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Encontro de Caboclinhos e Índios encerrou o FPNC Mata Norte

Grupos desfilaram na Rua Direita (Foto: Costa Neto)

Grupos desfilaram na Rua Direita (Foto: Costa Neto)

Depois de uma semana de atividades culturais em 19 cidades da região, o FPNC fechou sua programação na Mata Norte com desfile em Goiana. Próxima parada é o Sertão do Moxotó

Por Maria Peixoto

Rivaldo tem 53 anos e é curandeiro do caboclinho Tribo Tupiguarani (1945), de Caixa d’Água, desde os 5 anos. Sua neta, Lidiane, tem 10 e participa desde os 4. Andrea, 33, faz parte do grupo Canindé de São Lourenço (1937) junto com seus dois filhos, o  pequeno Ossain, de só 2 anos, e Fethxanne, índia fulniô, de 15 anos.  Marcone Zé dos Santos entrou com 10 anos no caboclinho Tapirapé (1957) do Alto Zé do Pinho e hoje é vice-presidente do grupo. Esses e mais 14 caboclinhos participaram ontem (7/4) do VI Encontro de Caboclinhos e Índios de Goiana, realizado dentro da programação do FPNC Mata Norte.

O tradicional evento de Goiana vem de um simbolismo criado e recriado, algo bem do feitio das manifestações de cultura popular. Em 1645, foi fundada uma assembleia indígena na aldeia de Tapisserica, em que os próprios índios votaram para eleger seus representantes. O que era, nos idos de 1600, um ato político de grande importância para os indígenas é  hoje comemorado anualmente com um encontro festivo de várias tribos da região.

Durante o encontro do domingo (7/4), eles cantavam “Eu fui pra mata construir um pau, fiz uma flecha pra eu juremar”, lembrando a tradição da Jurema Sagrada, associada ao festejo. Marcone, do Tapirapé, conta que seu caboclinho tem uma mãe de santo que cuida do índio, guia do seu grupo.  Também podia se ver, em muitos grupos, a presença do personagem do curandeiro, responsável por “limpar as energias negativas” antes do desfile, segundo contou Andrea, do Canindé de São Lourenço.

Um dos mais caprichados desfiles foi o do Tribo Tupã (1979), do Alto Zé do Pinho, do Recife, campeão vários anos do Carnaval recifense, inclusive de 2013. Além da flauta, das maracas e do surdo, o conjunto de tocadores possuía um timbau, dando um tom de afoxé à cadência do toré. A diversidade de passos e rapidez, e a desenvoltura em realizá-los, também chamou bastante atenção.

O evento fechou a programação do FPNC Mata Norte e foi realizado em parceria com a Associação dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco. A próxima parada festival é o Sertão do Moxotó, entre os dias 16 e 21 de abril.

 

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