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Festival pernambuco nação cultural

Encontro de Bois encheu de cores as ruas de Arcoverde

O boi é uma das mais populares brincadeiras do Sertão do Moxotó (Foto: Costa Neto)

O boi é uma das mais populares brincadeiras do Sertão do Moxotó (Foto: Costa Neto)

Vários grupos se reuniram na tarde deste sábado (20/4) para celebrar uma tradição pela qual se vive e se morre na cidade

Por Leonardo Vila Nova

Uma figura enigmática, que exerce um certo “fascínio cauteloso” em quem o vê, que tanto pode encantar quanto espantar (ou tanger, com se diz popularmente) quem está à volta. Em meio a evoluções e ao colorido que carrega em seus adornos, o boi é uma das mais tradicionais manifestações populares do Sertão do Moxotó. E durante o Festival Pernambuco Nação Cultural, o Encontro de Bois celebra essa brincadeira que envolve crianças, jovens e adultos. Neste sábado (20/4), oito bois da região deram o ar da graça pelas ruas de Arcoverde, na Praça Virgínia Guerra, Centro da cidade, e atraíram quem estava por perto.

Os bois Arcoverde, Fantástico, Estrela Maluquinha, Cafuné, Diamante, Milagroso, Furioso e Maracatudas protagonizaram um verdadeiro momento de reverências à cultura popular, trazendo a tiracolo o seu rol de personagens humanos, animais e fantásticos: capitão, diabo, anjo, cangaceiros, mateus, catirina e tantos outros que abrilhantam o espetáculo. E pra fazer essa turma dançar, se lança mãos de diversos ritmos: frevo, maracatu, coco, afoxé etc. “Moramos numa terra de muitas manifestações, com a dança e a música. E o boi é uma parte significativa da cultura dessa cidade, e que é ovacionado por seu povo. Se um dia boi deixar de existir em Arcoverde, a cidade morre junto”, explicou Everaldo Marques, presidente da Liga de Bois de Arcoverde.

História
Para entender um pouco dessa relação da cidade com a brincadeira, é preciso voltar entre as décadas de 1940 e 1950, quando as primeiras batidas do boi começaram a surgir, misturadas ao pisar do barro do trupé do coco, típico do município. Pelas mãos de Zé Alagoano, que veio brincar com os coquistas arcoverdenses, surgiu essa tradição, que ganhou vida nos terreiros da cidade. O primeiro foi o Boi Labareda, que é tido como um boi de terreiro, desses mais tradicionais, que faz sua brincadeira dentro da comunidade, não se exibindo pra todo mundo. Mas o boi foi caindo no gosto do povo e outras agremiações foram surgindo, com uma cara mais estilizada e se espalhando por Arcoverde. Hoje, são mais de 30 no município.

A tradição vem ganhando cada vez mais adeptos, com crianças e jovens sendo maior parte das agremiações. “É importante que tenhamos essa geração envolvida com a brincadeira e repassando para as gerações que vierem depois. A beleza do boi é algo muito forte, dentro de cada um desses brincantes. Isso é que o faz ter vida longa”, declarou Everaldo, emendando com sua paixão pela brincadeira. “Eu sei que de boi eu não morro, mas sem ele eu não vivo!”.

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