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Festival pernambuco nação cultural

Gonzagão ficaria orgulhoso

Galeguinho de Gravatá abriu a noite (Foto: Ricardo Moura)

Galeguinho de Gravatá abriu a noite (Foto: Ricardo Moura)

Shows que abriram o Palco Nação Cultural, em Gravatá, foram de homenagens à altura do mestre

Por Duda Martins

Emerson Luiz, 16 anos, ruivo e de aparelho nos dentes, estava terça-feira (11/9) assistindo ao cortejo dos grupos populares que iniciaram as atividades do Festival Pernambuco Nação Cultural em Gravatá. Ele também acompanhou o desfile dos blocos líricos no dia seguinte, dançando e cantando as músicas saudosas. Ontem (13/9) à tarde, riu e se encantou com a apresentação de “Ato”, peça que o grupo Magiluth apresentou a céu aberto na Praça 10 de Novembro. Poucas horas depois, começava o primeiro show no Palco Nação Cultural, na noite em homenagem a Luiz Gonzaga. Um garoto ensaiava passos de forró quando a primeira atração ainda nem havia dado os primeiros acordes. Emerson Luiz não perdeu nada: “Só deu tempo de eu ir em casa, tomar banho e vir para cá. Eu adoro quando tem essas coisas aqui. E amanhã sou eu que vou me apresentar aí nesse palco”, confessou orgulhoso.

O garoto se referiu à sua participação no grupo Canta Gravatá, que abre a festa de hoje (14/9). Mas um dia de cada vez. Quem vem acompanhando o festival e todas as atividades só tem tempo mesmo de tomar banho e sair de casa novamente. Não fosse assim, ele teria perdido uma linda noite que lembrou o nome e o legado do Rei do Baião. Galeguinho de Gravatá entrou em cena com um público ainda tímido, mas colocou todo mundo para arrastar o pé no salão, tocando os clássicos “Sala de reboco”, “Cenário de amor” e “O Gonzagão”.

Toinho do Baião (Vitória de Santo Antão) subiu ao palco em seguida, caracterizado como o próprio Lua. E tudo lembrava ele: roupa, acessórios, músicas, voz e até trejeitos. Acompanhado de uma zabumba, um triângulo e uma sanfona, o cantor de voz potente fez um show com mais de 15 músicas de Gonzaga, das mais famosas às mais desconhecidas. No repertório, “Boiadeiro”, “Carolina”, “Cigarro de paia” e “Sala de reboco”.

Esta última, aliás, também foi cantada pela cantora Anastácia, amiga íntima e parceira de Luiz Gonzaga que também compôs a grade de artistas da noite. Animada, não parou de cantar um só momento, a não ser quando fazia questão de enaltecer o parceiro: “Estou muito feliz de estar aqui. O mundo precisa conhecer Luiz Gonzaga e saber que ele foi o grande rei do forró”. Outro momento foi quando relembrou a sua primeira composição gravada pelo mestre: “Sanfona sentida”, “Uma declaração de amor para a sanfona”, brincou.

O jovem sanfoneiro Cezzinha não deixou a peteca cair, mesmo entrando na madrugada: “Obrigado a vocês que saem de suas casas para prestigiar a cultura pernambucana”, agradeceu ao público. Cezzinha de fato é músico. E dos bons. O show atestou que a carreira do pernambucano é de esforço e dedicação. É muito provável que, em pouco tempo, seja considerado um dos maiores sanfoneiros do País. Além de um repertório refinado, que vai de Gonzaga, passando por Sivuca, Jackson do Pandeiro e Nando Cordel, o ponto alto do seu show foi quando mostrou o domínio com a sanfona num solo instrumental de chorinho. Os dedos ágeis na complexa melodia chegaram aos ouvidos dos espectadores, lembrando os acordes dos seus mestres. “Olha pro céu” encerrou a noite, que acabou no melhor do forró.

Toinho do Baião subiu ao palco caracterizado de Gonzaga (Foto: Ricardo Moura)

Toinho do Baião subiu ao palco caracterizado de Gonzaga (Foto: Ricardo Moura)

Anastácia foi só elogios ao amigo e parceiro Lua (Foto: Ricardo Moura)

Anastácia foi só elogios ao amigo e parceiro Lua (Foto: Ricardo Moura)

Cezzinha impressionou com a sanfona (Foto: Ricardo Moura)

Cezzinha impressionou com a sanfona (Foto: Ricardo Moura)

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