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Festival pernambuco nação cultural

Música, dança de roda e muitas homenagens

Depois das apresentações, crianças e adultos assistiram à Mostra Cinema na Estrada

As mazurcas se apresentaram em homenagem aos seu mestres. Foto: Clara Gouvêa/Secult-PE.

As mazurcas se apresentaram em homenagem aos seu mestres. Foto: Clara Gouvêa/Secult-PE.

 

Por Chico Ludermir

A Praça do Artesão, no Alto do Moura, foi palco do Encontro de Mazurcas, nesta sexta-feira (18/5). Mazuca de Agrestina e Mazurca Pé Quente juntas para homenagear seus mestres, Dona Amara Maria da Conceição e Seu Lauro Ezequiel, já falecidos. A festa foi de muita música e dança de roda.

As mulheres de vestidos floridos e os homens de calça, camisa abotoada e chapéu da Mazuca de Agrestina foram os primeiros a se apresentar. Ao som do pandeiro e do ganzá, dançaram numa pisada que carrega nas origens as danças dos negros das senzalas.

Zé Pretinho, cantor da banda, brinca a mazurca desde os 10 anos. Hoje, aos 64, ainda canta e dança com animação de menino. E vai pro centro da roda, rebate a mazurca no pé. É ele que conta de quando, no sítio Brejinho de Cajarana, saía de casa em casa, tocando durante os 30 dias do mês junino. “Não existia sanfoneiro nem nada. Só mazurca e ciranda dentro do sítio”, lembrou depois do show. Também se fazia festa toda vez que iam tapar as casas de taipa, quando nem existia tijolo em Brejinho.

A homenageada da noite, também conhecida como Rainha da Mazurca, foi a parteira de Zé Pretinho, estabelecendo com ele uma relação tão forte desde o nascimento. “Quando a gente fala dela, todo mundo treme. Toda vez que a gente toca, a gente lembra dela”, afirmou o músico.

Valmir Manuel da Silva aprendeu quase tudo com Zé Pretinho. Cantor e compositor, fez a canção “Mazuca boa”, em homenagem à Dona Amara, descendente de escravos e falecida aos 107, em 2009, que diz assim.

“Ôi diga sim, venha aprender
Que a Mazuca de Agrestina vem cantar só pra você
E diga sim, venha pra cá,
Que é Mazuca de Agrestina, alegria tá no ar

Eu vou cantar com emoção
Pra falar em Dona Amara, bate na palma da mão
Com emoção e alegria
Para falar em Dona Amara, penso nela todo dia”

Segundo grupo a se apresentar, a Mazurca Pé Quente cantou para Lauro Ezequiel. Falecido em setembro do ano passado, aos 80 anos, Seu Lauro cantou até agosto. “Ele dizia que só parava de cantar quando morresse”, explicou Severino Barbosa, organizador da brincadeira.

Integrante do grupo, Dona Josefa faz a resposta das músicas desde a época de Seu Lauro. Aliás, ao 57 anos, ela está prestes a completar meio século na brincadeira e não tem pressa para parar. Com voz aguda, animou seu grupo numa dança que lembra a pisada do coco.

Assim que terminaram as apresentações, o ritmo da mazurca deu lugar ao Forró Boneco de Barro. Em seguida, aconteceu uma exibição da Mostra Cinema na Estrada no local. Na frente do telão, crianças e adultos pararam para assistir aos curtas “Cinema americano”, “Até o sol raiá”, “Vou estraçaiá”, “Poesia em alto relevo”, “Jumento santo e a cidade que acabou antes de começar” e “Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos”.

Crianças e adultos se juntaram para assistir à Mostra Cinema na Estrada. Foto: Clara Gouvêa/Secult-PE

Crianças e adultos se juntaram para assistir à Mostra Cinema na Estrada. Foto: Clara Gouvêa/Secult-PE

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