu município. Ele conversou sobre os atuais veículos gravataenses, chamando atenção para o domínio dos políticos nas rádios e até nos blogs. Para isso citou o caso do Blog do Castanha, retirado do ar recentemente por questões políticas, mas já de volta. O próprio Castanha esteve presente, comentando as dezenas de processos que já recebeu decorrentes de sua atuação jornalística. Tomaz de Aquino também reforçou a necessidade de se discutir os pontos principais do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FPDC).

Sobre música

Tiné, Zé Brown, DJ Dolores e Vinícius Carvalho (Foto: Ricardo Moura)

Tiné, Zé Brown, DJ Dolores e Vinícius Carvalho (Foto: Ricardo Moura)

Assim como a música foi um dos pontos tocados no primeiro debate, a comunicação também foi assunto abordado na segunda roda de diálogo promovida ontem (15/9) pelo FPNC, sobre o atual mercado de música. A internet foi novamente colocada em pauta, desta vez como local indispensável à difusão da produção musical. Para DJ Dolores, um dos participantes da roda, a web é mais do que isso: coloca-se como um espaço para criação, pesquisa e articulação.

Além de Dolores, também convidado pelo festival de Gravatá para tocar nos intervalos e fins dos shows, conduziram o diálogo o músico Tiné, da Orquestra Contemporânea de Olinda, e o rapper Zé Brown, que comandou a locução do Palco Nação Cultural.

Como sobreviver da música foi a questão que mais dominou a conversa, sobretudo a partir das perguntas levantadas por artistas de Gravatá, que repetiram a velha máxima de “como é difícil viver de música no estado”. Zé Brown falou sobre a dificuldade de trabalhar com rap, mas de outros caminhos para se viver do próprio ofício. Dolores reforçou o quanto é preciso levar a sério isso: “É um trabalho como qualquer outro”. E é preciso se esforçar, se dedicar.

Os debates foram mediados, respectivamente, por Guilherme Gatis, assessor do Festival Pernambuco Nação Cultural, e Vinícius Carvalho, diretor executivo da Secretaria de Cultura de Pernambuco.

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