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FPNC se despede de São José do Egito

Mesa Redonda "Cancão e a tradição poética do Pajeú" (Foto: Ricardo Moura/Secult-PE)

Mesa Redonda “Cancão e a tradição poética do Pajeú” (Foto: Ricardo Moura/Secult-PE)

Por Julya Vasconcelos

Hoje, mais uma vez, o lendário poeta Cancão foi reverenciado na cidade de São José do Egito. Palestras, uma mesa de prosa com pessoas que conheceram pessoalmente o poeta e uma memorável mesa redonda, com três falas preciosas sobre a poesia do Vale do Pajeú fizeram do dia de hoje um dia especial para a memória egipciense.

A participação de Neném Patriota na mesa redonda “ Cancão e a tradição poética do Pajeú” foi um dos pontos altos do dia. A fala de Neném foi para além da poesia. Ele defendeu a emergência de um Pajeú que se una em torno de sua força poética, política e humana. “Que a tradição a gente a cultue sem bairrismos e proselitismo barato!”, reflete o poeta, que termina sua fala com um longo poema, que exalta diversos nomes da poesia do Pajeú. O poeta é aplaudido de pé.

Na mesma mesa, estava Meca Moreno, da Unicordel, que fez um surpreendente resgate histórico a partir da questão que parece estar na ponta da língua de qualquer um que se depare com a efervescência poética da região: “por que o Pajeú produz tanta poesia?”. A fala de Meca Moreno foi buscar explicações na tradição poética árabe. Segundo o pesquisador e poeta, essa cultura é responsável pela gosto pela rima, e por determinados instrumentos. A nossa viola nordestina, assim como a rabeca, são baseadas nos modos gregos e árabes, mouriscos”.

Proseando sobre o pássaro

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Donzilio Luís, Ida de Coraci, Antônio de Catarina e Ednaldo Leite compuseram a “Mesa de Prosa: A casa do ébrio”, que foi algo como uma mesa de causos e memórias sobre Cancão. Todos convidados conheceram o poeta pessoalmente, e brindaram o público com depoimentos sobre a simplicidade, a veia cômica e as histórias por detrás dos poemas do grande poeta do Pajeú. Donzilio Luís apresentou ao público uma raridade. Uma edição de 1974 do Correio da Paraiba, com uma grande matéria sobre Cancão.

Pensando Cancão
Mais cedo, dois palestrantes refeltiram sobre a obra do pássaro poeta. O Prof. Dr. Nelson Barbosa e a Prof.Dra. Maria Nazareth Arrais, ambos da UFPB apresentaram, respectivamente, as palestras “O conto popular e a poesia de Cacão – um estudo comparativo” e “A poesia de Cancão como marco do Pajeú”.

“Cancão é o poeta da natureza, do inexorável e do eu total”, define a professora paraibana, durante a sua apresentação. Comparando o conto popular e a poesia de Cancão, a pesquisadora desenvolveu sua apresentação a partir de uma base psicanalítica, suscitando especial interesse da plateia. Nelson Barbosa fez um histórico poético e social da região do Pajeú. Ressaltou também características fortes da escrita do poeta, como o uso de paradoxos e oposições, e a relação com a natureza.

A programação foi fechada com o Show Depois da Chuva, que contou com o grupo Em Canto em Poesia e Tonino Arcoverde.

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