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Festival pernambuco nação cultural

Festival valoriza a circulação dos grupos de cultura popular

A cultura popular é imbatível. Porque não precisa de palco nem de efeitos luminosos. Não precisa ninguém anunciar. Ela se anuncia sozinha e vai arrastando gente, se mostrando em todo seu esplendor. Na noite da sexta-feira, um desfiles de bois de caboclinhos tomou as ruas de Gravatá , com todos os seus personagens em suas melhores formas: bois, burras, jumentas; e instrumentos que promovem um ritmo similar o baque solto do maracatu, feito com tarol, bombo, ganzá, reco-reco e flauta doce.

A cidade de Limoeiro tem tradição nesse tipo de boi. Alguns dos cerca de doze grupos existentes atualmente na cidade se apresentaram em Gravatá, durante a edição do Festival Pernambuco Nação Cultural. Desfilaram pelas ruas os grupos Boi Pavão, Boi Teimoso, Boi Cara Branca, Boi Dourado e Boi carinhoso, além da banda Gilson do Pífano, da cidade de Bonito.

“Limoeiro era terra de índio, então em 1909, um padre que trabalha lá fazendo a catequização dos indígenas, padre Cirico, estimulou que os índios produzissem essa brincadeira, com os personagens que faziam parte do seu cotidiano, e os instrumentos que eles já tocavam. Foi quando surgiu o primeiro grupo de boi, o Boi Coração. Esse ritmo é baião baque solto”, explica seu Severino Paulino, mestre e dono do Pavão, fundado em 1975.

Cortejo de cultura popular tomou conta das ruas da cidade. Foto: Costa Neto / Secult-PE

Cortejo de cultura popular tomou conta das ruas da cidade. Foto: Costa Neto / Secult-PE

Atualmente pessoas de todas as etnias participam da brincadeira do boi, famílias inteiras, sobretudo jovens e algumas crianças. “Damos muito valor a essa tradição lá em Limoeiro, tanto que já começaram a surgiu bois da criança”, conta Charles Alves, dono do Boi Teimoso, também presente no cortejo. Ele diz que a brincadeira, geralmente restrita às festas de prefeitura nas épocas de Carnaval e Natal,  hoje encontra em festivais culturais promovidos pelo governo, a exemplo do FPNC, uma chance de sair do seu território e se fortalecer, ao mostrar-se para populações que desconhecem a tradição. “A gente precisa sair e se apresentar em outras cidades, senão a cultura fica parada lá dentro”, diz Charles.

Neste sábado (05/10), é a vez dos blocos líricos desfilarem pelas ruas de Gravatá. A concentração acontece a partir das 19h, na sede da Sociedade Musical XV de novembro e segue até a Praça do Coreto.

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