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Festival pernambuco nação cultural

Em Gravatá, cortejo de blocos líricos desperta o povo e levanta a bandeira de que frevo é música para o ano todo

Por Michelle Assumpção

“Ei moça, isso é o que? Frevo depois do carnaval? É algum tipo de micareta?” Resposta: “Não é micareta não, a ideia é essa mesmo, fazer com que as pessoas possam ouvir frevo, se deliciar cantando músicas conhecidas há tantas décadas, sem precisar que isso aconteça no carnaval”. O diálogo existiu mesmo, assim que os blocos líricos saíram às ruas de Gravatá, no começo da noite desse sábado, abrindo alas com seus flabelos, lado a lado, seguidos dos grupos fantasiados e orquestra de pau e corda.

Bloco Flor da Lira (Olinda), Amantes das Flores (Camaragibe), Um Bloco em Poesia (Olinda) e Saudade em Poesia saudaram os moradores, enquanto passeavam por frevos antológicos, tais como Madeira que Cupim não Rói, Evocação, Valores do Passado, entre outras.

No comando do cortejo, o presidente do Flor da Lira e da Liga Pernambucana de Frevos de Bloco, Seronildo Guerra, defendeu a ação para além do simples entretenimento. “A gente carrega o empoderamento do povo pela cultura, pelo fortalecimento da nossa identidade cultural. O frevo foi reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade e nosso povo precisa dessa consciência, aqui temos blocos que representam quatro cidades: Recife Camaragibe, Olinda e Gravata”, disse.

Denominando-se “militante do frevo”, Seronildo tem plena noção do papel de difusor que hoje tem dentro do segmento. Através da ONG Veredas – cujos projetos defendem questões relacionadas aos patrimônios materiais e imateriais – ele contabiliza ações importantes, como a institucionalização do Dia do Frevo de Bloco, e projetos de oficina para ensinar sobre esta tradição e a importância de mantê-la.

Então, para além de um simples cortejo, os flabelos e seus cantantes pelas ruas falavam também que a história do frevo é matéria importante. Exemplo disso, entre outros fatos, era a presença do bloco de Gravtá, Saudade em Poesia. Seronildo disse que o grupo estava quase se descaracterizando, pois já desfilava com estandarte, ao invés do tradiconal flabelo, e também estava usando basicamente sopros em seu instrumental, esquecendo das cordas. “O frevo não pode sair da tradição, claro que a vida vai mudando, isso reflete na cultura, mas não vejo porque romper com a tradição. Além do que é um espetáculo belíssimo”. Quem não concorda?

Blocos líricos desfilaram pelas ruas de Gravatá.

Blocos líricos desfilaram pelas ruas de Gravatá.

 

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