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Festival pernambuco nação cultural

Festival mostra a força dos povos indígenas

Índios de várias aldeias do estado participam do encontro (Foto: Ricardo Moura)

Índios de várias aldeias do estado participam do encontro (Foto: Ricardo Moura)

Encontro que vai até sexta (17/8) coloca em debate o futuro das etnias pernambucanas, através dos jovens

Por Chico Ludermir

Pedindo força aos encantados, o cacique Marcos Xukuru abriu ontem (14/8), em Pesqueira, o Encontro Juventude, Arte e Culturas Indígenas na aldeia Capim de Planta, umas das 24 do seu povo. Compondo a mesa de abertura estavam reunidos representantes de todas as etnias indígenas de Pernambuco. Além dos anfitriões, Atikum, Tuxá, Truká, Pankará, Pankararu, Entre Serras Pankararu, Pankaiwká, Kambiwá, Kapinawá, Fulni-ô, Pipipã e Pankaiwká. “O evento junta os povos para percebermos nossas semelhanças e diferenças. O que esse encontro pretende é discutir o que nós, enquanto juventude, precisamos fazer para garantir nossa unidade”, resumiu a autoridade maior do povo Xukuru.

A plateia, também formada por índios de várias aldeias do estado, presenciou o cântico de abertura de Dona Zenilda Xukuru, mãe do atual cacique, e viúva de Xicão. Aos 62 anos, ela é continuadora das lutas do marido, falecido em 1998 em decorrência de sua militância e luta por territórios. “Ainda sou jovem”, disse antes de soltar uma voz forte, de olhos fechados e pés descalços, enquanto cocalhavam dezenas de maracás. “Salve as matas, as terras e os encantados, em nome de Jesus”, terminou.

Enquanto uma parte dos jovens se encaminhou para as oficinas de artesanato, o restante participou da primeira roda de diálogo do encontro sobre juventude indígena. Depois de uma constatação de que os jovens estão cada vez mais alheios aos rituais sagrados, o cacique afirmou: “Precisamos nos organizar. O nosso sonho é que a juventude não se afaste da tradição e possa até mesmo utilizar de novas tecnologias para afirmar a identidade indígena. O ritual é a nossa mola mestre. Os costumes e as tradições são muito importantes. Só assim seremos guerreiros dos povos indígenas”.

Cacique Marcos Xukuru abriu o encontro (Foto: Ricardo Moura)

Cacique Marcos Xukuru abriu o encontro (Foto: Ricardo Moura)

Elizângela, do povo Entre Serras Pankararu, reclamou da apatia dos jovens, ao mesmo tempo em que questionou novas formas de aproximação. “A gente precisa acompanhar o dinamismo da juventude e encontrar novas formas de provocá-los”. Do povo Atikum, com o rosto todo pintado, Penha representou, ao lado de Mônica, o grupo de jovens que se articulou sozinho para ir ao encontro. “Não desistimos de nossa cultura. Estamos aqui aprendendo com os mais velhos”, afirmou Penha, que, ao final do dia, conduziu um toré, dança circular indígena. “Quando eu era criança eu tinha vergonha, meu Deus! Como a pessoa pode ter vergonha da própria cultura?” problematizou.

Encontro vai ter até a próxima sexta-feira (17/8), com rodas de debate, oficinas e apresentações culturais dos povos.

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