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Em Exu, os parabéns a Gonzagão executados com tanta alegria quanto ele tinha

Por Maria Peixoto

No espetáculo de João Falcão, Gonzaga tocava sanfona desde muito menino. Foto: Costa Neto

No espetáculo de João Falcão, Gonzaga tocava sanfona desde muito menino. Foto: Costa Neto

Um sonho que João Falcão nem imaginava acontecer foi o de apresentar o espetáculo “Gonzagão: a lenda” na terra de Mestre Lua, exatamente no dia do aniversário dele: “É uma coisa muito emocionante. No meu maior sonho num estava isso. A gente fez o espetáculo há um ano e meio, o sucesso que ele fez extrapolou todas as nossas expectativas e ele num para, está com agenda lotada até maio do ano que vem. Mas fazer esse espetáculo aqui, ter a cidade, o aniversário dele, pra gente, pro espetáculo. Está todo mundo louco lá no camarim, comovido, de ter feito essa viagem pro Sertão. Desde as pesquisas, desde o ensaio que a gente falava muito, na peça a gente fala textualmente da cidade, de Exu, a terra de Luiz. E agora a gente está aqui”, conta.

Leia um pouco de como foi esse dia:

A figura lendária de Gonzagão ajudou a construir a identidade do sertanejo. Mais do que um músico, ele se tornou um personagem que faz parte do imaginário de todo nordestino. As letras de suas canções falam um pouco da vida de todos nós, que temos essas raízes. Com o diretor de teatro João Falcão não foi diferente, nascido no interior de Pernambuco, ele conta como cedo essa figura povoou seu imaginário: “Luiz Gonzaga pra mim, quando eu era criança era quem tinha inventado tudo aquilo: a quadrilha, a fogueira, o forró, quem tinha inventado a alegria do povo sertanejo, quem tinha inventado a festa brasileira. Pra mim, Luiz Gonzaga num era simplesmente uma pessoa. Era ele quem tinha inventado o Nordeste”, conta.

Sua peça “Gonzagão: a lenda”, que estreou aqui no Exu, muito simbolicamente, no dia de aniversário do Mestre Lua (13/12) conta, a partir de uma grande festa musical, a história do Nordeste, a partir do Rei do Baião. Segundo João Falcão, a peça buscou transformar a biografia do mestre “num sonho de menino”, partindo de sua própria relação com essa lenda do Sertão.

A peça não tem a pretensão de ser fiel aos fatos e nem se prende somente à história de Gonzaga, descortina o próprio dispositivo, quando narra a história de uma companhia de teatro, a “Barca dos corações partidos”, formada só por homens, cada qual a seu estilo burlesco, que viaja encenando a vida de Gonzaga e tem um sério problema de não poder ter a participação de mulheres no elenco. Num momento que lembra outra história sertaneja, “O grande Sertão veredas”, uma mulher é descoberta fazendo papel de homem. A peça brinca com isso, ao mesmo tempo em que não deixa a narrativa de Gonzaga perder o fio da meada. A partir  da história das músicas, canta a vida do mestre, os fatos verdadeiros e até os falsos, como um encontro inesperado com Lampião e a chegada até ao inferno.

Sempre em tom de brincadeira, o espetáculo arranca aplausos a cada cena, cada vez que uma música do mestre é tão bem executada, pelos atores, ótimos cantores também e pelos músicos que tocam ao vivo em cena, dando arranjos inovadores para os tão consagrados forrós. Passando pela saída de Gonzaga do Sertão, quando entra no exército, quando se depara com o Rio de Janeiro tão diferente do seu interior, cantando sua saudade e seu desejo de continuar “andando pelo país”, alegrando a todos com sua música. A peça é festiva do começo ao fim, apenas passando por tonalidades mais melancólicas que o mestre também tinha, quando falava das agruras de sua terra.

E hoje tem mais uma apresentação do espetáculo, às 20h, na Praça Francisco de Miranda Parente, centro do Exu.

 

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