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Nelson Rodrigues em debate

Anco Márcio relacionou Nelson Rodrigues com Gilberto Freyre e Freud (Foto: Ricardo Moura)

Anco Márcio relacionou Nelson Rodrigues com Gilberto Freyre e Freud (Foto: Ricardo Moura)

Limoeiro recebeu no sábado (1/9) a mesa redonda “Toda moral será castigada”

Por Chico Ludermir

Aproveitando o ensejo da comemoração do centenário de Nelson Rodrigues, o FPNC realizou, neste sábado (1/9), em Limoeiro, a mesa “Toda moral será castigada”. O debate mediado por um dos integrantes do grupo de teatro Magiluth, Pedro Vilela, contou com a participação dos professores Anco Márcio e Luís Reis, ambos da Universidade Federal de Pernambuco.

“Nelson não tinha assombro diante do ser humano, por isso consegue provocar a gente sempre”, começou Reis. Daí é que ele teria chegado tão perto da universalidade, defendeu. Aproveitando o mote da mesa, o professor acrescentou ainda que a arte não é julgada pela moral, mas pela estética.

Anco Márcio aproximou os discursos de Nelson Rodrigues aos de Freud e Gilberto Freyre (com este último, Nelson teria tido uma relação de amizade). Segundo Anco, a sexualidade seria um tema comum aos três autores, sendo o dramaturgo o mais hiperbólico e superlativo nessa questão. Para ele, um autor exagerado, que na história da literatura brasileira pode ser comparado a nomes como o poeta Gregório de Matos, conhecido como Boca do Inferno.

“Ele usava frases fortes como ‘toda mulher gosta de apanhar. As histéricas reagem’. Há sempre uma potencialização. Ele potencializa para que percebam o que ele quer dizer”, exemplificou Anco, chamando atenção para o fato de que o autor lançava uma frase bombástica e depois criava uma contradição. Nesse caso, sendo a histeria um aspecto comum a todas as mulheres na visão de Freud, a afirmativa “toda mulher gosta de apanhar” é negada, já que as histéricas reagem.

Perguntado pela plateia, coube a Pedro Vilela explicar um pouco sobre a peça “Viúva, porém honesta”, da qual é diretor. O texto de Nelson Rodrigues será apresentado na noite de hoje pelo grupo Magiluth, no mesmo local da mesa redonda, o Centro Cultural Ministro Marcos Vinicius Vilage.

 

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