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Festival pernambuco nação cultural

Jorge Mautner e Mestre Zé Duda emocionam público em Goiana

Abertura do Palco Pernambuco Nação Cultural contou também com apresentações do Coco da Yá e do rabequeiro Luiz Paixão

Maracatu Atômico Kaosnavial (Foto: Costa Neto)

Maracatu Atômico Kaosnavial (Foto: Costa Neto)

Uma verdadeira celebração da cultura popular e dos homens e mulheres que fazem parte desse universo. Assim foi a noite dessa quinta-feira (29), em Goiana, durante a abertura da programação do palco do Festival Pernambuco Nação Cultural da Mata Norte. Coco, Maracatu, Cavalo Marinho e Rabequeiros firmaram presença em uma noite marcada pela emoção e beleza das manifestações da região.

Primeiros a subirem ao palco, os integrantes do Coco da Yá não escondiam a alegria em participar do evento. Liderados por Mãe Nininha, o grupo empolgou o público presente com canções tradicionais que falam da cultura e do cotidiano da região. “É muito bom se apresentar para o nosso povo, o povo do canavial, o povo da terra. É realmente uma coisa que mexe com a gente”, revelou emocionada. “Nascida e criada no Coco”, como fez questão de frisar, a artista segue mantendo a tradição da cultura popular com esforço e dedicação. “Desde criança eu danço Coco e quando subo no palco eu me entrego. Só Coco de alma!”, contou.

Logo na seqüência quem se apresentou foi o mestre do Maracatu Estrela de Ouro, Zé Duda. O show foi uma espécie de aquecimento, já que ao final da noite, o artista voltaria para cantar ao lado de Jorge Mautner, com o projeto Maracatu Atômico Kaosnavial. “Vamos fazer uma verdadeira festa hoje à noite. Se vivemos da cultura temos que lutar para preservá-la”, contou animado o mestre que há mais de 60 anos mantém viva a tradição do Maracatu. Natural de Buenos Aires, foi em Aliança que Zé Duda achou o terreno fértil para desenvolver sua arte. “Essa terra me fez descobrir o amor pelo Maracatu”, afirmou.

E foi justamente de Aliança que veio a terceira atração da noite: Luiz Paixão. O rabequeiro, nascido em uma família de músicos, conta que desde menino manteve contato com manifestações como o Cavalo Marinho, o Maracatu e a Ciranda. A partir do início dos anos 2000, “Seu” Luiz Paixão, como é conhecido, toca com o grupo da cantora paulista Renata Rosa. O show dessa quinta empolgou o público que dançou ao som das rabecas do mestre e seus parceiros.

Tendo a frente Zé Duda e Jorge Mautner, o Maracatu Atômico Kaosnavial encerrou a programação da noite com uma mistura de ritmos e linguagens. Nascido do encontro entre o mestre pernambucano e o músico, o projeto já rendeu um CD e um documentário. “Essa parceria começou quando nos encontramos em um show que fiz em Pernambuco há uns quatro anos. Daí nasceu a ideia de fazermos o projeto e inscrevê-lo na seleção do ‘Interações Artísticas’ da Funarte”, explicou Mautner. Segundo o músico, a intenção agora é correr o mundo apresentando os frutos desse projeto.”Maracatu, Ciranda, Cavalo Marinho, tudo isso é extraordinário e o mundo todo precisa conhecer isso. Este é o maior exemplo da amálgama que José Bonifácio disse que nós somos e isso irradia o espírito do povo brasileiro”, comentou.

Para Zé Duda esse projeto tem um significado especial para sua carreira. “O pessoal diz que sonhos se realizam e eu realmente creio que sim”. O mestre contou como ocorreu o encontro que deu nova visibilidade ao seu trabalho. “Topei com Mautner um em show que fizemos em Nazaré da Mata. Por sugestão do Afonso (produto) foi assistir ao show do Jorge e levei meu grupo. Assim que o show dele terminou, nós começamos. Botamos uma gola em cima dele e daí a nossa história começou…”.

Além das presenças dos músicos, o show também mostrou intervenções artísticas com brincantes de Cavalo Marinho e personagens do Maracatu Rural. Uma roda de Ciranda foi formada pela plateia e todos dançaram juntos ao som de novas canções e músicas conhecidas como Maracatu Atômico, composta pelo do próprio Mauter e regravada por Chico Science. O resultado final da noite: um público extasiado com a força e a beleza das nossas tradições.

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