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Festival pernambuco nação cultural

Mata Norte se despede do Pernambuco Nação Cultural

Forró, caboclinho, coco, mamulengo e outras manifestações da cultura popular marcaram o último fim de semana do festival

Zé Brown e Josildo Sá em Goiana (Foto: Ricardo Moura)

Zé Brown e Josildo Sá em Goiana (Foto: Ricardo Moura)

A participação de coquistas, cirandeiros, forrozeiros, mamulengueiros e brincantes de caboclinho, cavalo marinho, boi e maracatu movimentou o último final de semana do Festival Pernambuco Nação Cultural 2012 da Mata Norte. Espalhando-se por 19 cidades da região, tendo como município-polo Goiana, o evento contou, em sua programação de sete dias, com diversas ações culturais abertas ao público, entre oficinas, espetáculos (de teatro, dança e circo), exposições, mostras de cinema, encontros de cultura popular, rodas literárias e shows.

A noite de sábado (31/3) foi marcada, em Goiana, pela homenagem a Luiz Gonzaga, que, se estivesse vivo, faria cem anos em 2012. Dominguinhos, considerado o principal discípulo do Rei do Baião, foi a atração principal do palco que também recebeu o forrozeiro Josildo Sá e a banda goianense Caçuá do Mangai. Arlindo dos Oito Baixos, convidado para o evento, acabou cancelando o show, por problemas de saúde, mas ficou de comparecer às outras homenagens que o festival fará ao longo do ano, até realizar, em dezembro, a grande festa do centenário em Exu.

“Gonzaga ficaria feliz de ver todo mundo aqui homenageando ele, pessoas jovens cantando suas músicas. Parabéns a vocês por este festival”, ressaltou Dominguinhos, enquanto segurava, no colo, sua sanfona e no rosto, um sorriso que nunca cansa de esbanjar simpatia.

Músicas como Qui nem jiló, Xote das meninas, Asa branca e Respeita Januário, que mantêm acesa a lembrança de Gonzagão, balançaram o público presente, tanto no show de Dominguinhos, que também mandou ver em chorinhos instrumentais, quanto no de Josildo Sá e no da Caçuá do Mangai. Estas duas atrações, aliás, fizeram shows bem animados, com direito a “latadas” e um repertório autoral, ao som de zambumba, triângulo, bateria, baixo, sanfona e até cavaquinho. “Viva Gonzagãããooo!”, gritou Josildo Sá, no show que teve ainda participações como a do rapper Zé Brown, do Recife. “Onde tem povo está Luiz Gonzaga”, disse o músico.

Crianças, adolescentes, senhores, gente de toda idade foi ao palco conferir as atrações da Rua da Baixinha, na entrada da cidade. De pé, apoiados na bicicleta, encostados na janela ou com cadeiras na calçada, todos foram prova, em noite enluarada, de que Gonzagão não tem tempo nem fronteiras. “Eu sou desse lugar mesmo, sou do Sertão. Vivo em Goiana há 49 anos, mas nasci em São José do Egito. Gosto demais da minha terra, vim pra cá para construir a ponte e acabei ficando. Hoje trabalho como pintor na prefeitura”, soltou espontaneamente para nós, durante o show de Dominguinhos, Seu Antônio Feitosa da Silva, orgulhando-se de pertencer ao universo cantado por Gonzagão.

No palco de Nova Goiana, bem perto dali, a comunidade local saiu de casa no sábado (31/3) para dançar coco, ciranda e outros ritmos populares, que tremeram o palco do festival com atrações como Ferrugem e Coco de Sebastião Grosso. Em outras cidades, como Aliança e Glória do Goitá, a noite foi das sambadas de maracatu rural nos terreiros. A programação do dia contou também com violeiros de pé de parede, sanfoneiros de engenho, cirandeiros, caboclinhos, bois e outras manifestações da rica tradição popular da Mata Norte pernambucana, que no domingo (1/4), último dia do festival, desfilou pelas ruas de Goiana e no Engenho Mussumbu, próximo à cidade. O engenho, aliás, recebeu no sábado e no domingo, o V Encontro Estadual de Caboclinhos e Índios de Pernambuco.

A próxima parada do Festival Pernambuco Nação Cultural é no Sertão do Moxotó, de 9 a 15 de abril.

 

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