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Festival pernambuco nação cultural

Igreja de Santo Antônio ganhou novas percepções

Projeção dialogou com arquitetura da igreja (Foto: Tiago Calazans)

Projeção dialogou com arquitetura da igreja (Foto: Tiago Calazans)

Público parou pra assistir a “Monumento”, trabalho de video mapping feito a partir de uma pesquisa com o reisado

Por Olívia Mindêlo

Lindinalva Kamashiro, mais conhecida como Chiti Pantu, é uma dessas criaturas raras de Garanhuns. Não porque veio ao mundo com sobrenome de japonês em pleno Agreste pernambucano, mas pela vibração com que mantém viva sua paixão, o reisado. Nas palavras dela, a manifestação popular “só não tava enterrada, mas que já tinha morrido tinha”. Hoje, com a reanimação de grupos da cidade, como o Reisado Independente Gonzaga de Garanhuns, ela e seus companheiros desta brincadeira cada vez mais escassa enchem o peito para dizer que, se depender deles, a história nunca mais se acaba. E lá estavam eles, orgulhosos, em frente à Igreja Santo Antônio no último sábado (21/7), durante o FIG 2012, para ver de pé que também existiam outras pessoas com a mesma vontade.

As outras pessoas atendiam pelo nome de Retinantz, que não batiza nenhum grupo de reisado, mas um trio de VJs que usou a tecnologia do video mapping para lançar luzes sobre uma das mais tradicionais expressões da cultura popular nordestina, ajudando a manter viva a manifestação. Apresentado na última noite do festival, o trabalho “Monumento” teve como fonte de pesquisa o reisado e outras linguagens da cultura popular. Com apoio do Funcultura, foi desenvolvido especialmente para dialogar com a arquitetura da Igreja de Santo Antônio, que se viu com a fachada completamente mudada por algumas horas. Como era de se esperar, o público passante, que já seguia rumo ao Palco Guadalajara, parou para ver a exibição, com cerca de 10 minutos (o trabalho foi reapresentado diversas vezes no mesmo dia e local).

Video mapping é uma técnica de criação artística um tanto nova no Brasil. Une arte à alta tecnologia de projeção, geralmente mapeando detalhes da superfície com a qual interage, para gerar novas percepções do ambiente. O resultado extrapola a noção bidimensional. Apesar de encantar quase todo mundo, o interessante é quando não fica só no deslumbre técnico. Nesse sentido, “Monumento” se mostrou interessante, porque a religiosidade é parte do reisado, tendo a própria igreja, no caso de alguns grupos, como parte importante da sua iconicidade. Pena que a projeção não pode ocupar todo o prédio, devido à passagem dos ônibus pelo local.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=MuXHUknp4JM

“Muito linda a homenagem. Gostei demais”, disse Lindinalva, que, a convite do trio, assistiu a todas as exibições do mesmo trabalho. O Retinantz é formado pelos VJs Gabriel Furtado, Cauê Nascimento e Mary Gatis.

No dia 27 de julho, o trio apresenta uma nova obra – da série apoiada pelo Funcultura 2011/2012 – no Cine Teatro Guarany de Triunfo, dentro da programação do Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão do Pajeú.

Entrada da Casa Galeria Galpão no FIG 2012 (Foto: Beto Figueirôa)

Entrada da Casa Galeria Galpão no FIG 2012 (Foto: Beto Figueirôa)

Artes visuais

A programação de artes visuais do 22º Festival de Inverno de Garanhuns também encerrou no último sábado (21/7) com outras ações. A Casa Galeria Galpão, principal polo da linguagem do FIG, funcionou até as 21h, contabilizando mais de 1 mil visitas às suas exposições simultâneas, durante toda a semana do FIG. “Apesar das dificuldades, este é um número muito bom, se considerarmos que tem museu que não consegue essa quantidade nem em um mês”, disse Luciana Padilha, coordenadora das atividades de artes visuais no evento.

O espaço abrigou nove trabalhos, entre as exposições “Pramil: o beijo da mulher-dama ou o espelho da vontade à oscilação infinita do pêndulo da dor…”, de Devarnier de Almeida (BA); “Sobre o vento e o espelho”, de Daniel Corrêa de Araújo e Beatriz Melo (PE); e “Além da geometria”, de Braz Marinho Júnior (PE). Duas exposições de fotografia também estiveram à mostra, de Mateus Sá e Iezu Kaeru, além de uma intervenção com grafite nos muros do quintal, produzida pelo grupo Azul de Barros e Cia (PE), que também fez interferências em espaços públicos de Garanhuns.

Intervenções urbanas também fizeram parte da programação de artes visuais do FIG 2012. No último final de semana, as ruas da cidade pararam para assistir aos trabalhos de Eduardo Romero (PE), Cabelo (RJ) e Bruno Monteiro (PE). Este último artista acordou cedo no sábado (21/7) para interagir, pela manhã, com os transeuntes do Centro, com a obra “Imersão”, na qual se valia da linguagem de placas para mudar a rotina dos passantes. Num dos momentos, ele vestiu uma placa com os seguintes dizeres: “A máquina de fazer nada está quebrada”.

Segundo Luciana Padilha, a Secretaria de Cultura do Estado vai ampliar as ações de artes visuais em 2013, bem como as de design e moda. Em 2012, foram cerca de 20 atividades no total (de artes visuais), dentro e fora da Casa Galeria Galpão. Outros espaços também aderiram à programação do festival, de forma paralela, como a Spaço Artes Galeria, o Sesc Garanhuns e a Zero Galeria, um ambiente independente, com mostra de jovens artistas locais.

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