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Herbert Lucena fala sobre novo trabalho

Herbert Lucena lança CD em Caruaru (Foto: Divulgação)

Herbert Lucena lança CD em Caruaru (Foto: Divulgação)

Herbert Lucena acaba de ser indicado a quatro categorias no Prêmio de Música Brasileira 2012 pelo seu novo CD “Não me peçam jamais que eu dê de graça tudo aquilo que eu tenho pra vender”. Apesar de a categoria revelação ser uma delas, o músico faz questão de lembrar que já percorreu muita estrada. Nascido no Recife e criado em Caruaru, ele lança seu segundo álbum solo depois do “Na pisada desse coco”, lançado em 2004, e de um disco com a banda de rock Uzzo, em 1989, quando tocava bateria ao lado do conterrâneo Junio Barreto. Carregado de referências de sua cidade, Herbert volta a Caruaru nestesábado (19/5) para lançar seu novo trabalho. “Esse show vai ser especial, porque é a primeira vez que eu vou tocar esse álbum novo na íntegra. Estou muito ansioso”, confessa Herbert, durante entrevista concedida ao repórter Chico Ludermir para o blog do Festival Pernambuco Nação Cultural.

Fpnc.org: Você está lançando este novo CD, recebedor do maior número de indicações no Prêmio da Música Brasileira 2012. Como foi o processo de criação deste trabalho?
Herbert Lucena: Eu já trabalho com música há muito tempo. Passei por várias bandas e, de 12 anos pra cá, comecei minha carreira solo. Passei dois anos gravando. Foi um processo longo de gravação, porque não passei por nenhum edital, foi quase tudo bancado por mim.  Já estou morando no Recife, mas gravei em Caruaru, porque fiz muitas parcerias com os artistas de lá.  Lancei também este trabalho num vinil duplo.

Fpnc.org: Como você recebeu a notícia destas quatro indicações?
Herbert Lucena: Recebi o telefonema antes de sair na imprensa. Para mim, foi uma surpresa muito grande. Não esperava entrar com tantas indicações. Na parte de design, eu tinha esperança e também de melhor álbum regional, mas como melhor cantor regional e, especialmente, revelação nacional, nunca passou pela minha cabeça, mesmo.

Fpnc.org: Me conta um pouco dessa tua trajetória na música.
Herbert Lucena: Comecei como baterista da banda de rock Uzzo, ao lado de Junio Barreto. Fizemos um trabalho autoral e lançamos um disco em 1989. Continuei na música acompanhando artistas e tocando na noite. Em 2002, decidi gravar meu primeiro CD solo, que saiu em 2004. Três ou quatro dias depois do lançamento do “Na pisada desse coco”, Seu Zé Vicente da Paraíba (uma das maiores referências de Herbert) chegou com uma letra. Meu projeto novo (“Não me peçam jamais que eu dê de graça tudo aquilo que eu tenho pra vender”) começou a nascer com essa letra de Zé Vicente. Fizemos várias parcerias e no álbum tem duas composições dele.

Fpnc.org: Como você define a sua música?
Herbert Lucena: Meu estilo é música popular brasileira. Se eu morasse no Rio e fizesse samba, eu seria de MPB. Forró e coco fazem parte da música popular brasileira. A base do meu trabalho é a cultura nordestina. A gente vive num estado com muita diversidade e venho de uma cidade que é muito rica nisso. Tem cirandeiro, coquista, forrozeiro. Eu venho desse mundo e meu disco é um pouco de tudo o que eu ouvi.

Fpnc: Você mistura muitas vezes o popular com o erudito também…
Herbert Lucena: Uma das músicas que eu fiz com Zé Vicente se transformou numa mazurca. Comecei a pesquisar e eu quis fazer uma mistura entre a mazuca daqui e a mazurca polonesa. Pedi a Marco Cesar, professor do Conservatório de Música que fizesse o arranjo. Então, ele fez um arranjo bem barroco, uma mistura. Tem também no meu CD um coco tocado só com piano de calda e pandeiro. Quem fez o arranjo foi Rob Curto, um musicista norte-americano que também toca acordeom em duas faixas. Em uma ciranda, eu botei um violoncelo. Quis botar alguns instrumentos neste disco que eu não consegui botar no primeiro.

Fpnc.org: Você não nasceu em caruaru, mas foi criado lá. Qual é a sua relação com a cidade?
Herbert Lucena: Meus pais já moravam em Caruaru. Eu só nasci aqui (Recife), mas passei minha vida toda em Caruaru. Estudei no Recife, na década de 1980, e depois voltei. Hoje moro no Recife.

Fpnc.org: Como é voltar a Caruaru neste momento de lançamento de CD e de reconhecimento nacional?
Herbert Lucena: Eu estou muito ansioso. Este show eu não fiz em nenhum lugar. Estou levando 18 músicos para tentar fazer o mais parecido com o que eu fiz no CD. Tem metais, cordas. E vou ter Públius, Gustavo, Climério de Oliveira e o grupo Mazuca de Agrestina como participações. Já fiz vários shows em Caruaru, mas esse é especial, porque eu vou tocar só o disco novo. Vai ser muito legal.

Fpnc.org: O que influenciou você?
Herbert Lucena: Sou muito fã de coco. Os dois maiores artistas, que eu não canso de ouvir, são Jacinto Silva e Jackson do Pandeiro. Mas também Trio Nordestino, Ari Lôbo. Ouço de Beatles a Azulão, a Led Zeppelin. Walmir Silva é um dos maiores coquistas vivos. Tem também Tavares da gaita e Zé Vicente da Paraíba que não nasceu, mas morou em Caruaru.

Fpnc.org: O que você traz para esse show da noite de homenagem a Luiz Gonzaga, no sábado (19/5). Qual é a sua relação com o Rei do Baião?
Herbert Lucena: Luiz Gonzaga é importante para todo mundo que faz música no Brasil. Tão importante quanto Noel Rosa e Pixinguinha. Vai ser muito bom tocar nesta noite e, no final, vamos prestar uma homenagem a ele.

Fpnc.org: Quais são os seus projetos novos?
Herbert Lucena: A minha preocupação agora é divulgar esse disco, mas continuo fazendo música. Não sei quando vou gravar o próximo CD. Deve levar algum tempo nessa produção independente.

 

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