Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Festival pernambuco nação cultural

Forró, verso e cantoria em Belmonte

Santanna, Assisão, Pedro Carvalho e a Mazurca de Mãe Coca foram as atrações da quinta (24/5)

Show de Assisão sacudiu o público (Foto: Ricardo Moura)

Show de Assisão sacudiu o público (Foto: Ricardo Moura)

Por Cirlene Leite

Um grande palhoção de terra batida, com acabamento em taipa e barro, lembra uma paisagem típica dos terreiros dos sítios em épocas juninas. É assim o Espaço Cultural Belo Monte, local da abertura da programação de shows do Festival Pernambuco Nação Cultural, em São José do Belmonte, na noite desta quinta-feira (24/5). E para abrir a festa, nada mais tradicional que a Mazurca de Mãe Coca, completando o cenário típico do interior nordestino, bem ao gosto da nossa gente.

A cantoria do compositor e poeta Maviael Melo foi a segunda atração da noite. Alternando versos com músicas, o sertanejo de Iguaraci, radicado em Salvador (BA), faz da poesia de cordel e da cantoria o seu ofício, seja nos palcos ou nas salas de aula. Maviael realiza um trabalho de difusão do cordel para mais de 600 alunos da rede pública de ensino em quatro cidades da Bahia (Amargosa, Itiruçu, Santa Maria da Vitória e Juazeiro), além de Petrolina (PE), sua segunda casa. “Até hoje meu endereço para correspondência é a casa da minha mãe em Petrolina. É pra lá que eu sempre volto”, confessa ele. Os alunos das oficinas de cordel já publicaram 2 livros, um orgulho para o poeta-professor. “Sou de uma família de poetas. Avô, pai, todos nós temos a poesia no sangue e poder divulgar o cordel em uma terra onde pouco se fala em poesia, é muito importante para a preservação da nossa cultura. Meus shows em Salvador trazem esse diferencial e agradam”. Em Belmonte, claro, o show também agradou.

E o que dizer de Assisão? Quando o fole da sanfona, o triângulo e a zabumba começaram a tocar, ai, ai, ai… Casais disputavam espaços no piso de saibro que levantava poeira. Os shows de Assisão são sempre assim: a gente se imagina em um grande “arrraiá”, participando de uma quadrilha matuta. Ninguém se espantaria se, a qualquer momento, um puxador pudesse pedir: “Cavalheiros, segurem suas damas!”. Mas o que deu pra ouvir mesmo foi um grito solto no salão: “Eita lapa de galego arretado!”. Assisão, no alto dos seus 1,80m, cabelos louros e cacheados, “coloca mais lenha na fogueira”, aperta o ritmo e não deixa ninguém ficar parado.

 Cantador

Santanna (Foto: Ricardo Moura)

Santanna (Foto: Ricardo Moura)

Com um show mais romântico, Santanna, o cantador, apresentou grandes sucessos da sua carreira e músicas do seu novo CD “Xoteamar” .”Ele já está na praça, mas somente quando tocar nas rádios e pegar de vez, aí é que vou pensar em lançar”, brincou o cantor.

A entrada em cena no inicio do show foi triunfal. Santanna começou a cantar ainda nos bastidores, caminhando em direção ao palco, para só depois aparecer para o público, que foi ao delírio. Aliás, o tempo todo as pessoas cantaram letras como de “Ana Maria” e “Tamborete de forró”, fazendo dueto com o cantor. Definitivamente, deram certo as orações que Santanna e todo o seu staff  de músicos e auxiliares fizeram antes de começar o show. Da mesma forma que um time de futebol, eles se abraçaram e pediram paz, sucesso e ainda agradeceram os bons fluidos da chuva fina que caía lá fora. Tudo abençoado por Deus, a água do céu que Belmonte não via há pelo menos um ano e o animado show de Santanna na cidade.

“Esse festival dá essa possibilidade de ‘ajuntar’ gente das cidades vizinhas daqui da região pra mostrar nossa arte. É uma revolução cultural, na medida em que respeita a vocação de cada lugar, valorizando sua cultura”, concluiu o forrozeiro.

O cantor Pedro Carvalho, natural de Tacaratu (PE), confirmou as palavras do cantador Santanna e encerrou a primeira noite de shows em Belmonte com muito forró pé-de-serra no palhoção. São 12 anos de estrada divididos entre Pernambuco e a Paraíba, onde ele é policial civil concursado. Pedro já tem cinco CDs gravados e outro na “boca do forno” para lançar no São João deste ano. A julgar pela trajetória musical, Pedro Carvalho consegue conciliar muito bem as suas duas funções na vida: “prender” ladrões e “soltar” a voz.

Palco Nação Cultural

Na noite de hoje tem mais shows abertos ao público em Belmonte, desta vez no Palco Nação Cultural, no Estádio O Carvalhão. A partir das 21h, sobem ao palco o Samba de Coco Raízes de Arcoverde, Ancheita Dali, Quinteto Violado e Gerlane Lops. É a noite da multiculturalidade que marca o Festival Pernambuco Nação Cultural.

< voltar para home