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Entrevista com o Grupo Magiluth

Por: Chico Ludermir

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Depois de quase oito anos de estrada (completam, ironicamente no próximo dia 11 de setembro), os seis integrantes do grupo pernambucano de teatro Magiluth já colecionam no currículo os espetáculos “Ato”, “Corra”, “Um torto”, “Canto de Gregório”, “Aquilo que meu olhar guardou para você” e, agora, “Viúva, porém honesta”, apresentados em várias cidades do País. Acima de tudo, o que se constata é uma noção sólida de grupo e um consequente crescimento coletivo, que, segundo eles, vem de um respeito mútuo das diferenças. Enquanto preparavam a luz do novo espetáculo “Viúva, porém honesta” (adaptação do texto de Nelson Rodrigues, em homenagem ao seu centenário), conversamos um pouco sobre a formação do coletivo, a vivência em grupo e projetos futuros, que incluem um espetáculo em homenagem a Luiz Gonzaga. Neste sábado (1/9), o grupo chega a Limoeiro para apresentação única da peça rodriguiana no Festival Pernambuco Nação Cultural do Agreste Setentrional. Confira abaixo alguns temas da conversa com os integrantes Giordano Castro e Pedro Wagner, porta-vozes do Magiluth na ocasião.

Surgimento do grupo
Nos encontramos na universidade em 2004 (Marcelo, Giordano, Lucas e Thiago – Magiluth) e, logo no primeiro período, nos juntamos para fazer um trabalho. Daí veio a vontade de continuar a experimentar o que a gente aprendia. Em 2007, a gente começa a pesquisar sobre profissionalização. É aí que o grupo se abre e entram também Pedro Vilela e, em seguida, Pedro Wagner.

Trabalho em grupo
Quando a gente começou a se estruturar, em 2007, a gente dá muita atenção a esta questão do grupo.  Foi muito precioso a questão do trabalho de grupo. A gente sempre acreditou que o trabalho tinha que ser continuado. Processo a longo prazo. Um projeto que cresce. Esse tempo junto traz uma linguagem e uma forma de fazer. Mesmo sem nunca ter pensando em uma metodologia, ou em estruturar uma cara, a gente desenvolveu uma linguagem, que não pode servir de prisão. O grupo nunca tentou pasteurizar as diferenças. As diferenças e as potencialidades de cada sempre são levadas em consideração. A gente se preocupa mais com a labuta do que com essa “construção de linguagem”. Os trabalhos vão nos pedindo coisas… A gente nunca quer se prender a uma linguagem.

Processo criativo
A gente começa cego. Tem algumas coisas que têm sido corriqueiras. Por exemplo, a relação híbrida entre realidade e ficção, relação entre os atores e a plateia, a construção em cena…  Com esse processo de profissionalização, entendemos que somos artistas e que somo operários disso. A gente não se coloca como seres inspirados. A gente trabalha todos os dias de segunda a sexta (a não ser quando esta perto de estreia), pela manhã e, às vezes, tarde.  A gente começa um pouco vazio. Deixa que o trabalho venha. Deixamos um tempo para se alimentar da coisa. Se a gente começa direto, tudo vem muito na superfície. A gente começa mesmo quando entende que está todo mundo mergulhado… A gente tem que bater metas. Trabalhamos com datas e cronogramas. Isso gera a nossa disciplina. Deus me livre trabalhar sem data. Quando se aproxima da data, a gente começa a abrir os ensaios. Não dá pra deixar o público chegar quando tá pronto. O público faz parte do processo.

“Viúva, porém honesta”
Escolhemos, há dois anos, trabalhar para o Magiluth e isso foi muito importante para o grupo. A gente busca maneiras de sobreviver disso.  Então, começamos o ano muito quebrado de grana e escrevemos para muitos editais para ver o que vinha. Acabamos ganhando o edital da Funarte para encenar o “Viúva…”. Todo mundo já tinha lido Nelson e gostava. Já o texto de “Viúva…” sempre é taxado como menor. Mas quando a gente mergulhou nele, viu como o texto era especial para o grupo. Além de tudo, saber que ele escreveu e encenou a peça em dois meses nos estimulou a montar a nossa nesse mesmo tempo. Uma das coisas que nos encanta é o gênero “farsa irresponsável”. Essa ideia é muito a cara da gente.

A montagem
A gente sempre foi muito assustado em mexer nos textos dos outros , ainda mais os clássicos. Existem textos maravilhosos, mas é muito bom falar a partir de si. A gente precisou tirar Nelson do lado de Jesus. E trouxe para perto, para dialogar com a gente de peito aberto. A gente nunca teve muita paciência para lidar com o sagrado. A melhor homenagem que a gente fez a ele foi preservar o texto. Não mexemos no texto, mas apresentamos ele da nossa forma.  A gente se reconhece na peça. E através dela a gente consegue ver tudo aquilo que o grupo fazia desde “Um torto”, “Canto de Gregório”, “Aquilo…”.

Momento atual
A gente está se conhecendo, se reconhecendo, ao mesmo tempo em que a cidade começa a entender, de fato, o que é o Magiluth. Pela primeira vez, essa coisa da linguagem do grupo está sendo colocada. Isso está vindo e sendo visto. A gente consegue nesse trabalho ver as particularidades. Assiste à evolução de cada um. O fato de a gente ter ficado junto dois meses em São Paulo gera um entendimento de trabalho e vida. Tudo isso chegou nesse tempo. Não que seja um ápice. Acho que a palavra reconhecimento é uma palavra boa. A cidade, o País e a gente mesmo se reconhece melhor. Reconhecimento no sentido de entendimento. O Magiluth encontrando um lugar para si. Não usamos ápice, porque a gente não sabe o que vem.

Projetos do grupo
O nosso projeto é ter uma sede e manter espetáculos em temporada. Queremos ter esse espaço e que supra a necessidade de outros grupos. Que isso reverbere. A gente quer viver do teatro. Já estamos pensando um espetáculo sobre Luiz Gonzaga que vamos estrear em novembro.

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