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Festival pernambuco nação cultural

Em Caruaru: “Já é São João já, oxe!”

Brincadeira de bacamarteiro (Foto: Daniela Nader)

Brincadeira de bacamarteiro (Foto: Daniela Nader)

Por Olívia Mindêlo

Em Pernambuco, a brincadeira é tradicionalmente junina. Enfileirados como quem marcha segundo o protocolo do batalhão militar, eles parecem prontos para o “serviço”: espingarda de um lado, bolsa para abastecer do outro. Vestem farda azul, adornada com um lencinho vermelho na gola da camisa, e ainda levam um chapéu na cabeça. A luta aqui, contudo, tem cara de alegria. Alguns usam até uma rosa, como que querendo pedir licença poética para a guerra. Olhando mais de perto, os “soldados” nem marcham, dão pulinhos. Quando a sanfona, a zabumba e o triângulo saem na rua, eles seguem o ritmo como se o objetivo nem fosse atirar. Mas, apesar do barulho estrondoso da espingarda, a arma deles só tem pólvora e papel. O que eles querem mesmo é se divertir.

Assim são os bacamarteiros, personagens imponentes dos festejos juninos de Caruaru, geralmente em dias de junho, principalmente Santo Antônio, São João e São Pedro. Neste sábado (19/5), quando eles se reuniram no Alto do Moura, por iniciativa do Festival Pernambuco Nação Cultural, o calendário não marcava nenhuma destas datas. Mas Seu Reginaldo Mendes de Oliveira, “72 anos 10 meses e dez dias”, o bacamarteiro mais animado dos grupos presentes, me garantiu: “Já é São João já, oxe!”. Faltando pouco mais de um mês para a grande festa da “Capital do Forró”, de fato ele estava certo. E mesmo não sendo o anúncio oficial do Ciclo Junino em Caruaru, o FPNC fez uma programação bem no clima de abertura da festa.

Descendo as ladeiras do Alto do Moura, cerca de 40 bacamarteiros, de grupos diferentes, iniciou os trabalhos. “É a instrução”, me falou Seu Reginaldo, natural de Caruaru, explicando sobre o momento de arrumação e esquente dos bacamartes. Nesse começo, eles saíram saltitando pelo bairro. Entraram em igreja e em bar, e cumprimentaram os moradores. Quando chegaram à Praça do Artesão, passava das 18h. O espetáculo estava prestes a começar. Após algumas voltas ensaiadas, veio a seção de “pei pei”.

O barulho de canhão, contudo, não espantou os presentes, nem parou a igreja evangélica bem próxima dali. O alarme de um carro até tocou diversas vezes com os sopapos das espingardas e certamente saímos um pouco mais surdos dali. Seu Reginaldo, no entanto, estava feliz feito criança, pinto no lixo. Balançou-se o tempo todo com sua arma pesada, numa alegria que chamava atenção. Foi uma “batalha” cheia de luz.

Reginaldo Mendes de Oliveira (Foto: Daniela Nader)

Reginaldo Mendes de Oliveira (Foto: Daniela Nader)

 

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