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Lira, do fim ao renascimento

Lira se reinventando em Caruaru (Foto: Chico Santana)

Lira se reinventando em Caruaru (Foto: Chico Santana)

Por Luiza Falcão

A voz é a mesma, o homem já não é. Ele era o Lirinha do Cordel do Fogo Encantado e agora é  Lira. Lira e pronto, sem mais delongas. Substantivo próprio que batiza o homem, a turnê e o próprio show. O nome, que é outro, sem diminutivos, talvez até se encaixe melhor na rima, na poesia e na música. A sensação da volta de um ídolo era intensa no show feito no Palco Nação Cultural, nesta sexta-feira (17/5), e se misturava a de lançamento, ou relançamento, de um cantor fadado ao sucesso.

Natural de Arcoverde, Lira foi criado vendo em Caruaru uma referência e tanto. Era a cidade grande mais próxima, onde se formam grandes músicos, filhos da cidade ou não. A última vez que tocou na Capital do Agreste foi com o Cordel há muitos anos, tantos que ele nem sabe contar. A volta não podia ser mais emocionante do que um show solo, debaixo de sereno, num palco que lotou a antiga Estação Ferroviária de fãs que sabiam nada menos que todas as letras, inclusive das poesias declamadas. “Tocar em Caruaru é muito emocionante porque eu sinto que estou em casa, que estou mais perto da minha história, de mim mesmo”, confessa Lira.

Público lotou a Estação Ferroviária para curtir todo o lirismo do arcoverdense Lira. Na foto ele canta “Assum Preto”, de Gonzagão. Foto: Chico Santana/Secult-PE

Público lotou a Estação Ferroviária para curtir todo o lirismo do arcoverdense Lira. Na foto ele canta “Assum Preto”, de Gonzagão. Foto: Chico Santana/Secult-PE

Sobre sua carreira solo, mais teatral, performática e poética do que nunca, Lira revela que o Cordel foi um projeto que ele ajudou a construir e que o deixou muito realizado, mas que estava sentindo falta de algo que pertencia só a ele, uma música mais autoral, mais próxima da sua história de vida, do lirismo e de toda a semântica que a palavra lira, ou o nome Lira, podem trazer. “Eu não me renomeei do nada, Lira era o nome da turnê e dos shows, mas, na hora da divulgação, as pessoas entenderam que eu queria que fosse chamado de Lira. Foi assim que eu entendi que isso me fazia sentir mais completo”, explica.

Noite de rock do início ao fim - Do cabelo raspado de Rogéria ao visual cor de abóbora de Karina Buhr, passando pelas experimentações de Lira e as caras e bocas de Ortinho do Querosene Jacaré, a noite foi dos roqueiros. Quem curte uma pegada autoral e performática ficou satisfeito com cada apresentação.

De uns tempos para cá, a “Capital do Forró” pegou um gosto pelo rock e não perde a oportunidade de apreciar seus melhores expoentes. O encerramento da noite, na voz da soteropolitana Karina Buhr, foi o reflexo deste um incremento nas tradições culturais do caruaruense. Quem acha que o cabelo alaranjado e a maquiagem sempre extravagante são os aspectos mais marcantes da artista se engana. A música instigada, as opiniões marcantes e a presença de palco se encarregam disso.

Extremamente performática, Karina Buhr encerrou a noite com muito rock autoral. Foto: Chico Santana/Secult-PE

Extremamente performática, Karina Buhr encerrou a noite com muito rock autoral. Foto: Chico Santana/Secult-PE

Em Caruaru, ela não estava mesmo para brincadeiras, dançou, se jogou no chão, rebolou, cantou sucessos como “Não me ame tanto“, subiu em uma das estruturas metálicas que sustentavam o palco e até enrolou o fio do microfone no pescoço. Esse é o estilo Karina Buhr de ser. É assim que ela é adorada pelo público, que não se importou nem um pouco em chegar tarde em casa para vê-la até o último minuto.

 

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